sexta-feira, 24 de março de 2017

Assembleia de Deus Madureira - do "papado" ao bispado

As redes sociais na internet, divulgaram com rapidez a recente novidade do mundo assembleiano. Na 40ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Convenção Nacional da Assembleia de Deus Madureira, a qual está se realizando na cidade de São Paulo, no templo da AD no Brás, oficializou-se mais cinco novos bispos no ministério.

Além do bispo Manoel Ferreira, presidente vitalício da igreja, os escolhidos agora para a tão grande honra são os pastores Samuel Ferreira (SP), Abner Ferreira (RJ), Abigail Carlos de Almeida (GO), Daniel Malafaia (RJ) e Oídes José do Carmo (GO). Sobre os dois primeiros, o sobrenome já diz tudo: pertencem ao clã que domina o ministério. Os demais são obreiros estratégicos no apoio e consolidação do poder familiar.

Bispado de pai pra filhos

Historicamente, o uso de novas nomenclaturas ministeriais dentro das ADs nunca se deu sem alguma contestação. A CGADB de 1938, realizada em Recife (PE), rejeitou a consagração de apóstolos. Somente seis décadas depois, é que o pastor Túlio Barros Ferreira - coincidências de sobrenomes interessante - utilizou a titulação de apóstolo na AD em São Cristóvão (RJ).

O próprio termo, hoje tão utilizado de pastor-presidente ou pastor geral, não foi aceito sem críticas. Veteranos obreiros criticavam o modelo eclesiástico que estava por trás das honrosas titulações. Era evidente a concentração de poder em detrimento da desejada autonomia das igrejas. O sueco Otto Nelson chegou a criticar as nomenclaturas criadas considerando-as "antibíblicas".

Mas a realidade se impôs sobre os ideais dos pioneiros. O poder e a força dos pastores-presidentes somente aumentou com o tempo. Verdadeiros feudos religiosos se constituíram e Paulo Leivas Macalão teria sido o primeiro a consolidar o modelo episcopal, quando em 1958 criou a Convenção Nacional de Madureira e foi eleito pastor geral do campo.

Alcebiades Vasconcelos, no Mensageiro da Paz em 1959, ao observar a configuração eclesiástica assembleiana temia que um "pastor-geral com caráter nacional", poderia resultar na criação "de um papado pentecostal brasileiro".

É óbvio que o líder de Madureira não gostava da comparação. No livro Galeria do Pastores, o autor Ely Evangelista saiu em defesa de Macalão, afirmando que ele não tinha "tendências ou espírito papista" e muito menos "espírito ditatorial", pois as igrejas ligadas ao seu ministério tinham "ampla liberdade de agir". A história, porém, registra o contrário...

Controvérsias à parte, o certo é que Paulo Macalão nunca adotou outra nomenclatura a não ser de pastor geral. Sua esposa, Zélia Brito Macalão, muitos anos depois foi agraciada por Madureira com o título de "missionária". Titulação em uma igreja que não admitia (e em grande parte ainda não admite) a separação de mulheres ao pastorado.

Mas foi com à morte de Macalão e o vácuo de poder reinante em Madureira, que o então pastor Manoel Ferreira conseguiu superar todos os demais líderes e pretendentes à presidência da CONAMAD. Consolidada a liderança, Ferreira chegou ao bispado. Para justificar o uso do título, até hoje o ministério apresenta versões controversas.

Uma versão diz que a titulação foi um reconhecimento da igreja russa aos trabalhos de evangelização de Madureira naquele país, em outra se argumenta à necessidade de uma nomenclatura adequada para representar a igreja fora do Brasil. Para os estudiosos do pentecostalismo, é um termo usado somente para prestigiar, distinguir e elevar Ferreira perante seus pares na convenção.

Agora, além de um exotismo ministerial, o bispado se estendeu aos filhos de Ferreira e alguns pastores mais idosos. Mas todos sabem que a linha de sucessão se dará entre os filhos. Foi a maneira de legitimar ainda mais o que há anos se verifica em Madureira: o pleno domínio de um clã num dos maiores ministérios das ADs no Brasil.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro. Onde a luta se travar: a expansão das Assembleias de Deus no Brasil urbano (1946-1980) - Assis, 2015.

FERREIRA, Ely Evangelista. Galeria dos Pastores da Assembleia de Deus. Belo Horizonte, (s.e) 1ª edição 1971.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

FIDALGO, Douglas Alves. De Pai pra Filhos”: poder, prestígio e dominação da figura do Pastor-presidente nas relações de sucessão dentro da “Assembleia de Deus Ministério de Madureira”. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da UMESP. Orientador: Prof. Dr. Dario Paulo Barrera Rivera.

FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.

Mensageiro da Paz, 1ª quinzena de novembro de 1959. Rio de Janeiro: CPAD.

Mensageiro da Paz, junho de 1970, nº 12. Rio de Janeiro: CPAD.

domingo, 19 de março de 2017

O pastorado feminino na AD Ministério de Madureira

* Por Douglas Fidalgo

A Assembleia de Deus Ministério de Madureira – ADMM, durante seus mais de 85 anos de existência tem a sua história marcada por diversas ações consideradas polêmicas (para dizer o mínimo), que vão desde a questão dos “usos e costumes” e “invasões de campos” no período de seu fundador, até as mais recentes como, por exemplo, o “suposto” envolvimento do Bp. Manoel Ferreira com o falecido Rev. Moon.

Mas com certeza um episódio que agitou o “mundo assembleiano brasileiro” foi a consagração de mulheres ao posto de pastoras. Esse episódio ocorreu no ano de 2005, no encerramento da 37ª AGO da CONAMAD na cidade de Paulínia – São Paulo, quando no dia da “Cruzada” que encerraria essa Assembleia Geral, o Bp. Manoel Ferreira chamou ao palanque a cantora gospel Cassiane Santana Manhães e seu esposo Jairo Manhães (hoje pastores-presidentes do Campo de Barueri) os consagrando (os dois) a pastores (PRATES; FERNANDES, 2012, p. 143). Sendo então a cantora Cassiane a primeira mulher a receber oficialmente o título de pastora na Assembleia de Deus Ministério de Madureira - ADMM. Como afirma Alencar (2013, p. 240), “o bispo sentiu de Deus” tomar essa atitude e consagrar a primeira mulher pastora da ADMM.

Mais tarde de forma “compulsória” consagrou todas as esposas de pastores-presidentes do ministério a pastoras no ano de 2011 (2013, p. 241). Mas antes disso ocorrer, no de 2009, em plena comemoração aos 80 anos de fundação do Ministério de Madureira a esposa do Bispo Manoel Ferreira é consagrada a bispa, se tornando (assim como esposo) a primeira bispa assembleiana do Brasil (PRATES; FERNANDES, 2012, p. 147), pelo menos dentro das ADs oriunda das duas grandes convenções – CGADB e CONAMAD.

Precisamos pontuar que dois anos antes (2003) da consagração da primeira pastora da ADMM, esse mesmo ministério já havia consagrado às mulheres dos pastores-presidentes a missionárias e regulamentado a consagração de diaconisas dentro do Ministério de Madureira. Esses títulos (a exceção das diaconisas), principalmente os dados às mulheres dos pastores-presidentes eram (e ainda é) uma forma mais de distinção (BOURDIEU, 2007) entre dominadores e dominados.

Entretanto, alguém pode alegar que a mulher de Macalão, Zélia Brito Macalão era chamada de missionária, se assentava ao lado do esposo no púlpito e representava o mesmo em diferentes eventos como inaugurações, congressos e solenidades quando o seu esposo não podia comparecer (ALENCAR, 2013). 

Zélia e Paulinho: presença feminina na liderança de Madureira

Porém, que fique claro que a missionária Zélia Macalão, que viveu em um período no qual o machismo e a misoginia eram questões explicitamente claras dentro das ADs no Brasil (e porque não afirmar que ainda são), desempenhou um importante papel na constituição da igreja. Uma vez que essa mulher (como algumas outras dentro da história das ADs) se destacou pela coragem e brilhantismo, traduzindo artigos e escrevendo textos de ensino que foram publicados no MP por alguns anos, em um período em que só homens desempenham esse papel. Que infelizmente com o decorrer dos anos foi diminuindo sua atividade no “ministério do ensino”.

Encontramos ainda sua ação direta na CIBE - Confederação das Irmãs Beneficentes Evangélicas, fundada no ano de 1955 (MACALÃO, 1986), que tinha como função o trabalho na área da “assistência social”, oferecer cursos profissionalizantes, arrecadação de alimentos para atender as famílias necessitadas da igreja, o berçário da igreja e outras atividades. Apesar de todos esses serviços em sua maioria serem voltados para o público da igreja de Madureira, não se deve negar a contribuição que o mesmo teve.

Mas como as coisas dentro do pentecostalismo, principalmente assembleiano ocorrem de forma dinâmica e muitas vezes imprevistas, podemos indicar que muito antes da confirmação do ministério pastoral feminino no ministério de Madureira uma única mulher rompeu essa “barreira” e assumiu o pastorado de um Campo de trabalho. Segundo o que consta nos registros oficiais da instituição e apesar de na época ela não ser pastora, mas sim missionária, a mesma esteve no posto mais alto de comando da ADMM Campo de Guararema – SP (FERREIRA, s.n.t, p. 199).

Esse campo era ligado a ADMM Campo de Mogi das Cruzes, que tinha como presidente o Pr. Jorge Baptista Leite, que esteve à frente dessa igreja entre os anos de 1963 até 1996. Durante esses 33 anos o Campo de Mogi das Cruzes cresceu e se tornou um dos importantes campos do Ministério de Madureira. É neste ponto que reside à questão, que explica essa “presidência-feminina” em Guararema, pois esse pastor já estava avançado em idade e a Diretoria da CONAMAD resolveu jubilá-lo e substituí-lo. 

O referido pastor não aceitou ser jubilado e se instaurou a crise. A mesma foi resolvida com um acordo entre ambos os lados (CONAMAD e o pastor) e no final as igrejas da região de Guararema, que faziam parte desse Campo de Mogi das Cruzes foram emancipadas e a filha o Pr. Jorge Leite, a época Missionária Léia Baptista Cavalcante Macêdo assume a presidência desse campo. Ficando nessa presidência por um período de aproximadamente seis anos (FERREIRA, s.n.t), porém alegando dificuldades a mesma renunciou ao posto de “pastora-presidente”, se assim podemos dizer.

Fora esse episódio, que marca o grande jogo de interesses da liderança da ADMM, não se encontra nenhum outro semelhante a esse. Assim o pastorado feminino da ADMM na atualidade não expressa em um reconhecimento da capacidade das mulheres, pois as mesmas são na maioria dos casos esposas de pastores-presidentes, o qual pouco ou quase nada desempenha dentro da organização. Seus “títulos honoríficos” apenas demarcam o seu lugar na instituição, não a sua qualidade ou atividades.

Mas em toda a regra existe sua exceção! E muitas mulheres em seu anonimato, são a mola sustentadora e ao mesmo tempo propulsora do movimento pentecostal assembleiano no país, pelos seus muitos serviços prestados, mas que não são reconhecidos.

Entretanto, como afirma Alencar (2013, p. 242) as novas gerações que estão se acostumando com essa nova imagem da mulher assembleiana, vai aceitar que essa imagem só fique nisso? Certamente que não! Sabendo ser esse assunto ainda muito polêmico não apenas dentro das ADs no Brasil, mas em muitas igrejas evangélicas brasileiras a verdade é que ADMM vem ao longo da gestão dos Ferreiras quebrando muitos pontos tradicionais do movimento, porém o comodismo dessas mulheres pode apenas servir como um “demarcador” de posição social, muito comum dentro de outras esferas sociais em nosso país.

Mestre em Ciências da Religião na área de concentração em Ciências Sociais e Religião, na Universidade Metodista de São Paulo. Pós-graduado em Filosofia Contemporânea e História na Universidade Metodista de São Paulo (2013), em Educação para o Ensino Superior pela UNIP (2012) e História e Teologia do Protestantismo no Brasil pela FTBSP (2011). Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (2007). Além de possuir significativa vivência no magistério das redes particular e pública do Estado de São Paulo, lecionando ao longo dos anos disciplinas como Sociologia, História, Filosofia e Geografia para os níveis Fundamental II e Médio. Também atuou como professor auxiliar no curso de Ciências Sociais - EaD e professor presencial nos cursos de Gestão e Administração da Universidade Metodista de São Paulo.

Fontes:

ALENCAR, Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011, Rio de Janeiro: Ed. Novos Diálogos, 2013.

BOURDIEU, Pierre. A Distinção: crítica social do julgamento, São Paulo: Edusp; Porto Alegre, RS: Zouk, 2007.

FERREIRA, Samuel Cássio (org.), Assembleia de Deus em São Paulo: Fundação e Expansão1938-2011. Centenário de Glórias, 100 anos fazendo história1911-2011. s.n.t.

MACALÃO, Zélia Brito, Traços da vida de Paulo Leivas Macalão, Rio de Janeiro: CPAD, 1986.

sábado, 11 de março de 2017

Minissaia - a grande vilã

Na postagem, Moda, minissaia e o combate ao mundanismo nas ADs, observou-se os intensos debates sobre os modismos, e principalmente o uso da minissaia, que segundo um pastor da época, estavam "tentando invadir as igrejas".

O assunto foi levado à Convenção Geral de 1968 realizada em Fortaleza (CE). Silas Daniel, no livro História da CGADB, informou que os debates eram "reflexos da Revolução Sexual" sobre a denominação naqueles anos de grande efervescência cultural.

Registros mostram que a minissaia era uma grande fonte de preocupação dos pastores, que como toda a sociedade da época, assistiam escandalizados aos novos padrões de vestimentas e consumo da juventude. Sedimentados pela popularização da TV e do movimento musical Jovem Guarda, capitaneado por um jovem cabeludo (Roberto Carlos) que mandou "tudo pro inferno", os jovens jamais voltariam aos marcos antigos.

Vale lembrar, que na canção É papo firme (1966), Roberto fala de uma garota "avançada" que dirige velozmente, "gosta de gíria e muito embalo" e "só anda de minissaia". E todas essas novas posturas de uma jovem libertária, foram encarnadas numa mineira de Governador Valadares de origem libanesa chamada Wanderléa Charlup Boere Salim.

Wanderléa: ousadia no uso da minissaia

Além de adotar a criação de Mary Quant, Wanderléa, a famosa "Ternurinha", ousava mais: a inglesa usava à peça oito dedos acima do joelho; Wandeca por sua vez um palmo e meio acima. Era um escândalo.

E de norte a sul, as ADs sentiam e reagiam aos ventos de mudanças. Na AD em Joinville (SC) em 1968, o pastor Artur Montanha advertia aos membros contra o perigo dos vestidos curtos e das minissaias. Montanha usava uma lógica irrefutável: deveriam as irmãs perguntar a Jesus se era correto ou não usar saias acima ou abaixo de joelho.

O escritor Leal Neto relata, que o saudoso pastor da AD em Teresina, Paulo Belisário Carvalho, na década de 1970, aconselhava aos membros da igreja para não se deixarem "influenciar pelas modas do mundo". E a minissaia era a grande "vilã" e o alvo das mais sérias recomendações pastorais. 

Em Belém do Pará, a Igreja-Mãe fez uma "campanha contra o uso da minissaia". À desobediência aos ditames do ministério local seria punida com à exclusão "automática" do rol de membros.

Assim, muitos outros ministérios reagiram. Cada vez mais, as antigas e novas gerações assembleianas, se viam diante dos desafios da modernidade. Até que em 1975, em Santo André (SP), à CGADB resolveu proibir oficialmente à minissaia e outros costumes mundanos.

A "velha guarda" se impôs de vez sobre a "jovem guarda"...

Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011. Novos Diálogos: Rio de Janeiro, 2013.

ARAÚJO, Paulo César de. Roberto Carlos em detalhes (PDF). Editora Planeta: 2006.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

LEAL NETO, Raimundo. Uma Igreja Edificada - História da Assembleia de Deus em Teresina - PI. Teresina: Halley, 2012.

Atas da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Joinville.

sábado, 4 de março de 2017

Assembleia de Deus Madureira - "De pai pra filhos"

Quando o jovem Paulo Leivas Macalão, iniciou seu ministério nos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro em 1929, talvez não imaginasse, que dentro de alguns anos, os frutos do seu ministério se estenderia por várias regiões do Brasil formando o conhecido Ministério de Madureira.

Em 1982, com a morte de Macalão e do seu provável sucessor, o pastor Alípio da Silva, o ministério ficou acéfalo. A década de 1980, portanto, foi de tensões internas e externas para Madureira, onde à sucessão seria incerta entre seus mais destacados líderes. Mas com o passar do tempo, um nome se consolidou na liderança: Manoel Ferreira.

Focando nesse período de transformações do Ministério de Madureira, é que o sociólogo Douglas Fidalgo defendeu recentemente a dissertação de mestrado “De Pai pra Filhos”: poder, prestígio e dominação da figura do Pastor-presidente nas relações de sucessão dentro da “Assembleia de Deus Ministério de Madureira”.


Douglas Fidalgo: "De pai pra flhos"

Para Fidalgo, o fato das ADs no Brasil ser a única igreja pentecostal que conseguiu ao longo de seus mais de cem anos manter-se crescendo (IBGE-Censo 2010), levou-o as seguintes indagações: por que uma denominação tão expressiva no cenário religioso nacional se organiza em torno de uma figura que acumula, em si mesma, um prestígio considerável ao ponto de se tornar quase que inquestionável dentro da instituição e, ao mesmo tempo, aceita e legitima um modelo sucessório dinástico em pleno contexto de necessária modernização das instituições religiosas em geral?

Tendo essa problemática, a pesquisa buscou analisar as relações do tipo de poder tradicional-patrimonialista e seus desdobramentos principalmente na legitimação do poder da figura do Pastor-presidente e no atual fenômeno de perpetuação/e sucessão dinástica dentro do espaço pentecostal das ADs, em foco o Ministério de Madureira.

A relevância do tema está no fato de que, o estudo relacionado ao tipo de dominação do patrimonialismo no pentecostalismo brasileiro é pouco usual entre as pesquisas acadêmicas. E muitos autores acabam relacionando figuras como a do Pastor-presidente, por exemplo, a uma mera herança do colonialismo brasileiro.

Dessa forma, ao “desmistificar” esse entendimento simplista, percebe-se a existência de uma complexa rede de relações entre os dominadores, o seu quadro de especialistas e os dominados. Sendo muitas vezes essa forma de relação tensa e conflituosa na disputa constante pela manutenção do poder e das benesses por ela produzido.

Assim, a pesquisa buscou analisar as relações de poder, prestigio e dominação que ajudam a explicar a importância adquirida pela figura do Pastor-presidente, junto a lógica recente de perpetuação familiar no comando das Igrejas ADs Ministério Madureira.

Fidalgo ainda destaca as peculiaridades do ministério construído por Macalão, e de forma sucinta traça o perfil do clã dominante e as resistências à dominação por eles imposta. Não é por acaso, que nessa trajetória, algumas igrejas tenham se desvinculado de Madureira, pois todo o processo não se deu sem tensões e disputas.

Presbítero na AD Ministério do Ipiranga em São Paulo, Douglas sempre se interessou pelas questões de poder eclesiástico nas ADs. Frequentou Madureira por mais de 20 anos e soube aproveitar seus contatos com pastores e dissidentes do ministério para entrevistas e coletas de dados. Sua dissertação é uma obra robusta teoricamente e de muitas e inéditas informações sobre Madureira e o clã que a domina.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

CRISTIANISMO E CRIMINALIDADE: a adesão de bandidos ao universo cristão pentecostal.

* Por Douglas Fidalgo

No segundo semestre de 2015, Lucas Medrado (membro da AD ministério do Belém – SP) defendeu sua dissertação de mestrado no curso de Ciências da Religião na Universidade Metodista São Paulo. Devido a grande relevância de sua pesquisa no ano de 2016, sua dissertação se transformou em um excelente livro publicado pela Fonte editorial, com o título de CRISTIANISMO E CRIMINALIDADE: a adesão de bandidos ao universo cristão pentecostal. Mesmo ainda muito jovem, Lucas se destaca pela coerência e firmeza com que trata tanto das suas pregações nos mais diferentes púlpitos por onde passa, quanto o complexo universo acadêmico das pesquisas etnográficas, principalmente do mundo pentecostal.




Nesta postagem queremos fazer uma breve apresentação dessa pesquisa/obra que julgamos de grande relevância para aqueles que têm desejo de compreender o grande e polissêmico campo do pentecostalismo brasileiro, em especial o assembleiano. O autor buscou pesquisar uma igreja pentecostal da periferia da zona sul de São Paulo, que a época se chamava de Assembleia de Deus Fortificada em Cristo - ADFEC (atualmente essa igreja não existe mais com esse nome), uma igreja autônoma, porém muito peculiar. Em meio ao grande número de igrejas pentecostais localizadas nas periferias das grandes cidades do país, o que essa pesquisa traz de diferente? Assim, como apresentado no título da obra, Lucas buscou pesquisar as possíveis relações existentes entre o bandidismo e pentecostalismo brasileiro. Ou seja, a igreja em questão era mantida com recurso provenientes do mundo da criminalidade. Alguém pode estar se indagando neste momento, como isso é possível? Gedeon Alencar, ainda na apresentação do livro já nos diz:

Os pentecostalismos, para frustação interna e externa, são também uma expressão cultural de seu tempo como qualquer outra. Nem pior nem melhor que qualquer outra – apesar de sua membresia negar e as pesquisas ainda não terem percebido. Abrasilerados, aculturados e se assemelhando aos demais, o pentecostalismo se tornou uma manifestação da cultura tupiniquim brasileira. (MEDRADO, 2016, p. 18)

Certo é que, o pensamento a respeito da periferia é carregado de preconceitos e concepções no mínimo errada da realidade ali vivida. Entretanto não podemos negar que os que ali vivem, são obrigados, concordando ou não (que é o caso da grande maioria), a viver porta a porta com a ilegalidade e o bandidismo, correndo risco de morte ao se opor abertamente. Mas assim, como Lampião no cangaço o bandido em muitos lugares de vulnerabilidade “é o agente que tem voz de comando, liderança e respeito. Ele é um ser temido” (2016, p. 22). Em meio a este contexto, poderia o pentecostalismo transitar de forma autônoma e isonômica a criminalidade? Acredito que não! E Lucas comprova que à medida que o pentecostalismo tende se firmar neste espaço, ele tem que abrir “certa concessão” a fim de poder transitar no mesmo sem maiores problemas. Como afirma o sociólogo estadunidense Peter L. Berger “a sociedade é, portanto, não só resultado da cultura, mas uma condição necessária dela. A sociedade estrutura, distribui e coordena as atividades do mundo desenvolvidas pelo homens”(BERGER, 1985, p. 21). E o pentecostalismo não pode fugir disso.

Dito isto, voltemos à obra em questão. Com um texto bem acessível ao leitor e sem aquele academicismo maçante, Lucas se insere ao mundo dessa igreja ao longo de seis meses na tentava de compreender de que forma o pentecostalismo e bandidismo podem conviver em um mesmo espaço, sendo ambos (pelo menos no discurso) diametralmente tão distantes um do outro. Dividida em três capítulos, a obra no primeiro busca explicar a ação do pentecostalismo na periferia (neste caso na favela Jardim São Jorge), fazendo uma descrição tanto do bairro, quanto da ADFEC. O autor mostra que a ADFC é um pentecostalismo assembleiano de tipo autônomo (ALENCAR, 2013), que tem a permissão do próprio chefe do tráfico para realizar seus cultos na sede da Associação Comunitária do Jardim São Jorge e Adjacentes, conhecida como “A Sedinha”. A igreja passa a dividir o espaço com as outras atividades que a associação promovia para a comunidade, que iam desde aulas para alfabetização e informática, até bailes funks na frente da sedinha.

Essa relação público-privado só é possível, pois é legitimado pelo líder da criminalidade local, indivíduo que através da intimidação e medo se impõe a qualquer decisão comunitária. Como afirma o autor “o local se tornou mais do que um ambiente social, é um símbolo explícito das relações de poder no que tange o espaço e a ‘política’ dos criminosos, pentecostais e moradores. É, enfim, um palco de ações e relações humanas, sociais e religiosas” (MEDRADO, 2016, p. 39-40). Dessa forma fica muito claro a todos que os bandidos não só respaldavam a igreja em questão, mas mantinham a mesma com o dinheiro proveniente de suas relações ilícitas. Contando com um público em sua maioria de jovem, a ADFEC, na fala de seu pastor a missão da igreja é de resgatar o máximo possível deles ou da criminalidade, ou mesmo de uma eventual entrada nessa “vida”. Um ponto reafirmado algumas vezes por Lucas em sua pesquisa, é que mesmo tendo um discurso contrário a essas práticas o pastor da ADFEC acabava em suas pregações “não despertando nos criminosos a rejeição pelos seus equívocos” (2016, p. 54). Uma vez que se opor veementemente aos mesmos caracterizava não apenas um risco a permanecia da igreja na sedinha, como mesmo risco a vida do pastor.

No segundo capítulo ele trabalha a questão dos espaços de interações entre bandidos e ex-bandidos, pois mesmo muitos dos jovens envolvidos na criminalidade não apontarem para uma possível “transformação” de conduta, sua participação e interação aos cultos da ADFEC ocorriam sem qualquer tipo de julgamento moral dessa relação social entre pentecostalismo e bandidismo. O autor então passa a falar de um jovem que havia se envolvido com a criminalidade na região, chegando a se tornar um gerente do tráfico, mas que se converteu na ADFEC, passando a exercer um papel importante na igreja. Lembremos que essa relação de proximidade e interação não se restringi ao pentecostalismo somente, pois tanto moradores e até mesmo agentes públicos (em meio a corrupção) se relacionam com a criminalidade em um verdadeiro “toma lá dá cá”, que vai desde o medo, até algum tipo de favorecimento ilícito. Como afirma Lucas: - “as redes construídas entre os bandidos, ex-bandidos e a ADFEC no Jardim São Jorge explicitam um fato importante, que as relações de poder e a interatividade de conivências são comuns entre os grupos” (2016, p. 74). Outra relação levantada na pesquisa foi a vida do ex-bandido, uma vez que “nas quebradas do crime bandido não pode brincar com Deus” (2016, p. 91) situação que pode significar a “pena de morte” do ex-criminoso.

O “ex-bandido” é uma reconstrução da identidade do sujeito na comunidade, não há como se fingir de convertido, nem perante os irmãos da igreja nem perante os líderes do crime, pois ambos respeitam muito a mudança decorrente da entrada na igreja. (MEDRADO, 2016, p. 92)

O processo de conversão leva aos mesmos a uma “reelaboração da sua visão de mundo” (2016, p. 97), sendo possível pela receptividade oferecida pela igreja e a ausência de um julgamento moral das práticas outrora cometidas pelo “Ex”. Ressaltemos que no mundo pentecostal, principalmente o assembleiano é muito comum encontrarmos muitos ex-bandidos que hoje se tornaram pastores e pregadores, os quais ocupam importantes púlpitos pelo Brasil a fora. E os mesmo, muitas vezes são uma “ponte” para que outros bandidos se aproximem da igreja e se “convertam ao pentecostalismo” (2016, p. 108-109).

Na última parte Lucas se atém a falar sobre as ambiguidades que a relação pentecostalismo e criminalidade produzem. Principalmente no que tange a questão da procedência do dinheiro ofertado à igreja (tivemos na mídia dias atrás um renomado pastor assembleiano que foi levado pela PF, para dar explicações de uma “suposta oferta” que ele havia recebido e um investigado da operação Lava Jato; esse mesmo pastor em seu programa semanal mostra o extrato bancário a fim de mostrar que não tem relação com o investigado, mas a questão central se dá pela procedência do dinheiro em questão), uma vez que se não abertamente, mas indiretamente todos sabiam que muitas das ofertas estavam relacionadas diretamente com ações criminosas. Será que muito poderiam estar pensando que uma vez dentro do “gazofilácio” a oferta se santifica, mesmo oriunda do crime, ou de operações ilícitas? Vale a reflexão!

Enfim, enquanto existir igreja perto dos becos existirá afinidades, um não excluirá o outro, o “sagrado” e o “profano” se coadunam e as ambiguidades são perceptíveis. Nesse contexto, o que existe é uma ponte curta e bem flexível nos extremos, entre o “mundo” do crime e do “mundo” pentecostal, oposto que se ligam numa dialética profunda e concisa na existência dos cidadãos e suas redes sociais. (MEDRADO, 2016, p. 121)

Sendo esse tema muito controverso e, assim, concordemos ou não com a sua existência, a realidade é que a obra de Lucas Medrado explora um tipo de pentecostalismo, entre eles o assembleiano, real e presente a nossa realidade, mas que muitas vezes é negado em nome de uma moralidade pseudo-bíblica de negação de sua existência em nosso meio. Não estou aqui afirmando que o mesmo seja moral, entretanto afirmando que negando ou não, ele é parte integrante das igrejas, principalmente as que se localizam nas periferias das grandes cidades brasileiras. E a obra em questão mostra através da epistemologia empregada pelo autor que o pentecostalismo/assembleiano dispõe de novos atores e de novas cosmovisões provindas desses espaços que são sinônimos de ausência e carência de bens básicos da vida material das pessoas. Sua leitura é fundamental para que a discussão e mesmo o interesse em novas pesquisas sobre o assunto abundem, nos diferentes meios, sejam acadêmicos ou não, a fim de termos uma percepção mais próxima da nossa realidade vivida.

* Mestre em Ciências da Religião na área de concentração em Ciências Sociais e Religião, na Universidade Metodista de São Paulo. Pós-graduado em Filosofia Contemporânea e História na Universidade Metodista de São Paulo (2013), em Educação para o Ensino Superior pela UNIP (2012) e História e Teologia do Protestantismo no Brasil pela FTBSP (2011). Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (2007). Além de possuir significativa vivência no magistério das redes particular e pública do Estado de São Paulo, lecionando ao longo dos anos disciplinas como Sociologia, História, Filosofia e Geografia para os níveis Fundamental II e Médio. Também atuou como professor auxiliar no curso de Ciências Sociais - EaD e professor presencial nos cursos de Gestão e Administração da Universidade Metodista de São Paulo.

Fontes:

ALENCAR, Gedeon, Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011, Rio de Janeiro: Ed. Novos Diálogos, 2013.

BERGER, Peter, O Dossel Sagrado: elementos para uma sociologia da religião, São Paulo: Paulus, 1985.

MEDRADO, Lucas, CRISTIANISMO E CRIMINALIDADE: a adesão de bandidos ao universo cristão pentecostal. São Paulo: Fonte Editorial, 2016.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Frida - um olhar de gênero

No distante janeiro de 1941, os leitores do Mensageiro da Paz, foram informados através do pastor Samuel Nyström sobre o precoce falecimento, aos 49 anos, da missionária sueca Frida Strandberg, viúva de Gunnar Vingren, um dos fundadores das Assembleias de Deus no Brasil.

Nyström, em seu texto, enaltece as virtudes da missionária. Segundo ele, Frida era talentosa, criativa, dedicada e carismática. Como ninguém "sabia cativar os que a ouviam" - destacou. Mas, em meio a tantos elogios, Samuel fez uma ressalva: "A sua impetuosidade, algumas vezes, levou-a além do que era prudente e útil...".


Eufemismos, que estudos recentes sobre a história das ADs revelam ter sido na verdade, uma grande batalha e disputa pelo poder dentro da denominação. Frida, não se contentou em ser simplesmente uma esposa "bela, recatada e do lar" ou assumir destacado papel de assistente social.


Valéria Vilhena: tese polêmica sobre Frida

Ela foi e queria ser muito mais do que isso. E por essa razão, atraiu sobre si a indignação e o repúdio de homens não preparados para ver (e aguentar) a ascensão de uma mulher líder, atuante e com capacidade de argumentar teologicamente contra eles.

Defendida recentemente, a tese de doutorado de Valéria Vilhena intitulada Um olhar de gênero sobre a trajetória de vida de Frida Maria Strandberg (1891 -1940), é uma importante contribuição para entender quem foi a esposa de Gunnar Vingren e as razões do seu esquecimento durante décadas na história das ADs.


Ultimamente, Valéria têm se tornado conhecida em suas posições polêmicas e por questionar à igualdade de oportunidades e à violência contra as mulheres nas estruturas religiosas. Ou seja, não reza pela cartilha do politicamente correto do mundo evangélico em geral. Sua tese é de uma militante feminista cristã; ainda que para muitos isso seja extremamente contraditório.

Por esse motivo esclarece a autora: "Um dos objetivos deste texto é avaliar, à luz da perspectiva de gênero, a trajetória de Frida, e a pressão que sobre ela foi feita num contexto de dominação masculina que atingiu as demais mulheres assembleianas". A instituição que permitiu a jovem missionária se destacar em meio a tantos líderes, hoje mitificados pela história oficial, também anulou sua vida e ministério.

Com excelente bibliografia e, principalmente, com acesso as cartas trocadas entre os missionários suecos, Vilhena discorre sobre a ascensão e o planejado esquecimento de Frida, um "símbolo da resistência ao sentimento de obsessão de dominação de pastores suecos e pentecostais".


Não é muita leitura fácil para os que estão habituados às hagiografias dos missionários escandinavos. Nas cartas exploradas para a tese, transparece toda a humanidade desse senhores, vultos da ADs e mitos da igreja. Mas é necessário mergulhar nessa face desconhecida da história e compreender, que a história dos mitos assembleianos é carregada de dramas e paixões terrenas.

Para Valéria, Frida não é uma santa, mas sim um ser humano, uma mulher lutando por seu espaço na igreja dentro de um forte contexto social contrário. Como reconheceu seu maior algoz, ela possuía uma "impetuosidade" desafiante para os pastores da época e um desejo enorme de cumprir sua missão no Brasil.


Fontes:

VILHENA, Valéria Cristina.Um olhar de Gênero Sobre a Trajetória de Vida de Frida Maria Strandberg (1891 -1940). Tese (Doutorado em Educação, Artes e História Cultural) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2016.


Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de janeiro de 1941.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A criação da Rede de Estudos Pentecostais Assembleianos

No dia 10 de fevereiro de 2017, na CPAD Megastore, na cidade do Rio de Janeiro, será lançada à revista da Rede de Estudos Pentecostais Assembleianos (REPAS).

O evento, diga-se de passagem, é um marco dentro dos esforços de aproximação entre a editora assembleiana e o mundo acadêmico. Nos últimos anos, houve um considerável aumento de pesquisas acadêmicas sobre o pentecostalismo, e as ADs como maior denominação pentecostal tem sido alvo das mais variadas teses.



Percebendo esses novos tempo, o 1º Encontro Nacional de Educadores Teológicos, promovido pelo CEC/CGADB – Conselho e Educação e Cultura da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, realizado no dia 27 de fevereiro de 2016, no Rio de Janeiro na FAECAD – Faculdade Evangélica de Tecnologia, Ciências e Biotecnologia, ventilou a criação de uma rede de estudos pentecostais para estreitar o diálogo entre à CPAD e os pesquisadores.

Nesta ocasião, sob a presidência do Pr. Douglas Roberto de Almeida Baptista (Brasília – DF) líder do CEC/CGADB, discutiu-se como seria o funcionamento da rede. Foi eleita uma comissão  para detalhar a implantação da rede, composta pelos seguintes educadores: coordenador – Pr. Claiton Ivan Pommerening (Joinville – SC); membros – Pr. Isael de Araujo (Rio de Janeiro – RJ), Pr. Eduardo Leandro Alves (João Pessoa – PB), Pr. Germano Soares (Rio de Janeiro – RJ), Pr. Fábio Henrique de Oliveira (Mossoró – RN) e Pr. Jorge Vargas (Porto Alegre – RS).

O objetivo da nova instituição, segundo seu site oficial é "de reunir pesquisas e estudiosos dos assembleianismos brasileiros vinculados à CGADB, bem como a troca de conhecimento entre estes e o acesso das pesquisas ao público leigo assembleiano".

Para alcançar essas metas, a REPAS irá promover seminários e encontros com os estudiosos das ADs e editar as principais pesquisas em publicações da CPAD e demais periódicos de estudos pentecostais. Além disso, o Centro de Estudos do Movimento Pentecostal da CPAD, estará assessorando a rede.

Ainda, conforme o site da REPAS, o Conselho de Educação e Cultura da CGADB "fará o trabalho de creditar e aprovar as pesquisas que serão publicadas, observando o princípio da liberdade acadêmica". Tal disposição da CGADB e de seu braço editorial, a CPAD, é salutar para a disseminação e aprofundamento dos estudos sobre as ADs no Brasil.

É o reconhecimento da tradicional editora ao desenvolvimento e publicações (teses e livros) sobre as ADs no Brasil. Com a multiplicação de estudos sobre as ADs, a Casa Publicadora aposta no diálogo e intercâmbio de ideias. Novos autores serão revelados pela editora e novas abordagens sobre a denominação ficarão conhecidas.

Vamos aguardar os desdobramentos e frutos da parceria. A comunidade científica e os estudiosos assembleianos e das ADs agradecem.

Para maiores informações acesse o site http://repas.com.br/site/