quarta-feira, 6 de março de 2019

Joaquim Marcelino da Silva - entrevista histórica

O pastor Joaquim Marcelino da Silva foi um dos principais pastores das ADs no Brasil e por duas vezes exerceu a vice-presidência da Junta Executiva da CGADB. No período que liderou a AD em Santo André/SP, a igreja paulista hospedou a Convenção Geral em 1966 e 1975.

O Mensageiro da Paz, em janeiro de 1969, publicou uma rara entrevista com o líder assembleiano, que no fim da década de 1940, era carregador da mala do pastor Cícero Canuto de Lima e por ele foi ordenado pastor em 1948. É possível que sonhasse ser sucessor do velho "timoneiro", pois era um dos obreiros mais preocupados com a sucessão de Cícero.

Na entrevista, Marcelino comenta assuntos reveladores de como os pastores assembleianos encaravam o que eles chamavam de "inovações". Também não faltou críticas à televisão, na época considerado o grande perigo para a vida espiritual. Vale lembrar que foi gestão do pastor Joaquim Marcelino, em Santo André, que a CGADB de 1975 produziu o famoso documento normatizando as regras dos usos e costumes da igreja.

Amor à simplicidade - Joaquim Marcelino dizia amar "a simplicidade". Para ele não havia base bíblica ou virtude no ato de cortar fitas simbólicas nas inaugurações das igrejas ou lançamento de pedra fundamental. "Faço apenas um culto de ação de graças e agradeço a benção que nos concedeu" - comentou. Segundo o veterano pastor, o então líder do Ministério de Belenzinho, Cícero Canuto de Lima e outros pastores do Ministério também pensavam da mesma maneira.

Pastor Joaquim Marcelino (1916-2004)

Desfiles públicos - "Penso apenas que é uma inovação adotada pela igreja e sem base bíblica...". Todavia, o pastor Joaquim admitiu realizá-los para satisfazer os crentes da sua igreja, mas não se sentia bem com essa postura. Seria uma forma de não descontentar totalmente os fiéis.

Segundo o historiador Maxwell Fajardo em seu livro “Onde a luta se travar”, as observações negativas de Marcelino sobre os desfiles e as críticas sobre o descerrar de fitas simbólicas ou lançamento de pedras fundamentais nas igrejas eram indiretas ao Ministério de Madureira, que utilizava das "inovações" desaprovadas pelo líder paulista.

Doutrina - "A questão doutrinária, a doutrina bíblica está muito ameaçada, as organizações estão começando a substituir o brilho do Espírito Santo". Outra coisa apontada pelo antigo líder da AD em Santo André: o tempo de pregação da Palavra estava sendo ocupado por cânticos. "precisamos voltar à simplicidade e beleza primitivas".

Televisão - Perguntado sobre o uso da televisão, o pastor Joaquim foi enfático: "Acha-o perigoso e ameaçador da doutrina". Conta ele ainda que a redução de aparelhos de televisão em sua igreja foi uma vitória. Antes, 70 famílias possuíam TV, mas depois de muitos pedidos, somente três casas resistiam ao Senhor "apesar de terem sido grandemente castigadas".

Surge então a dúvida: quem estava castigando? O veterano obreiro fala que as famílias resistiam "ao Senhor", entretanto, ele mesmo observou que, quando começou "a agir, o povo começou a vender seus televisores com a maior das facilidades e alegria". Seria o abandono da TV, uma ação divina ou repressão pastoral?

Institutos Bíblicos - "Nosso Ministério aqui em São Paulo é contrário" - assegurou Marcelino. Na opinião do pastor, os institutos bíblicos só deveriam existir para os vocacionados ao ministério e não para "os irmãos em geral". A explicação é no mínimo pitoresca: "porque estes não têm chance [no ministério] e ao tirarem o curso julgam-se aptos pensando que essa sabedoria que aprenderam lhe darão o direito de serem obreiros...".

Na continuação, Joaquim explica que essa "sabedoria" e "vaidade" levaria ao prejuízo, pois os leigos sem vocação julgavam-se superiores aos obreiros vocacionados. "Eu dou mais valor às nossas Escolas Bíblicas" - concluiu ele. Obreiros formados nas escolas bíblicas moldavam-se melhor os sistemas eclesiais.

O líder de Santo André foi coerente com a posição dos pastores em geral sobre os institutos bíblicos, mas revelou o desconforto gerado. Havia os "vocacionados" e para estes os seminários até seriam interessantes, pois, em tese, eram obreiros submissos aos métodos das ADs. Contudo, para os “sem-chance", os institutos gerariam soberba e vaidade, trazendo prejuízos à obra.

Chega a ser uma visão controversa: havia no entender do pioneiro, os "vocacionados" e os “sem-chance" no ministério. Marcelino ainda se posiciona com preocupação sobre as organizações de assistência social ou de missões. Essas estruturas, não deveriam "suplantar a organização do Espírito".

O experiente pastor ainda desejava uma igreja espontânea, espiritual e conservadora. Uma denominação de obreiros "vocacionados" com formação nas escolas bíblicas. Mas a entrevista mostrava um sistema em plena contradição e tensões internas. Ainda mais alguns anos os conservadores resistiriam. Somente por mais algum tempo...

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro. Onde a luta se travar: uma história das Assembleias de Deus no Brasil. Curitiba: Editora Prismas, 2017.

Mensageiro da Paz, janeiro de 1969, ano 30, nº 1. Rio de Janeiro: CPAD.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

José Wellington Bezerra da Costa - entrevista histórica

No mês de julho de 1988, o Mensageiro da Paz trouxe aos seus leitores uma entrevista exclusiva com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da AD Ministério de Belenzinho/SP e, após o falecimento do pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos, presidente da CGADB, no dia 12 de maio do mesmo ano.

José Wellington foi entrevistado em seu escritório no Belenzinho pelo jornalista e pastor Geremias Couto. No texto de abertura da matéria destacou-se as "considerações [do pastor Wellington] da maior atualidade, que devem ser, também, motivo de reflexão para as demais lideranças de nossa igreja".

Nessa postagem selecionou-se alguns pontos interessantes para se refletir sobre a história e os rumos que as ADs tomaram nessas últimas décadas. Na época da entrevista, o líder do Belenzinho contava com 53 anos de idade e estava apenas há oito anos na presidência do ministério paulista.

Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos - "Tínhamos no pastor Alcebíades aquela coluna de sustento das Assembleias de Deus no Brasil e a sua morte se constituiu numa perda irreparável... Estou orando para que Deus me ilumine e, sobretudo, me ajude no desempenho dessa tarefa tão pesada para qualquer pastor da nossa igreja".

O historiador não trabalha com previsões e é difícil dizer o que aconteceria se o pastor Alcebíades continuasse a conduzir a CGADB. Em sua biografia, o pastor Costa relembra que Vasconcelos "colidiu fortemente com Madureira" e os desentendimentos com o pastor Manoel Ferreira foram tais que os dois "romperam as relações". Contudo, o bispo Manoel Ferreira em suas memórias observou: "Eu tenho certeza de que, se o Alcebíades estivesse vivo, talvez hoje nós estaríamos ainda na CGADB...".

José Wellington Bezerra da Costa

Problemas na CGADB - "Eu venho participando da Mesa Diretora já em outras gestões e conheço de perto os problemas existentes da nossa Convenção Geral. É verdade que assumi numa época de maior turbulência... Quero reafirmar que chego com o coração aberto, sem trazer comigo nenhum propósito contra ninguém...".

Realmente era um momento complexo. As disputas entre os Ministérios da Missão e de Madureira estavam em seu auge. A eleição da Mesa Diretora da CGADB em Salvador em 1987, foi um dos capítulos mais conturbados da história das ADs, refletindo as tensões de anos anteriores. Nos meses seguintes, as questões só se agravaram e Wellington teria que negociar com Manoel Ferreira soluções para os impasses.

O que não se previa naquele momento era a perpetuação do pastor de Belenzinho no poder. Até ali, sempre houve alternância na presidência da CGADB, mas José Wellington conseguiu a proeza inédita de permanecer por três décadas no comando da instituição. Já se passaram oito Copas do Mundo de Futebol, três papas, oito presidentes do Brasil e o cearense de São Luís do Curu não "largou o osso".

Unidade - Geremias perguntou ao presidente da CGADB se era possível caminhar para a unidade. Wellington, naquele momento, expressou crer poder contar com a amizade de pastores de todo o Brasil. "Eu tenho procurado ser amigo de todos esses pastores, movido por um sentimento de sinceridade. Agora, espero da parte deles total compreensão, porque eu não olho a igreja no Brasil separada".

A história é conhecida: o Ministério de Madureira foi suspenso da CGADB em 1989. Posteriormente, veio a saída das ADs em São Cristóvão, Santos e a criação de uma nova dissidência, a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB), a qual reúne outras igrejas históricas das ADs em Belém, Manaus e Macapá.

Por outro lado, a gestão José Wellington salvou a CPAD da falência. Seguindo em direção contrária as suas congêneres, a editora assembleiana avançou em qualidade, vendas e presença em todo território nacional e no exterior. Para muitos, as principais tensões tem como um dos motivos principais o controle da Casa Publicadora. Malafaia que o diga...

Política e igreja - Perguntado sobre a participação do crente na vida pública, Wellington foi direto: "A igreja e a política são como água e óleo: não se misturam". Na continuação, porém, destacou a legitimidade dos crentes como cidadãos participarem da vida pública do país e influenciá-la "sem, contudo, misturar a igreja como instituição e a política partidária".

Não é preciso ser especialista para saber que essa visão mudou drasticamente. O antigo pudor das lideranças assembleianas nas questões políticas seria abandonado em breve. Hoje, Belenzinho, Madureira, Abreu e Lima, Santos e muitos outros ministérios jogam seu peso institucional para eleger candidatos vinculados à igreja. No caso do Belenzinho os eleitos são filhos do pastor Costa.

Em sua primeira entrevista como presidente da Convenção Geral, o pastor José W. Bezerra da Costa aconselhou para que as ADs continuassem em "marcha vitoriosa para o céu" e que não se envolvesse com o mundo e o que nele há. "Sigamos, pois, em frente, com passos firmes e céleres, pois Jesus está perto de voltar" - exortou.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro, “Onde a luta se travar”: a expansão das Assembleias de Deus no Brasil urbano (1946-1980), (Tese de Doutorado em História) Assis-SP: UNESP, 2015.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

Mensageiro da Paz, julho de 1988, ano LVIII, nº 1219, CPAD:RJ.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Paulo Macalão - entrevista histórica

Em novembro de 1979, o Mensageiro da Paz publicou um encarte especial para comemorar os 50 anos da fundação do Ministério de Madureira. Além das informações de praxe sobre o início dos trabalhos do pastor Paulo Leivas Macalão nos subúrbios do Rio de Janeiro, o Mensageiro trouxe uma entrevista com o próprio Macalão.

Na entrevista, conduzida e gravada em fitas cassetes pelo jornalista e pastor Geremias Couto, o mítico líder de Madureira opinou "com seu jeito simples, porém objetivo e sem meias palavras" sobre vários assuntos. Entre os temas tratados na matéria, selecionou-se aqui pontos interessantes por sua atualidade e controvérsias. Como descreveu Couto, as palavras do pastor Paulo fluíam "lentamente, revolvendo os fatos" que estavam em sua memória. Sempre é bom revisitar os pensamentos do memorável líder.

Pastor Paulo Macalão (1903-1982)

Ministério Feminino - Ao comentar sobre o eficiente trabalho da Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas (CIBE), Macalão lembrou, que na Suécia existia um corpo de diaconisas que também realizava um grande trabalho social. "Somente no Brasil é que existe preconceito contra as diaconisas: 'Não pode; é pecado'".

É bom observar, que o Ministério de Madureira tem um histórico de forte participação feminina. Zélia, esposa do pastor Paulo, era muito atuante e durante 40 anos a irmã Estacília, uma migrante polonesa que começou a congregar em Madureira, desenvolveu um grande mistério de pregação e cura. Percebe-se que, nesse sentido, Macalão destoava da maioria do líderes das ADs. Por ele, as ADs teriam diaconisas sem problema algum.

Institutos Bíblicos - O líder de Madureira no passado foi contrário as escolas de teologia chamadas pejorativamente de "fábricas de pastores", mas acabou cedendo pela insistência de alguns dos seus obreiros. Mas fez uma ressalva: "Hoje acontece que as pessoas vão para os Institutos a fim de terem melhor cultura e o resultado é que ficam inchadas e perdem a graça de Deus" - comentou.

Simplesmente o pastor Paulo manifestava o receio que muitos líderes como ele tinham de obreiros não mais dependentes da unção divina e sim do seu próprio saber. Geralmente, esses novos líderes seriam os introdutores de "inovações" não muito bem-vindas na igreja. Contudo, em 1969, Madureira já havia fundado o Instituto Bíblico Ebenezer, o qual, em 1972, formou 78 alunos.

Doutrina - Couto aponta na entrevista uma conhecida característica conhecida de Macalão: a "ortodoxia doutrinária" (entendida como rigidez nos padrões morais e espirituais). O Ministério carioca sempre foi conhecido no passado por seu rigor na questão dos usos e costumes. O zelo do pioneiro em 1979 ainda estava presente no vestir e no comportamento dos membros de Madureira.

Sobre o assunto, Macalão foi direto: "A igreja deve continuar nos velhos princípios, conservando a sã doutrina. Nós temos que enfrentar o mundo. Senão, é melhor fecha-la". O pastor Geremias, velho conhecido do casal Paulo e Zélia, ainda tentou replicar: "Mas o mundo evolui, pastor Paulo?"

A resposta do líder assembleiano até hoje em conversas informais é relembrada por Couto: "Evolui como, para trás?". Na sequência veio a sentença memorável: "O mundo, portanto, 'evoluiu' para o pecado. A igreja deve evoluir para a santidade". É claro que a AD em Madureira não era a mesma das décadas de 1950 ou 60. Aliás, o Ministério sob a liderança de Macalão havia se transformado em muitas áreas. Contudo, o velho pastor ainda mantinha o conceito de que a igreja deveria se preservar do vale-tudo para alcançar ganhar almas e não deixar os ditames da Palavra de Deus.

Meios de Comunicação - Sobre a televisão, o pastor Paulo declarou ser a favor "para pregar o evangelho e não aos crentes". Para quem, no passado, foi contra o uso do rádio, a declaração era um avanço enorme. Ele, porém, deu o alerta: "Mas nós devemos evitar seu uso indiscriminado porque muitos dos seus programas seculares não trazem nenhum benefício".

Durante muitos anos ainda, a televisão seria alvo dos mais acirrados debates em nível nacional e local pelo Brasil. Entretanto, não tinha como se evitar o poder de penetração da TV nos lares e, assim como o rádio no passado, a sua utilização para o evangelismo.

Unidade - Ao término da conversa, Macalão (que ficou conhecido por abrir suas congregações em outros campos eclesiásticos) reflete sobre um tema importante na época e ainda atual: a unidade do movimento pentecostal. "Muitas vezes os irmãos estão com suas mentes discordantes uns dos outros. Mas Deus quer que eles se congracem".

Nesse período, o Ministério de Madureira já causava espanto por seu gigantismo e unidade. Na década seguinte, após o desaparecimento do mítico líder, seus sucessores fariam história com os pastores da Missão por disputas de cargos na CGADB. Na tranquilidade do seu gabinete, o pastor Paulo declarou: "Embora as igrejas estejam separadas no que tange à organização, espiritualmente, mentalmente, todas devem estar confraternizadas."

Hoje, 40 anos depois da entrevista, as palavras do pastor Paulo ainda continuam atuais e seus conselhos necessários.

A entrevista completa está disponível no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/1JFlud91VEmIxTtjkSC04h6g-JNf5tngG/view?usp=sharing

Fontes:

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

Mensageiro da Paz, novembro de 1979, ano XLIX, nº 1111 - Suplemento Especial - Cinquentenário da AD de Madureira.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

João Kolenda Lemos e as flores à beira do abismo

Entre os dias 18 a 23 de julho de 1967, a cidade do Rio de Janeiro recebeu a 8ª Conferência Mundial Pentecostal. O evento de grande repercussão internacional entre os evangélicos, mobilizou a liderança das ADs brasileiras e foi aguardada com grandes expectativas.

Para comportar tantos pentecostais do Brasil e do exterior, as celebrações de fé foram realizadas no ginásio do Maracanãzinho e o inesquecível encerramento no dia 23, no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, na época, o maior estádio de futebol do mundo com capacidade para mais de 155 mil pessoas.

Algumas comissões foram criadas para atender aos participantes de várias regiões do planeta: a Comissão de Intérpretes ficou aos cuidados do missionário norte-americano Bernhard Johnson, a Comissão de Som na liderança do pastor Nicodemos José Loureiro e a Comissão de Alimentação sob a responsabilidade do pastor João Kolenda Lemos.

Ao chegar ao Rio, o pastor Lemos percebeu no filho Mark de apenas 10 anos, no olhar do filho um brilho incomum ao passar próximo ao Maracanã. As imediações do estádio fervilhava de torcedores, bandeiras e cores, pois justamente naquela semana da Conferência Pentecostal, um jogo de grande importância seria disputado pela Taça Guanabara: Flamengo e Vasco.

 O Globo: jogo descrito como sensacional

Perspicaz, João Kolenda detectou no filho todo o desejo de estar naquele espetáculo futebolístico no maior templo do futebol mundial. Sugestivamente perguntou: "Você quer ver o jogo do Vasco e Flamengo?". Espantado e meio descrente com a proposta, Mark respondeu: "Pai, você é pastor, e se virem você lá vai ficar muito difícil...".

O menino estava correto. Um crente, naquela época, visto num estádio de futebol seria motivo suficiente para disciplina ou exclusão do rol de membros da igreja. Os mais radicais denominavam o futebol como o "chutar a cabeça ou o ovo do capeta". O esporte bretão em suma era a síntese do mundanismo duramente combatido pelos mais puritanos.

Um pastor pego em "flagrante delito" como aquele, seria para a maioria um grande escândalo. E João Kolenda Lemos não era um pastor anônimo ou desconhecido. O sobrinho do mítico JP Kolenda, juntamente com sua esposa Ruth Doris Lemos, fundaram o Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Brasil (IBAD), o primeiro do gênero no Brasil em 1958.

Lemos, porém, resolveu driblar a presença de diversos líderes pentecostais na Cidade Maravilhosa para levar o filho ao jogo. Disfarçado com um casacão, boina e óculos escuros, o professor do IBAD saiu com Mark da casa do missionário norte-americano Lourenço Olson, onde estava hospedado na Tijuca, para o grande clássico do futebol carioca.

No Maracanã, pai e filho testemunharam um jogo histórico. Descrito pelo jornal O Globo como "uma partida sensacional", o clube cruzmaltino superou o rubro-negro por 4x3. Entrevistado por um jornalista no fim do confronto, o folclórico técnico do Vasco, Gentil Cardoso, famoso pelas frases de efeito declarou: "Certos prazeres mundanos, são como as flores à beira do abismo e para colhê-las, muitas vezes, o sujeito paga com a vida".

A frase do técnico pernambucano se referia ao fato do Vasco sair perdendo por 2x0 e reverter o placar para 4x3, saindo do Maraca com uma retumbante vitória. Em outras palavras, o time de São Januário ficou momentaneamente "à beira do abismo", ou seja, perto da derrota; para com muito suor colher as flores da vitória.

Para João Kolenda, aquele dia também não foi diferente: "as flores" seriam colhidas "à beira do abismo". O desejo de alegrar o filho era maior do que o receio do conservadorismo eclesiástico da sua época. O menino Mark viu na postura do pai, a valorização da família acima dos ditames ministeriais. Antes de ser pastor ou professor do IBAD, Kolenda era o pai que ignorava riscos pelo filho. Uma lição interessante num meio em que muitas vezes a ordem das prioridades se invertem.

No dia seguinte, os Lemos voltaram ao Maracanã para uma programação muito diferente do dia anterior. Era o encerramento da 8ª Conferência Mundial Pentecostal. O grande templo do futebol tinha se transformado em santuário pentecostal de adoração.

Difícil era saber quais pensamentos passavam na mente do menino Mark enquanto ele estava no estádio com mais de 150 mil crentes: seria a vibração dos torcedores na hora dos gols ou os efusivos louvores do povo de Deus?

Para finalizar: a Taça Guanabara de 1967, disputada pelos times cariocas no tempo da bola de couro, teve naquela edição o Botafogo como campeão, para alguns (pelo sugestivo nome), o time mais pentecostal do Brasil. Seria mera coincidência?

Fontes:

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

O GLOBO - Edição Esportiva - Rio, segunda-feira, 24 de julho de 1967.

Baú do Esporte - https://www.youtube.com/watch?v=cqhIQz8TE6Q

Depoimento de Mark Jonathan Lemos aos membros do grupo de WhatsApp Memórias das Assembleias de Deus. Permissão concedida pelo mesmo para a edição e divulgação das lembranças familiares.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A Ceia do Senhor nas Assembleias de Deus - outras histórias

Na última postagem, destacou-se no blog sobre as mudanças do uso do cálice na ceia: da taça comum servida para os membros ao copo individual. Foi salientado também as controvérsias das alterações; para muitos uma inobservância do texto bíblico que diz "bebei dele todos".

Outras normas, com o tempo, em relação ao culto de ceia foram flexibilizadas. Além de se determinar que somente os membros (e na grande maioria das igrejas ainda segue essa orientação) deveriam participar da ceia, a entrada para o culto deveria ser controlada: somente os crentes com carteirinha validada anualmente pelo pastor comungavam na igreja.

O pastor João de Souza Filho lembra até uma situação inusitada: certo dia, Mary Taranger, esposa do líder da AD em Porto Alegre/RS, Nils Taranger, foi barrada na porta da igreja por não estar com sua carteira de membro. O caso só foi resolvido com a presença do próprio Nils para interceder pela missionária.

As questões de se restringir os cultos de ceia somente aos membros geraram certos debates entre os estudiosos e líderes. Para alguns, realizar as reuniões com as portas fechadas e limitar o acesso somente aos membros seria contraditório, pois o ato simbólico de comer e beber o corpo de Cristo em si mesmo era uma mensagem evangelística de enorme relevância. Havia determinados pastores que mandavam fechar as portas do templo na ceia e outros a exigir dos obreiros livre acesso ao templo.

Pastor Satyro celebrando a ceia: fonte O ASSEMBLEIANO abril/maio de1988

Outro ponto, que aos dias de hoje parece cômico, era o que fazer com as sobras do pão e do suco: dar para a garotada faminta em volta consumir ou levar para casa o excedente? Conta-se que, em determinada congregação em Joinville/SC, enterrava-se o resto para não se cometer sacrilégio com "o corpo e o sangue" de Cristo. Em outra pensava-se em queimar...

Aliás, todo esse impasse refletia o imaginário dos crentes sobre o memorial. Herdeira da Reforma Protestante, as ADs ensinavam ou ensinam que os elementos da ceia são simbólicos. Mas muitos crentes de origem católica ainda acreditavam na transubstanciação (crença na mudança da substância do pão e do vinho na substância do Corpo e sangue de Jesus Cristo no ato da consagração). Por isso, havia a cruel dúvida com as sobras da ceia.

Mas, para além das controvérsias sobre o uso do cálice, as mudanças também ocorreram em algumas igrejas no tradicional ato de partir o pão. Sempre em busca de uma maneira mais higiênica para a celebração da ceia, muitas congregações deixaram de lado o costumeiro ato de lavar as mãos antes de dividir o pão. Porém, o pastor Jesiel Padilha da AD em Santos/SP ligado ao Ministério do Belenzinho, por exemplo, ainda pratica a orientação bíblica que diz: "Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu...".

Em muitas igrejas, o cuidado com a higiene é exemplar. No Belenzinho, os diáconos usam luvas e recebem álcool para limpeza das mãos; em outras, uma equipe prepara os elementos da ceia com os cálices e fragmentos do pão (protegidos por filme plástico) em bandejas próprias. No Brás, os diáconos distribuem aos fiéis cestas contendo kits com o pão e vinho.

Para terminar, uma breve curiosidade: com a onda migratória de haitianos ao Brasil e a constante frequência dos mesmos nas igrejas, é comum que eles, vindos de outras congregações evangélicas, estranhem a falta do ritual de lava-pés na ceia. Em Joinville, os obreiros questionados pelos irmãos do Haiti se desdobram para explicar que a AD não é Congregação Cristã ou qualquer outra denominação que tem tal hábito.

Assim, ao analisar os rituais da ceia, percebe-se a diversidade das igrejas e ministérios assembleianos. Nota-se nesse processo, as várias interpretações teológicas e cerimoniais que se modificaram no tempo e no espaço. Uma pequena amostra do desafio que é estudar as ADs no Brasil.

* Com a colaboração de Clayton Guerreiro, Cléia Rocha, Eliseu Melfior, Emerson de Souza, Hermes Carvalho, Jessé Silva, Jessé Sadoc, Jesiel Padilha, Josias Santos, Geremias Couto, Onésimo Loureiro, Oséias Balsaretti, Jacó Rodrigues Santiago, João de Souza Filho, Vânio de Oliveira e outros amigos do grupo de WhataApp Memórias das Assembleias de Deus.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

MENSAGEIRO DA PAZ. 1º quinzena de novembro de 1935. Rio de Janeiro: CPAD.

NELSON, Samuel. Nels Nelson - O Apóstolo Pentecostal Brasileiro. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

SANTOS, Roberto José. (Org.). Assembleia de Deus em Abreu e Lima - 80 Anos: síntese histórica. Abreu e Lima: FLAMAR, 2008.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A Ceia do Senhor nas Assembleias de Deus - o uso do cálice

"Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. Tomando o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos" (Mateus 26:26,27).

Nos primórdios a celebração da Ceia do Senhor nas ADs era realizada com um ou mais obreiros partindo o pão e servindo o fruto da videira em cálices coletivos. Interpretava-se literalmente as palavras de Cristo na última ceia: "bebei dele todos". Assim, portanto, todos os participantes do ato litúrgico deveriam tomar do fruto da videira na mesma taça ou cálice.

Porém, em 1931, a AD em Belém do Pará acatou as orientações do dr. Amilcar Carvalho da Silva, médico e membro da igreja para a substituição do cálice comum por cálices individuais. O objetivo era evitar a transmissão de doenças contagiosas muito frequentes na cidade por aqueles dias. É provável, que de imediato a decisão tenha gerado muitas controvérsias, porque era descumprimento da ordem bíblica: "bebei dele todos"

Na CGADB de 1933, no Rio de Janeiro, o missionário Nils Kastberg aconselhou que a ceia deveria ser ministrada somente aos membros batizados por imersão e em plena comunhão com a igreja. Outra orientação foi que a ceia deveria ser oferecida somente nas congregações; salvo algum caso de impedimento por problemas de saúde ou de idade.

Ceia na AD em São Cristóvão/RJ - igreja com cálices individuais

Na CGADB de 1935, em João Pessoa/PB, as controvérsias sobre a instituição do cálice coletivo ou individual foram alvo de debates. Tentou-se estabelecer uma uniformidade na liturgia, mas após muito debates foi resolvido que cada igreja servisse a ceia da forma que achasse conveniente.

É possível que o debate tenha se originado pelo uso do cálice individual nas igrejas do norte do país. Seriam críticas a AD em Belém? É provável, mas anos depois outras igrejas seguiram o exemplo da Igreja-Mãe. Dessa forma, refletindo suas especifidades regionais e ministeriais, a instituição do cálice individual nas ADs brasileiras não foi uniforme no tempo e no espaço.

Na década de 1950, os Ministérios de Madureira/RJ, Belenzinho/SP e do Brás/SP conservavam o cálice coletivo. As ADs em São Cristóvão/RJ, Abreu e Lima/PE e Joinville/SC já usavam taças individuais. Aliás, a AD em Abreu e Lima por essa atitude foi acusada de quebrar a tradição sueca do cálice comum, por parte da AD em Recife, a qual pelo menos, até os anos 80 ainda seguiam a liturgia deixada pelos suecos.

No geral, Brasil afora, as igrejas foram rompendo com parte da antiga (e anti-higiênica) liturgia. Em Governador Valadares, o pai do historiador Jacó Santiago comprou cálices individuais para a congregação que dirigia por volta de 1962. Em Porto Alegre/RS e Criciúma/SC, o uso da taça comum foi abolido por volta da década de 1980. Nessa mesma época na AD do Belenzinho/SP, o pastor José Wellington Bezerra da Costa instituiu o cálice individual; não sem antes fazer com a igreja um cuidadoso estudo bíblico para justificar a mudança.

Mas antes do Belenzinho, as igrejas no interior do estado de São Paulo já usavam o cálice individual e até o fim da década de 1970, o copo coletivo entrou em desuso. O pastor Jesiel Padilha conta que em Corumbá/MS por volta de 1974, a ceia seguia o modelo das congregações paulistas.

Ao que tudo indica, o Ministério de Madureira foi mais resistente às mudanças na ceia. O uso do cálice individual no templo da Rua Carolina Machado só se deu nos anos 90. Na AD em Volta Redonda no sul fluminense, o uso do cálice coletivo ainda se manteve até meados da década de 1990 e no Ministério do Brás/SP até o ano de 2000.

Isso não quer dizer que o que aconteceu em Madureira, Brás ou Volta Redonda tenha sido padrão em todo Ministério. Assim como no Belenzinho, congregações filiadas podem ter se precipitado nas mudanças litúrgicas da ceia. Os assembleianos mais antigos sabem muito bem: certas transformações ou permanências dependem muito do líder da igreja. Para o bem ou mal...

* Com a colaboração de Clayton Guerreiro, Cléia Rocha, Hermes Carvalho, Jessé Silva, Jessé Sadoc, Jesiel Padilha, Josias Santos, Geremias Couto, Onésimo Loureiro, Oséias Balsaretti, Jacó Rodrigues Santiago, João de Souza Filho, Vânio de Oliveira e outros amigos do grupo de WhataApp Memórias das Assembleias de Deus.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

MENSAGEIRO DA PAZ. 1º quinzena de novembro de 1935. Rio de Janeiro: CPAD.

NELSON, Samuel. Nels Nelson - O Apóstolo Pentecostal Brasileiro. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

SANTOS, Roberto José. (Org.). Assembleia de Deus em Abreu e Lima - 80 Anos: síntese histórica. Abreu e Lima: FLAMAR, 2008.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Ministério de Perus em São Paulo - origem e expansão

No ano de 1989, o pastor Benjamim Felipe Rodrigues, então líder da Assembleia de Deus - Ministério de Perus, em São Paulo - ficou conhecido nacionalmente por estar no centro das discussões entre a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e a Convenção Nacional dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus em Madureira e Igrejas Filiadas (CNMEADMIF).

Na época, o pastor Benjamim foi descredenciado pela Mesa Diretora da CGADB, contudo, o Ministério de Madureira resolveu "hipotecar solidariedade" ao aliado, ignorando as determinações da Convenção Geral. Tudo isso dentro de um contexto controverso - como se verá em outra postagem- envolvendo a chamada "jurisdição eclesiástica" e a disputa de poder dentro da própria CGADB.

Localizado na região noroeste da cidade de São Paulo e isolado por um cinturão verde, o distrito de Perus teve na instalação da sua estrada de ferro em 1914, e da Fábrica da Companhia de Cimento Portland Perus em 1926, os principais suportes para o seu desenvolvimento. Em busca de trabalho e oportunidades, migrantes do interior do estado de São Paulo começaram a chegar.

Irmã Rosalina e pastor Benjamim antigos líderes da AD em Perus/SP

Foi justamente entre esses migrantes que a Assembleia de Deus iniciou seus trabalhos em 1947. Em seus primórdios, a congregação era filiada a AD de São Caetano do Sul. Em 1950, junto com a instalação de energia elétrica no bairro, chegou o então evangelista Benjamim Felipe Rodrigues à região para assumir a liderança do núcleo pentecostal.

Paulista de Santa Cruz da Conceição, Benjamim nasceu numa família pobre e desde cedo conheceu o árduo labor. Converteu-se ainda na juventude e posteriormente ingressou na carreira militar, chegando ao posto de Clarim de Ordem ao Comando. Ao deixar os quartéis em 1946, Rodrigues iniciou seu ministério de obreiro e com apenas 28 anos de idades foi enviado a Perus.

Em pouco tempo de trabalho, os frutos começaram a aparecer: em 15 de novembro de 1951, a AD em Perus realizou o batismo em águas de 18 novos convertidos; o primeiro na gestão do jovem evangelista. Em 1952, há o registro da implantação de duas congregações e seis pontos de pregação ao longo da Rodovia Anhanguera, que na época vivia em constantes obras de pavimentação e cercada de acampamentos de trabalhadores. Outras congregações também foram abertas ao longo da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí aumentando o campo de ação do Ministério.

É significativo que, em 1959, a AD em Perus recebeu sua autonomia jurídico-administrativa, possibilitando ao pastor Benjamim alargar ainda mais as fronteiras do Ministério. Em 1964 o campo eclesiástico de Perus contabilizava 31 congregações com mais de 2 mil membros em comunhão. Em paralelo ao trabalho evangelístico, foi criado, em 1956, o departamento de assistência social denominado "Comissão de Socorro".

Com seu estilo militar, senso de disciplina e hierarquia, Benjamim criou 14 regiões para serem supervisionadas por evangelistas da igreja. Ao findar a década de 1960, o Ministério de Perus já tinha se expandido pelas cidades vizinhas: Franco da Rocha, Francisco Morais, Barueri, Mauá, Mairiporã, Pirapora do Bom Jesus, entre outras.

Ao inaugurar o atual templo sede com capacidade para 2 mil pessoas sentadas em 1975, o Ministério contava com mais de 7 mil membros distribuídos entre 53 congregações e 21 salões de cultos em São Paulo (Capital e interior), Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. Portanto, já era um Ministério inter-regional e, como se constatou depois, sempre em expansão.

Em todo esse tempo, a AD em Perus manteve laços fraternos com o Ministério de Madureira. Era autônomo, mas estava filiado a CNMEADMIF e por sua vez a CGADB. Apesar de ser uma ramificação assembleiana expressiva, a liderança de Perus portava-se com discrição dentro da grandiosidade de Madureira.

A polêmica envolvendo Perus, Madureira e a CGADB, hoje se sabe, foi apenas uma desculpa para eliminar rivais incômodos e perpetuar um grupo no poder na Convenção Geral. Mas para ironia da história, Madureira, que em 1989 resolveu "hipotecar solidariedade" ao líder do Ministério de Perus, tempos depois não teve a recíproca esperada. O bispo Samuel Ferreira que o diga...

Fontes:

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de fevereiro de 1952, nº 4, ano XXII.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de abril de 1953, nº 8, ano XXIII.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de agosto de 1964, nº 16, ano 34.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de outubro de 1965, nº 20, ano 35.

Mensageiro da Paz, abril de 1967, nº 7, ano 37.

https://adperus.com.br/institucional/

http://www.spbairros.com.br/perus/

http://documentacao.camara.sp.gov.br/iah/fulltext/justificativa/JPDL0032-2000.pdf  - dados biográficos do pastor Benjamim Filipe Rodrigues.