quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Uma Assembleia de Deus na "sucursal do inferno"

No Rio de Janeiro entre as décadas de 1950/60 uma pequena "Veneza" foi revelada pela imprensa: a comunidade da Praia das Morenas ou Moreninha. Espremida numa faixa de cinco quilômetros, que margeavam a Avenida Rio Branco, as palafitas ficavam entre o Quartel do Marinheiros e a Fábrica Kelson’s, no bairro da Penha, na Zona Norte da cidade.

A favela surgiu em 1948, com a chegada de oito famílias de pescadores e poucos anos depois o local já contava com 500 famílias e mais 300 crianças vivendo em completo abandono. A miséria do local contrastava com a beleza da Baía da Guanabara e o luxo dos carros em trânsito aos locais de veraneio. Retrato perfeito de uma cidade, onde riqueza e pobreza sempre andam próximas. 

Assim, sem esgoto, água tratada, sem atenção das autoridades competentes e muito menos assistência médica a "Veneza Carioca" resistia sem "condições de vida compatíveis com a dignidade humana" — afirmou o extinto jornal Diário da Noite. A escritora Rachel de Queiroz, na revista A Cigarra, descreveu os casebres como "um pequeno e pungente mundo palafítico".


A precariedade da região levava os moradores dos barracos a constatar com certa ponta de ironia: "as crianças [na favela] sobrevivem por teimosia". Para os editores do Diário da Noite, "O mocambo é a sucursal do inferno. Ou o próprio inferno". 

Mas em meio a tanta desgraça revelada pelo Diário da Noite e pela A Cigarra, uma foto chamou a atenção: uma congregação da Assembleia de Deus, que na época era ligada a AD em São Cristóvão. Era um templo erguido na "sucursal do inferno", onde a miséria humana chocava até mesmo os mais experientes moradores do Rio.

Já se dizia, que onde tivesse uma máquina Singer ou uma lata de Coca-Cola estava a Assembleia de Deus. Parece que no caso da "Veneza Carioca" não havia nem Singer nem Coca-Cola, porém, a congregação da Assembleia de Deus estava firme e forte! Era o pentecostalismo levando dignidade, paz e amor aos perdidos desse mundo.

Fontes: 

 A revista com as fotos e o jornal usados para essa postagem estão disponíveis no:


A Cigarra ano 47 nº 4 - abril de 1961 - São Paulo

Diário da Noite, terça-feira, 30 de agosto de 1955, ano XXVII - Rio de Janeiro.