segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

IADJ - novos rumos ou extinção de uma igreja?

Durante quatro décadas, o Pastor Gilberto Malafaia foi líder da Igreja Evangélica Assembleia de Deus (IADJ), na região da Taquara, na época, um sub-bairro em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

No dia 15 de novembro de 1996, a IADJ inaugurou seu grande templo com amplo auditório para realização dos cultos e salas bem estruturadas para os departamentos de ensino. Uma obra, que durou mais de uma década para ser concluída. Esforço e ânimo dos líderes e membros não faltaram em todo o período da construção. 

Ainda na década de 1990, um dos filhos do Pastor Gilberto Malafaia, Silas, já era um pregador muito conhecido no Rio de Janeiro. Com seu estilo direto, questionador e não-legalista, o caçula dos Malafaia ascendeu no ministério através do sogro, o Pastor José Santos da AD na Penha, a mesma igreja onde Gilberto congregava antes de sair para fundar a IADJ. Na AD na Penha, Silas chegou ao posto de vice-presidente. 

Paralelamente, Malafaia ganhou visibilidade através do seu programa televisivo "Vitória em Cristo" onde, além de fazer propaganda dos produtos da sua editora "Central Gospel", também defendia temas caros aos evangélicos. Aborto, cura gay, liberdade de culto e legislações voltadas para as minorias, foram (e são ainda) assuntos dos seus programas. 

Silas Malafaia, Gilberto e Silas Filho

Com a morte do sogro em 2010, Silas assumiu a igreja, rompeu com a CGADB, segundo ele "a cachaça de pastor", e mudou a nomenclatura da AD na Penha para "Vitória em Cristo" em consonância com seu projeto de expansão de novas congregações pelo Brasil. 

No ano de 2014, o nonagenário Gilberto Malafaia, até então o primeiro e único líder da IADJ, entregou numa cerimônia emocionante, a direção da igreja para o seu neto Silas Malafaia Filho. Dois anos depois, Gilberto Malafaia morreria como o patriarca bíblico Jó: "velho e farto de dias". 

Seu corpo foi velado na igreja que fundou. Silas Malafaia, na sua conta oficial no Twitter homenageou seu pai com as seguintes palavras: “Acaba de falecer meu pai, Pr. Gilberto Malafaia. No domingo, ele completou 95 anos. Meu referencial, meu herói, homem de Deus. Deixa um grande legado”. 

Mesmo antes da transferência efetiva de comando da igreja, alguns membros perceberam a forte influência da ADVC nos rumos da igreja. Anos temáticos adotados na ADVC para as suas congregações eram implantados simultaneamente na Taquara, preletores que pregavam na Penha também cumpriam agenda em Jacarepaguá, o estilo de liturgia, principalmente os denominados "cultos da vitória", estavam semelhantes aos das igrejas de Silas pai. 

Prevendo a total absorção da IADJ pela ADVC, um reduzido número de membros bateu em retirada; poucos é verdade, mas já era um sinal de descontentamento. Até que pouco tempo depois, a IADJ foi incorporada pela Vitória em Cristo. Uma decisão tomada pela família Malafaia com apoio de alguns obreiros fiéis. 

Diante da nova situação, muitos membros deixaram de congregar na IADJ. Foram pra outras denominações e ministérios. Contudo, com as reformas feitas no templo e com o apelo midiático da ADVC, a recém filiada do ministério de Silas pai não perdeu público. 

Obviamente, que no caso IADJ há versões e olhares conflitantes. Para os Malafaia, a posse de Silas Filho foi a confirmação de profecias e visões. Certamente, o fim da autonomia também foi direção divina. Ficou tudo em família e ponto final. Para os que saíram ficou o sentimento de nostalgia e a saudade de uma igreja que, segundo eles, está "extinta". Daqueles dias gloriosos do Pastor Gilberto só ficou o prédio. 

Mas o que diria o fundador da IADJ? Concordaria com a perda da independência da igreja que liderou por décadas? Em sua biografia lançada pela Central Gospel, Gilberto Malafaia ao narrar a história da congregação declarou: "A minha expectativa, por exemplo, era formar uma igreja. Nada de ficar como congregação de Madureira ou da Penha". 

Esse era o desejo de Gilberto Gonçalves Malafaia ao fundar o trabalho da IADJ.

Fontes: 

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

COSTA, Jefferson Magno. Pastor Gilberto Malafaia - Homem de fé, visão e coragem. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2014.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Perfil do Bispo Daniel Malafaia

Por Pr. André Silva 

Daniel Fonseca Malafaia, nasceu em 28 de dezembro de 1950, teve a felicidade de nascer em um lar evangélico. Seus pais, pastor Carlos Malafaia e Marina Fonseca Malafaia, souberam o conduzir o filho a uma profunda comunhão e temor a Deus. 

O menino Daniel foi apresentado ao Senhor, pelo saudoso pastor Paulo Leivas Macalão, fundador do Ministério de Madureira. Desde cedo, envolveu-se com a igreja do Senhor Jesus Cristo, principalmente na área musical, fazendo parte, também, da diretoria da Mocidade da Assembleia de Deus em Campo Grande, Rio de Janeiro. 



Em 1974, transferiu-se para Brasília, DF, sendo muito abençoado por Deus em todas as áreas de sua vida. Foi professor da Escola Bíblica Dominical, Secretário, e, durante nove anos, líder da Mocidade. Na capital da República, casou-se com a jovem Jemina de Araújo Malafaia e, dessa união, nasceram-lhes quatro filhos: Alessandro, Daniel, Fábio e Samuel, todos envolvidos na obra do Senhor. 

Em Brasília, sua carreira ministerial sempre foi pautada de grandes vitórias, debaixo da unção do Espírito Santo. Em maio de 1986, foi consagrado ao Santo Ministério da Palavra, no cargo de pastor. Após oito anos dirigindo congregações do campo da Catedral das Assembleias de Deus em Brasília, foi convidado pelo então pastor Neuton Pereira Abreu, para ser o 1º vice-presidente do campo, função foi desempenhada por pouco tempo, apenas por dois anos. 

Chegou a ser um dos nomes cogitados para assumir presidência da Assembleia de Deus do Planalto Central, DF, vinculada a CGADB, mas Deus teve outros planos, pois em 29 de junho de 1993, foi indicado pelo Bispo Manoel Ferreira, presidente da CONAMAD, a assumir a presidência da Assembleia de Deus em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, substituindo seu pai que, durante 34 anos, presidiu aquele abençoado e próspero campo. Nesse processo, Daniel contou com total apoio do ministério local.

Daniel Fonseca Malafaia era graduado em Administração Pública e Privada, e em Ciências Contábeis, como também formado em teologia pela Faculdade Teológica Batista de Brasília. Também foi mais de trinta anos, funcionário do Banco Central do Brasil. 

Primo do pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, RJ, o Bispo Daniel Malafaia foi um exemplo notável de homem de Deus. Respeitado e influente doutrinador, tornou-se um ícone das Assembleias de Deus no Brasil. 

Na 39ª Assembleia Geral Ordinária da CONAMAD foi ordenado bispo, realizada de 22 a 25 de março de 2017, no Brás, em São Paulo. Membro da Junta Conciliadora e secretário da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Estado do Rio de Janeiro - Ministério de Madureira (CONEMAD-RJ) era também secretário da CONAMAD. 

O Bispo Daniel Malafaia faleceu em 12 de dezembro de 2020 devido a complicações causadas pelo corona vírus. Seu filho, o pastor Alessandro de Araújo Malafaia foi empossado como novo presidente da Assembleia de Deus em Campo Grande, RJ, no dia 13 de dezembro de 2020. 


FONTES: 

NOGUEIRA, Ivan Perdigão. Personalidades Evangélicas do Brasil, Volume II. RJ: Verbete Empresa Jornalística LTDA, 2001. 


Historiador e pesquisador da História do Ministério de Madureira. Autor do livro História da Assembleia de Deus em Bangu. Autor do Memorial das Assembleias de Deus do Ministério de Madureira. Colaborador com o material histórico da Bíblia do Centenário das Assembleias de Deus e livro histórico do Cinquentenário da CONEMAD-RJ, ambos lançados pela Editora Betel. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A AD em Jacarepaguá - síntese histórica

A Igreja Assembleia de Deus em Jacarepaguá - IADJ nasceu na década de 1970, no auge da Ditadura Militar e cresceu velozmente em plena reabertura política no Brasil. Sua consolidação veio nos tempos áureos de implantação do Plano Real e da estabilidade econômica. Entre tantos ministérios assembleianos, a IADJ era uma igreja referência na educação cristã.

Seu início ocorreu em 1973, quando o Pastor Gilberto Malafaia foi procurado por alguns crentes metodistas insatisfeitos com a igreja onde congregavam. A proposta original do grupo era começar, de imediato, um novo trabalho em Jacarepaguá, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Na época, Malafaia frequentava com a sua família a AD na Penha, Zona Norte da cidade. Experiente, orientou os metodistas descontentes a pedirem cartas de transferências e se integrarem na igreja do tradicional bairro carioca. A proposta de abertura de uma congregação somente seria acertada depois da aceitação dos metodistas na Penha. 

Vencida a primeira etapa, os agora ex-metodistas conversaram com o Pastor José Santos e pediram para abrir uma congregação em Jacarepaguá. O novo núcleo seria ligado a Penha e teria o Pastor Gilberto como seu líder. Com a autorização do Pastor Santos, foi alugada uma antiga oficina na Avenida dos Mananciais, onde se iniciaram os trabalhos IADJ que, segundo o comentário do Pastor Malafaia em sua biografia, "num instante encheu".

Vendo as possibilidades de crescimento, Malafaia logo tratou de procurar lotes para construir um templo próprio. Sem muito dinheiro em caixa e na base das campanhas para arrecadação de mais recursos, o terreno foi adquirido. O local não parecia ser lá muito promissor: era um brejo cheio de árvores, mosquitos e sapos, onde um pequeno caminho dava num buraco.

Templo da IADJ na década de 1970

Os bons contatos políticos do pastor Gilberto facilitaram as melhorias no local. Máquinas dragaram a água existente no local e os mutirões nos finais de semana prepararam o terreno para receber uma tenda para realização dos primeiros cultos. Do barracão, construíram um templo de madeira, e depois, uma pequena igreja.

Paralelamente, Jacarepaguá passava por transformações rápidas. A formação de grandes indústrias e o surgimento de enormes conjuntos residenciais com loteamentos legais e clandestinos fez a população crescer muito, fazendo da região uma cidade dentro de outra cidade.

Com o crescimento da congregação, o Pastor Gilberto decidiu, então, lançar os fundamentos de um templo muito maior. Isso somente foi possível com o senso de oportunidade do líder, que comprou terrenos próximos visando à futura ampliação da igreja. Há um detalhe: logo Malafaia conseguiu autonomia e quando a pedra fundamental da nova construção foi lançada em 1982, a IADJ possuía 300 membros, fora os congregados e as igrejas já emancipadas.

No dia 15 de novembro de 1996, finalmente o novo templo foi inaugurado. Com instalações modernas divididas em mais de 20 salas para Educação Cristã, Escola Dominical e funcionamento do Seminário Teológico Shalom, a obra era mais um sonho realizado na vida ministerial do veterano pastor.

Gilberto Malafaia, a essa altura, já contava com 75 anos de idade. Cedo ou tarde, a sucessão do líder da IADJ chegaria. Em 2014, Silas Malafaia Filho recebeu do avô a presidência da igreja e, para surpresa de uns, alegria de outros e descontentamento de muitos, mudou radicalmente a essência da congregação.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

COSTA, Jefferson Magno. Pastor Gilberto Malafaia - Homem de fé, visão e coragem. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2014.

Mensageiro da Paz, setembro de 1982.