sexta-feira, 30 de março de 2018

Perfil - Pastor Pedro de Souza Neves

* Por André Silva

Este homem humilde e de total consagração ao Senhor, de carreira brilhante nas Forças Armadas, nasceu a 17 de setembro de 1910, em Itabaiana (PB), filho do casal Horácio de Souza Neves e Maria Cidônia de Souza Neves. Em Pernambuco, estudou e cursou o primário. Sua vinda para o Rio de Janeiro foi marcada por lutas para sobreviver aos trancos da cidade grande, trabalhando em diversas profissões como: mata-mosquitos, caixeiro de armazém e condutor de bonde, até que ingressou no Exército Brasileiro em 1934, concluindo assim os seus estudos.

Ainda no ano de 1934, foi de grande benção para sua vida, quando ainda jovem, se entregava para Jesus Cristo na Assembleia de Deus em São Cristóvão (RJ). No dia 12 de janeiro de 1935, recebia o batismo no Espírito Santo, e quinze dias depois, o batismo nas águas. Em 1952, o simpático auxiliar de trabalho Pedro Neves era consagrado a diácono e aí iniciou-se sua brilhante carreira eclesiástica, ascendendo ao pastorado em 1º de maio de 1962, paralelamente a sua vocação eclesiástica, abençoadamente também progrediu em sua carreira militar, aprimorando os seus estudos, alcançou o posto de major. Transferiu-se para a Assembleia de Deus do Ministério de Madureira, em 1º de maio de 1964. Graças a sua humildade e total consagração a Deus, logo viria a ser muito estimado por toda a igreja.

Em sua brilhante carreira, o pastor Neves também se destacava como um valoroso e dedicado Servo de Deus. Prosseguiu no aprimoramento dos seus estudos para tronar-se um obreiro de uma qualificação admirável e por conseguinte, bastante solicitado para o cumprimento de várias missões, com um brilhante desempenho que marcou a força exuberante de uma autêntica vocação, graduando-se em Bacharel de Teologia pelo Seminário Livre. 

Por quase trinta anos, serviu ao Senhor com toda a sua família, na Assembleia de Deus em Nilópolis (RJ), desde dos tempos em que aquela igreja despontava ainda, como uma congregação de Marechal Hermes (RJ). Com um grande entusiasmo e a prontidão de um obreiro dedicado e fiel, serviu como professor e superintendente da Escola Bíblica Dominical, 1º Secretario da igreja e depois, foi eleito 1º vice-presidente do pastor Franklin Luiz Furtado, quando aquela igreja foi emancipada.

Atendendo a designação da Convenção do Ministério de Madureira, assumiu a presidência da Assembleia de Deus no Éden (RJ), por ocasião da sua emancipação. Ao mesmo tempo também presidiu as igrejas de Petrópolis e depois Engenheiro Pedreira de 07/11/1971 a 10/07/1973.

Em 08/03/1972 devido uma decisão, o próprio pastor Paulo Leivas Macalão veio assumir a presidência da Assembleia de Deus em Bangu, elegeu como seu procurador o pastor Pedro de Souza Neves, que prontamente atendeu a sua ordem. Depois em 09/06 do mesmo ano, o pastor Paulo Macalão resolveu assumir a presidência da Assembleia de Deus em Bangu e elegeu o pastor Pedro de Souza Neves como seu vice-presidente.

Pastor Pedro de Souza Neves com candidatos ao batismo em águas

Em 12 de janeiro de 1973, por determinação do pastor Paulo Leivas Macalão, o pastor Pedro de Souza Neves tomou posse como pastor presidente efetivo da Assembleia de Deus em Bangu. No ministério do pastor Pedro de Souza Neves, a ele foi dado o dom de ensinar, o qual edificava fortemente os irmãos com mensagens inspiradoras. Esta realidade existia em todas as reuniões; nas de oração, como nas de culto de ensinamento bíblico, despertando os corações, estimulando as consciências, conduzindo as almas ao nível desejado. 

A prioridade de seu pastorado foi focada na admissão de novos crentes para o corpo de Cristo, alcançando-os pelo novo nascimento, obra de Deus por meio do seu Espírito Santo e da Sua Palavra; recebendo em púlpito o batismo, que é outorgado pelos ministros em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E pouco a pouco foram sendo separados os demais crentes para o corpo ministerial: - Pastores – homens experimentados e piedosos, aos quais é conferido o rebanho; Evangelistas – aqueles que exercem a sabedoria para a salvação dos perdidos; Presbíteros – auxiliadores imediatos do Pastor; Diáconos – servos comissionados no auxílio das mesas e a administração material do templo e de suas dependências.

A igreja já era uma realidade presente nas principais regiões e localidades de Bangu e adjacências, despertando assim a necessidade da construção de um novo templo para o louvor de Deus. E como resultado do progresso da obra, o povo de Deus sentiu a necessidade de se congregar em um novo templo.

O pastor Pedro Neves, sabendo que o terreno nos fundos do antigo templo estava à venda, subiu a galeria da igreja antiga, de onde se podia ver o aludido terreno, colocando as mãos sobre a cabeça no seu modo peculiar de expressar e bradou em alta voz: “Glória a Deus. Já estou vendo o novo Templo!” Nascia então o grande entusiasmo pela nova e grande etapa da Assembleia de Deus em Bangu. Após a rápida compra do terreno, em 18 de fevereiro de 1974 iniciou-se a construção do majestoso templo da igreja de Bangu, situada a Avenida de Santa Cruz, nº 1.347 (atual 3.411).

O Senhor Deus quis, porém, recolher o tão estimado pastor Pedro de Souza Neves para a sua glória, e este não pôde ver o templo totalmente construído, passando para a eternidade no dia 03 de abril de 1975, às 23:00, foi vítima de um acidente automobilístico em Padre Miguel, quando regressava da residência de sua filha em Nilópolis. Com ele, em seu automóvel, viajavam também sua nora Dayse e o neto Fábio que sofreram apenas ferimentos leves. 

Era casado com Nair Chagas Neves, e tinha seis filhos e doze netos. Como possuidor do grau de Bacharel em Teologia, foi vice-diretor do Instituto Bíblico Ebenézer; membro do Conselho de Educação e Ensino da CPAD (Casas Publicadoras das Assembleias de Deus); 2º Secretário da CGADB; membro da Secretaria de Missões do Ministério de Madureira; professor de teologia do Instituto Bíblico Pentecostal; chefe da comissão de hospedagem e alimentação da 8ª Conferência Mundial Pentecostal que aconteceu no Maracanã de 18 a 23 de Julho de 1967. Foi portador de vários títulos, dentre eles o de Cidadão Carioca.

* ANDRÉ SILVA foi ministro do Evangelho pela CONAMAD. Historiador e pesquisador da História do Ministério de Madureira. Autor do livro História da Assembleia de Deus em Bangu. Colaborador com o material histórico da Bíblia do Centenário das Assembleias de Deus e livro histórico do Cinquentenário da CONEMAD-RJ, ambos lançados pela Editora Betel.

sábado, 17 de março de 2018

Os 25 anos de Ronaldo Rodrigues de Souza na CPAD

Comemorou-se nesse mês de março de 2018, nas dependências da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), no Rio de Janeiro, os 78 anos de criação da Editora, e os 25 anos de liderança do seu Diretor Executivo, Ronaldo Rodrigues de Souza.

Ronaldo, dentro da história da CPAD, é o seu 11º Diretor Executivo e com 25 anos de Casa, o publisher é também o mais longevo no cargo. Uma função, que por lidar diretamente relacionada com à liderança nacional das ADs, sempre foi mais do que complexa.



Não é de hoje, que o jogo de interesses e à política convencional, mais que interferem na administração da CPAD. O saudoso pastor Armando Chaves Cohen, 6º administrador da Editora comentou em suas memórias: "nada fiz, não só por de minha própria deficiência, como pelas circunstâncias". Cohen, ainda ao referir-se às "circunstâncias" que a CPAD atravessava, declarou: "a eternidade revelará melhor".

Por isso, a CPAD, verdadeira "caixa preta" das ADs no Brasil, tem em seu atual gestor um símbolo das necessárias transformações que a Editora precisava para não falir completamente. Ao assumir em março de 1993, aos 33 anos de idade e recém casado com Carla Ribas, Rodrigues tinha um desafio tão grande quanto à história da empresa: torna-lá eficiente e lucrativa.

A escolha do publisher foi uma surpresa para muitos, uma verdadeira "carta na manga" sacada pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa. Mas, o atual gestor da CPAD não era um desconhecido do pastor Costa, pois Ronaldo era membro da AD no Belenzinho e participava das atividades da igreja. Outro fator importante para sua escolha, foi a sólida formação administrativa e a experiência adquirida na Editora Vida onde trabalhou de 1989 à 1993.

Gradualmente, o paulista de Marília mostrou a que veio. Desenvolveu planos de reestruturação interna, modernização tecnológica e estratégias comerciais. Centralizou para si o poder ao substituir as antigas diretorias por gerências. Muito mais que somente troca de nomenclaturas, a ação possibilitou o controle de fato da Editora.

Nesses 25 anos, investiu-se pesadamente na área comercial, com maior enfoque em produtos teológicos. As revistas Lições Bíblicas receberam especial atenção para alavancar produtividade e lucros. Em compensação, o Mensageiro da Paz e todo jornalismo da Editora tornou-se "chapa branca".

Outras mudanças e substituições provocaram descontentamentos em muitos antigos aliados do pastor Wellington. Atrás do sorriso e simpatia do editor, está um administrador profissional, frio e consciente do seu papel político e dos interesses que representa no jogo político convencional.

Assim, o trabalho em prol da hegemonia da liderança do Belenzinho e seus apoiadores ficou e permanece evidente. Hoje, a CPAD é forte braço político do establishment da CGADB. Não é por acaso, que a longa permanência da cúpula da Convenção Geral coincide com a longevidade de Ronaldo no cargo de Diretor Executivo.

Em suma: a ausência de pluralidade de ideias e certas exclusões, foi o preço para a CPAD se tornar uma megaempresa. Sabe-se, que por trás de muitas desavenças convencionais, está o desejo de controlar a lucrativa empresa. Em compensação, a Editora livrou-se da falência e do destino de algumas outras editoras confessionais. 

Ronaldo Rodrigues entrou na CPAD para mudar e fazer história. Admirado, temido, respeitado, o menino de Marília hoje é o "homem do Belenzinho" na maior editora evangélica da América latina. Que poder!

Fontes:

ALENCAR, Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011, Rio de Janeiro: Ed. Novos Diálogos, 2013.

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

COHEN, Armando Chaves. Minha vida: autobiografia de Armando Chaves Cohen. S/l, S/e: 1985.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

domingo, 11 de março de 2018

A Circular da AD catarinense - combate aos "modernismos"

O jornalista Silas Daniel em seu livro História da CGADB, destaca a Convenção Nacional realizada em novembro de 1968, em Fortaleza (CE), como palco de um debate marcante: "os reflexos da Revolução Sexual" dentro das ADs. Debateu-se naquele ano sobre o perigo das minissaias e dos cabeludos, que estavam "tentando invadir as igrejas".

No mesmo ano, mas em janeiro, à Convenção de Pastores de Santa Catarina publicou uma Circular (norma que padroniza comportamentos e regras em determinada instituição) antecipando o debate sobre as medidas contra à abertura ou tolerância da denominação sobre os usos e costumes.

Talvez não seja mera coincidência, que o debate em Fortaleza acerca da Revolução Sexual, foi aberto pelo pastor Satyro Loureiro de Santa Catarina. Satyro era conhecido pelo seu rigor em seguir as determinações do Ministério local. Anos depois, ele mesmo viu-se refém e questionador das normas que ajudou a padronizar.

A Circular do Ministério da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Santa Catarina é um importante documento para se captar o "espírito da época" (o Zeitgeist como definem os alemães). As normas descritas na carta foram aplicadas por mais de três décadas nas igrejas catarinas e permite muitas análises.

É possível perceber o que caiu por terra e o que ainda permanece a muito custo. Em 1968, as ADs em geral, ainda conservavam o "ethos sueco-nordestino". Somente na década de 1980, a igreja avança em direção ao seu "aggiornamento" tão bem descrito pelo historiador Moab Carvalho em sua tese de doutorado.

O documento raro foi uma gentil colaboração do amigo Emerson Lima da cidade de Taió, interior de Santa Catarina. O jovem Lima é obreiro, líder de jovens e amante da história das ADs no Brasil. Muito obrigado irmão!



Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011. Novos Diálogos: Rio de Janeiro, 2013.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

COSTA, Moab César Carvalho Costa. O Aggiornamento do Pentecostalismo Brasileiro: as Assembleias de Deus e o processo de acomodação à sociedade de consumidores. São Paulo: Recriar, 2019

sábado, 10 de março de 2018

AD São Cristóvão - o retorno

Organizada por Gunnar Vingren em 1925, no antigo Distrito Federal, a Assembleia de Deus em São Cristóvão (RJ) foi pioneira e referência por muitos anos no movimento pentecostal brasileiro. Mas, no início do século XXI, a igreja passou por uma série de mudanças doutrinárias e litúrgicas, principalmente com implantação do G12; polêmico método de crescimento e evangelização neopentecostal.

Antigo templo da ADSC: agora congregação da CADB

O projeto de uma "nova dimensão espiritual" para a tradicional AD carioca, não foi aceito sem resistências. Como resultado da imposição do novo modelo de trabalho eclesiástico, em 2002, boa parte dos membros de São Cristóvão abandonou a congregação para formar a AD do Rio de Janeiro, no bairro de Benfica.

Porém, alguns anos antes, na década de 1990, a AD pioneira no Rio, construiu um novo salão de cultos muito próximo ao tradicional endereço no Campo de São Cristóvão, 338. A estrutura do histórico templo seria então utilizado como centro de convenções e área administrativa.

AD do RJ em Benfica fundada em 2002

Mas, a tradicional AD em São Cristóvão, cujo nome foi modificado para Missão Apostólica da Fé (ADMAF) entrou em declínio com todas as transformações impostas, de cima para baixo, aos membros. Tentou-se alugar o antigo templo no Campo de São Cristóvão, 338 ou vendê-lo. Enquanto isso, o espaço de grande valor afetivo para muitos crentes estava fechado.

A criação da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB) no final de 2017, deu alento ao local de tantas memórias. A CADB comprou o prédio, e após uma bela reforma, instalou no célebre endereço sua sede no Rio de Janeiro. Recentemente, foram reiniciados os cultos no antigo templo para a alegria de muitos crentes.

ADMAF - liderada por Jessé Maurício

Sob à liderança do pastor André Câmara e de muitos outros obreiros, músicos (inclusive Jessé Sadoc filho do saudoso pastor Francisco Pereira do Nascimento, que liderou à igreja na década de 1960) e crentes da velha e nova guarda, São Cristóvão volta ao cenário das ADs no Brasil.

Interessante agora é pensar: qual é a legítima AD fundada por Gunnar Vingren? Seria a AD em Benfica, que foi aberta por vários membros dissidentes da igreja liderada na época pelo pastor Túlio Barros Ferreira? Ou a ADMAF do apóstolo Jessé Maurício, líder da continuação institucional da antiga congregação carioca? Ou ainda a congregação reaberta no Campo de São Cristóvão, 338?

Curioso, é que as três igrejas estão instaladas na mesma região. A ADMAF e a AD em São Cristóvão liderada por André Câmara ficam a poucos metros uma da outra e estão ligadas à CADB. A AD em Benfica, na Rua São Luiz Gonzaga, 1743, localiza-se no bairro vizinho e está ligada à CGADB.

Com tanta história, é provável que o espírito da AD pioneira no Rio esteja distribuído nas três igrejas. Porém, o pastor André Câmara já convidou um grupo de antigos crentes da AD em São Cristóvão, que reúne-se periodicamente, para realizar o próximo evento no templo do número 338. Câmara está saindo na frente na questão das memórias históricas, e em consequência no afeto.

Interessante é o sentimento histórico: ele está nas construções humanas na forma de templos, líderes, instituições, liturgias e memórias. Com certeza, a igreja do Campo de São Cristóvão é o que mais inspira...

Fontes:

http://mariosergiohistoria.blogspot.com.br/2010/12/assembleia-de-deus-de-sao-cristovao-rj.html

http://mariosergiohistoria.blogspot.com.br/2013/08/era-uma-vez-uma-assembleia-de-deus.html 

http://www.iadrj.com/index.php

http://portalcadb.com/

sábado, 3 de março de 2018

O caso Jimmy Swaggart - 30 anos depois

Há 30 anos, os cristãos evangélicos de todo o mundo, foram surpreendidos com o escândalo provocado pela confissão do pecado de Jimmy Swaggart. Para os brasileiros, o caso Swaggart foi um verdadeiro "balde de água fria" no entusiasmado público que o televangelista conquistou no país.

Calcula-se, que na época dos tristes acontecimentos, o programa de Swaggart alcançava 132 estações de TV nos EUA e mais de 145 países no mundo todo. No Brasil, o programa era transmitido semanalmente pela Rede Bandeirantes de Televisão e possuía uma grande audiência entre os crentes.

Durante o tempo em que foi retransmitido no país, certa vez, o programa teve a proeza de mudar de horário a programação da escola dominical de uma determinada igreja. O pastor da congregação assim o fez, porque o horário da escola coincidia com as pregações matinais do televangelista na TV.

Swaggart em seus dias de glória

Assim, ao visitar o Brasil em outubro de 1987, Swaggart estava no auge de sua glória. Suas pregações e belos hinos inspiravam os crentes. Na Cruzada realizada no Maracanã, cerca de 130 mil pessoas ouviram o norte-americano bradar contra a "lassidão moral do mundo" e compara-lá ao "mais repugnante tipo de lepra". Afirmou ainda ser a AIDS "consequência direta do pecado".

Toda a cúpula da CGADB e das convenções regionais estavam presentes no púlpito montado no Maracanã. Na ocasião, Swaggart recebeu o título de membro honorário da CGADB, na época presidida pelo pastor Alcebiades Pereira Vasconcelos.

Meses após transformar o Maracanã em Igreja - conforme a manchete do Mensageiro da Paz - o império de Swaggart desmoronou. Ainda em outubro de 1987, alguns dias depois da sua grandiosa Cruzada no Brasil, o televangelista foi flagrado com uma prostituta num motel na cidade de Nova Orleans, nos EUA.

Durante alguns dias, Swaggart foi pressionado para confessar o seu erro, até que em fevereiro de 1988, veio à confissão pública que abalou seus seguidores e contribuintes. Começava nesse momento o declínio do Ministério: demissão de 500 empregados, perda de audiência e de espaço nas maiores redes de televisões dos EUA, e a queda vertiginosa das contribuições. A CGADB por sua vez, cassou o título de membro honorário concedido no Maracanã.

Mas, o encontro (soube-se depois que foram vários) com a meretriz era tão somente a ponta do iceberg. Por questões financeiras e políticas, os mais famosos televangelistas norte-americanos estavam em uma guerra mortal, onde um desejava o espólio do outro. Nesse processo, Swaggart foi algoz e vítima.

No Brasil, o caso Jimmy Swaggart também teve enormes repercussões. Uma delas foi o enfraquecimento dos defensores de uma maior abertura da denominação. As ADs ainda estavam na gênese do seu "aggiornamento", e ao mostrar irmãs assembleianas de cabelos curtos, maquiadas e totalmente fora dos padrões de santidade, Swaggart indiretamente, levava muitos a questionar os modelos ainda exigidos pela liderança.

Jimmy Swaggart até tentou ao longo do tempo recuperar o prestígio, mas sem sucesso. Contudo, o televangelista marcou seu tempo e à memória de muitos crentes. Por ele, em pecado ou não, muitos tomaram conhecimento da mensagem do evangelho.

Fontes:

Mensageiro da Paz, novembro de 1987, CPAD: Rio de Janeiro.

CARVALHO, Moab César. O Aggiornamento do Pentecostalismo: as Assembleias de Deus no Brasil e na cidade de Imperatriz-MA (1980-2010). 

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2013/09/tele-evangelista-jimmy-swaggart-planeja.html