quinta-feira, 29 de junho de 2017

Flagrantes da cerimônia de diplomação dos novos bispos em Madureira

A Assembleia de Deus - Ministério de Madureira mais uma vez faz história. Na noite de do dia 27 de junho de 2017, em Brasília na Catedral Baleia foram diplomados os novos bispos da igreja. Além do reverendo Manoel Ferreira, Madureira tem agora como bispos os pastores Samuel e Abner Ferreira, Oídes José do Carmo, Abigail Carlos de Almeida e Daniel Fonseca Malafaia. Como toda novidade, a iniciativa é elogiada por uns e criticada por outros. Exotismo ministerial? Legitimação de ministérios? Nas redes sociais o espanto é enorme. Vai render muito ainda...



O beija-mão é uma tradição de reverência a personalidades eminentes, praticada em várias culturas desde tempos remotos. Na cultura lusófona suas origens são medievais, sendo um costume da monarquia portuguesa em Portugal depois herdado pela corte imperial brasileira. O beija-mão era uma cerimônia pública em que o monarca se colocava em contato direto com o vassalo, o qual, depois da devida reverência, podia aproveitar a ocasião para solicitar alguma mercê. A cerimônia tinha grande significado simbólico, lembrando o papel paternal e protetor do rei, invocava o respeito pela monarquia e a submissão dos súditos. (Fonte: Wikipédia)



sexta-feira, 16 de junho de 2017

AD em Cordovil (RJ) - controvérsias e divisão em sua autonomia

No ano de 1959, o pastor Alcebiades Pereira Vasconcelos em sua administração a frente da AD do campo de São Cristóvão, emancipou suas principais filiais no Rio de Janeiro. Receberam autonomia as congregações do Leblon, Lapa, Rio Comprido, Vila Isabel, Tijuca, Todos os Santos, Bonsucesso, Caetés, Olaria, Ilha do Governador, Penha e Cordovil.

"Tudo decorreu num ambiente da maior cordialidade, espiritualidade e compreensão" – informou o pastor Antônio Gilberto ao Mensageiro da Paz. Vasconcelos, porém, narra em sua biografia as razões concretas das emancipações: a instabilidade reinante entre o ministério da AD em São Cristóvão. Os dirigentes das congregações não prestavam contas e as cisões seriam inevitáveis. Para contornar a situação, organizou-se autonomias controladas no Rio.

Contudo, mais um fato iria contradizer às palavras de Gilberto. Durante o processo de emancipações, o líder da AD carioca não conseguiu conter uma grande divisão. No site da igreja em Cordovil há informações, que o então dirigente da congregação, presbítero Alexandre Ferreira "desejoso de ser independente" pediu sua autonomia. Mas a igreja sede não considerou "viável e entendendo que o momento não era oportuno, negou a pretensão" do obreiro.

Manifesto publicado no Diário de Notícias (RJ)

Negado o pedido veio o rompimento com São Cristóvão. Ferreira abriu outra congregação levando oitenta por cento dos membros consigo e fundou a AD Parada de Lucas. Só permaneceram ligados à matriz a maioria dos crentes dos pontos de pregação de Cordovil.

Outra fonte para se entender melhor o caso, é o manisfesto da congregação de Cordovil publicado no Diário de Notícias (RJ), no dia 24 de fevereiro de 1959. No documento, consta que o desejo de emancipação dirigido à sede foi feito no dia 25 de janeiro. Em reposta ao pedido de autonomia, Alcebiades aconselhou os membros a esperar "por mais algum tempo", pois seriam atendidos. Mas havia uma exigência dos crentes: a permanência de Ferreira na liderança da igreja.

Segundo o manifesto, o então pastor da AD em São Cristóvão prometeu no púlpito, perante toda a congregação a permanência do antigo dirigente. Mas Vasconcelos descumpriu a promessa e enviou outro obreiro para assumir à igreja. Com a visível discordância dos membros em aceitar à imposição do novo líder, houve ameaças de fechamento da igreja.

Pressionados, os membros apelam publicamente pelo jornal, apoio e intervenção de outras congregações para que a autonomia fosse concedida e que o presbítero Alexandre permanecesse na liderança. Afirmam ainda, não se tratar de um movimento rebelde ou indisciplinar, mas de "uma justa aspiração".

A publicação no Diário da Noite é bem anterior a Assembleia Geral Extraordinária em São Cristóvão realizada em 05 de maio de 1959, onde se decidiu pelas emancipações. Percebendo que a solicitação não seria atendida, obreiros e muitos crentes oficializaram a cisão nesse meio tempo.

Pode-se refletir sobre as causas das divergências. Alcebiades conta, que alguns presbíteros agiam com total independência. Pode ter sido o caso de Alexandre Ferreira. As autonomias seriam controladas e talvez o pastor-presidente sentisse que estava perdendo o controle da próspera congregação. Pode ter ocorrido mais algum fato que está submerso nas narrativas, o que não é incomum nas histórias assembleianas. Somente os crentes mais antigos sabem de todos os detalhes.

O certo, é que o clima de instabilidade era enorme nas ADs cariocas ligadas à Missão. Paralelamente, Macalão amarrava suas congregações com o famoso estatuto padrão. São Cristóvão com uma política de fragmentação, Madureira seguindo caminho contrário. Diferenças marcantes e estratégicas nos dois ramos assembleianos.

Fontes:

VASCONCELOS, Alcebíades Pereira; LIMA, Hadna-Asny Vasconcelos. Alcebíades Pereira Vasconcelos: estadista e embaixador da obra pentecostal no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

Mensageiro da Paz, 1ª quinzena de novembro de 1959.

http://www.admc.com.br/2014/nossa_historia.html

http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/ - Diário de Notícias, 24 de fevereiro de 1959, p.8.

sábado, 10 de junho de 2017

Assembleias de Deus – televisão e o reality culto

Implantada no Brasil em 1950, por obra do polêmico empresário e jornalista Assis Chateaubriand, a televisão foi anunciada como "o mais subversivo de todos os veículos de comunicação do século" – detalhou o escritor Fernando Morais, biógrafo do antigo dono dos Diários Associados.

Assim como o rádio, a televisão sofreu rejeição por muito tempo dentro das ADs no Brasil. No Dicionário do Movimento Pentecostal, há o registro sobre os primeiros debates sobre à nova mídia na CGADB de 1957. É possível que muitas das argumentações para o uso da TV na evangelização, assim como no caso do rádio e dos institutos bíblicos, estivessem a cargo dos missionários norte-americanos.

A entrevista do missionário Nels Lawrence Olson, na revista A Seara (edição maio/junho de 1957), meses antes da Convenção Geral realizada em Belo Horizonte é indicativo disso. "Devemos estar com as vistas voltadas para a televisão que rapidamente vem substituindo o rádio como meio de difusão"  – declarou o pioneiro dos programas radiofônicos nas ADs.

Silas: Imagem e espetáculo na TV

Mas, não era essa a visão da maioria dos líderes. Durante décadas a TV foi denunciada, rejeitada e condenada como instrumento do mal. O Mensageiro da Paz publicava na década de 1960, uma paródia do Salmo 23. Era o Canal 23, com a seguinte mensagem: "O Televisor é meu pastor meu crescimento espiritual faltará". O pastor Francisco de Assis Gomes criou até o termo "televisiolatria" para alertar sobre os (des) encantos do aparelho e suas programações.

Gradualmente, porém, as ADs absorveram a tão criticada mídia. Não de maneira uniforme é claro. Silas Malafaia, em 1981, no Rio de Janeiro iniciava o programa "Renascer". Em 1982, a AD em Belém (PA) transmitia o "Boas Novas no Lar". Contudo, a resistência à TV ainda era severa nas igrejas. Disciplinas e exclusões eram rotineiras por causa dela. E assim permaneceu durante muito tempo.

Mas a inserção dos assembleianos na TV gerou paralelamente adaptações, principalmente à linguagem televisiva. Segundo Ciro Marcondes Filho, o "espetáculo é a linguagem da televisão
– a única lógica possível à TV". Seguindo esse raciocínio, nomes de programas como o "Show da Fé", "Vitória em Cristo" ou "Impacto" são utilizados estrategicamente para dar sentido de grandiosidade as programações.

Dentro da mesma lógica, a estética também começou a ser importante para os televangelistas. Afinal, beleza e boa aparência é (quase) tudo na TV. Silas Malafaia é um exemplo claro: tirou o bigode e fez implante capilar para rejuvenescimento da imagem. Claudio Duarte seguiu o mesmo caminho. Samuel Ferreira fez cirurgia bariátrica e também ficou mais palatável aos telespectadores (não esquecendo possíveis questões de saúde no procedimento).

Nessa linha, os cultos transformaram-se em celebrações midiáticas da fé. As câmeras buscam as emoções do fiéis o tempo todo. Lágrimas, exclamações de louvor e gesticulações devem ser explorados ao máximo. Não é somente um culto, é uma transmissão televisiva e como tal é necessário ter estética e linguagem apropriadas. Atrair ao público que está em casa é fundamental.

Fica a pergunta: o que é espontâneo ou superficial nos cânticos, pregações e orações quando as câmeras estão focadas no público? Muitas vezes ele se vê no enorme telão e sabe que tudo irá para a telinha. Quem não gosta de ficar bem na imagem reproduzida no espelho ou tela? Estariam os crentes sentido-se num verdadeiro reality culto?

Outro ponto importante: os altos custos com os programas de televisão atualmente justificam as mais esdrúxulas formas de arrecadações de fundos. Pode-se afirmar, que o uso da mídia televisiva abriu as portas para a teologia da prosperidade nas ADs. Realmente a TV foi subversiva...

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

FILHO, Ciro Marcondes. Televisão, a vida pelo vídeo. São Paulo: Moderna, 1988.

MORAIS, Fernando. Chatô: o rei do Brasil. A vida de Assis Chateaubriand. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

http://piaui.folha.uol.com.br/materia/vitoria-em-cristo/

http://istoe.com.br/138157_UM+PASTOR+MODERNO+ENTRE+OS+RADICAIS/

sexta-feira, 2 de junho de 2017

AD em Santos - arrebatamentos e desentendimentos

As posições e práticas do pastor da AD em Santos, Paulo Alves Corrêa foram muito mal recebidas pelos líderes assembleianos em 1997. A entrevista publicada pela revista A Seara, além de causar muitos debates, provou desgaste ao líder santista.

Tempos depois, os comentários negativos sobre as manifestações da "nova unção" forçaram a diretoria da Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros (COMADESP), a agendar uma reunião no templo sede da AD santista no dia 20 de fevereiro de 2004.

O então vice-presidente da Convenção, José Ezequiel da Silva, ao abrir o encontro, expressou seu respeito ao líder da igreja, mas reconhecia que as controvérsias em torno dos estranhos acontecimentos estavam fora do controle. Prejuízos ao ministério e a COMADESP eram inevitáveis.

Pastor Corrêa: reunião tensa com a COMADESP

Pastor Ezequiel ressaltou, que mesmo sendo um assunto interno e de exclusiva competência da AD local, o tema estava sendo tratado devido a má repercussão à imagem da COMADESP e a suposta ligação da AD santista com o pastor Ouriel de Jesus. Desligado da CGADB por questões doutrinárias, Ouriel provocou intensos debates dentro das ADs, devido as exóticas manifestações místicas em sua igreja em Boston (EUA).

Em sua defesa, o pastor Corrêa salientou que orava por um avivamento com salvação de almas, curas e batismo no Espírito Santo. Rechaçou sua ligação com a AD em Boston, mas admitiu ser amigo pessoal do pastor Ouriel. Inclusive lhe franqueou o púlpito em Santos, não observando heresias em sua pregação. Contou ainda, que ao visitar a AD em Boston não percebeu nenhuma anormalidade na liturgia.

Sobre as visões de anjos na igreja, o líder santista afirmou não censurar tais visões , mas simplesmente ouvia as experiências. Questionado sobre as afirmações de que alguns membros da igreja eram arrebatados e falavam com mortos, Paulo deu a mesma resposta. Era de uma passividade total.

Um dos casos mencionados, foi a de um pastor, que ao ser arrebatado pediu ao anjo para ver seu falecido filho. Imediatamente, o mensageiro celestial trouxe o menino para ser abraçado pelo pai. Os relatos, no entendimento dos obreiros beirava a necromancia.

Nesse ponto, o pastor Paulo recebeu a solidariedade de outro conhecido líder assembleiano: Walter Brunelli. Brunelli socorreu o colega ao contar que sua própria esposa ao ser arrebatada aos céus havia abraçado o apóstolo Paulo, Abraão, Moisés e Daniel. Saindo em defesa dos arrebatamentos, o pastor de Vila Mariana (SP), declarou que a influência dos teólogos tradicionais afastou os pentecostais das experiências sobrenaturais.

Paulo Corrêa, em sua defesa, citou o livro Diário do Pioneiro. Na obra, Gunnar Vingren narra experiências sobrenaturais (levitação), mas nem por isso era considerado herege. Contrariado, não acatou sugestões de publicar uma nota no Mensageiro da Paz esclarecendo os fatos controversos na igreja em Santos. Descartou tal hipótese, pois para ele seria alimentar mais especulações.

Sentindo-se pressionado pelo ministério e desgastado com as controvérsias que se arrastavam há anos, Paulo Corrêa deixou abruptamente a reunião alegando indisposição. Era o auge das controvérsias iniciadas com a entrevista dada por ele à revista A Seara em 1997.

Assim, mais uma igreja histórica das ADs caminhava para a ruptura com a CGADB por conta de fatores doutrinários e políticos. Um brusco desentendimento do líder santista, filho de um pastor que presidiu a CGADB por três vezes, com a cúpula estadual e nacional da denominação.

Pioneira no estado de São Paulo, a AD em Santos logo sofreria cisões e outros ministérios receberiam milhares de seus membros.