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Mostrando postagens de Abril, 2019

CGADB, CONAMAD, CADB - memórias e símbolos em disputa

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A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), a Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira (CONAMAD) e a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB) são instituições congêneres que competem entre si na grande comunidade assembleiana. A rivalidade entre as convenções não se dá somente na área dos poderes terrenos e eclesiásticos. Há também uma intensa disputa pela memória assembleiana e os símbolos que a representam. Nos últimos anos, essa rivalidade ficou mais explícita, principalmente entre as lideranças da CGADB e da recém-criada CADB. A saída da CONAMAD da CGADB em 1989 também gerou turbulências. Mas, no campo da memória, o Ministério de Madureira é muito mais direcionado para o mito do pastor Paulo Leivas Macalão, seu fundador e líder por mais de cinco décadas. Painel colocado no aeroporto de Belém: disputa pela memória  Todavia, na década de 1990, Madureira quase sofreu um abalo, quando o pastor da AD em Bangu, Ades dos Santos, proc

Matheus Iensen - chegou a hora de partir (2ª parte)

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Matheus Iensen já era conhecidíssimo por sua atuação no rádio e pelo ministério de louvor, quando foi apoiado pela Convenção das Igrejas Assembleias de Deus do Estado do Paraná (CIEADEP) para concorrer a uma vaga de deputado federal e participar da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), a qual elaboraria no processo de redemocratização, uma nova Constituição para o país. Segundo Paul Freston e seu livro "Evangélicos na Política Brasileira", a escolha do nome de Iensen encaixava-se no perfil de muitos outros candidatos apoiados pelas ADs: a do cantor ou pregador conhecido e detentor de capital político para alavancar uma candidatura e a do empreendedor bem sucedido; sinal da benção de Deus sobre seus negócios. Freston também salienta, que a mística da ANC ajudou na mobilização das minorias na defesa de seus valores. Assim, o discurso dos candidatos evangélicos em defesa da família ou sobre a suposta ameaça a liberdade de culto era a tônica das campanhas pentecostais

Matheus Iensen - chegou a hora de partir (1ª parte)

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Faleceu no dia 18 de abril de 2019, um dos ícones do evangelismo radiofônico e da música sacra evangélica: o empresário, cantor, pastor e ex-deputado federal pelo estado do Paraná, Matheus Iensen, aos 82 anos de idade. Segundo sua biografia, Matheus nasceu na madrugada do dia 07 de janeiro de 1937, na pequena Imbituva, na época distrito de Guamiranga, na região sudeste do Paraná e a 136 quilômetros de Curitiba. Era o sexto filho de uma família de sete irmãos de família humilde e pobre. Como a maioria das crianças de famílias do interior, Iensen conheceu cedo o trabalho na lavoura e na criação de animais. Na adolescência foi ajudar o pai em uma ferraria no distrito de Três Vendas em Faxinal. Infelizmente, a ferraria foi consumida num incêndio e, despertados por Matheus na madrugada, a família Iensen conseguiu sair da casa anexa ao local de trabalho e se salvar de uma grande tragédia. Da perca total da ferraria, os Iensen foram trabalhar numa serraria e posteriormente começa

As Assembleias de Deus e a geopolítica das convenções

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Gedeon Alencar, em sua obra “Matriz Pentecostal Brasileira”, afirma que relacionar as cidades ou igrejas hospedeiras da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) seria uma "forma didática de entender os sistemas geopolíticos das entranhas dessa igreja". Receber uma CGADB é sinal de poder econômico e político da liderança da igreja escolhida. Alencar observa que a "politização geográfica" da Convenção Geral nasceu em 1930, em Natal/RN, com a intimação feita pelos pastores da região Norte/Nordeste para resolver problemas que atrapalhavam o "progresso e harmonia da causa do Senhor" - conforme a convocação publicada no Boa Semente . O sociólogo também chama a atenção para o fato de que nenhuma CGADB foi realizada no Ministério de Madureira. Paulo Macalão até tentou hospedar a Convenção Geral de 1971, no templo da Rua Carolina Machado, mas a Junta Executiva resolveu escolher a cidade de Niterói/RJ. A CGADB de 1971 não foi realizada em Mad

IEADJO - primórdios da igreja na década de 1930

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"Joinville, a mais importante cidade onde as indústrias em atividade (dia e noite) e o povo ordeiro procura a paz e o trabalho, não poderia ficar sem a visitação da fé pentecostal."  (Albert Widmer) Foi com essas palavras escritas ao Mensageiro da Paz (1ª quinzena de março de 1938) que o missionário suíço Albert Widmer abriu o seu relatório na seção "Na Seara do Senhor" sobre os trabalhos da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Joinville (IEADJO). Na época, a "Cidade dos Príncipes" contava em média com 30 mil habitantes e um promissor parque industrial e comercial. Quando os leitores de todo o Brasil leram as informações divulgadas por Widmer, a IEADJO já possuía cinco anos de atividades na "Manchester Catarinense". Fundada em 1933, por Manoel Germano de Miranda, a congregação reunia-se primeiramente na região do atual bairro Itaum e, posteriormente, devido às perseguições, alugou uma casa na antiga Katharinenstrasse, nome original d