sexta-feira, 25 de maio de 2018

O novo templo da IEADJO - as controvérsias

Passados 30 anos da inauguração do atual templo sede da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Joinville (IEADJO), a obra já se tornou parte da paisagem de uma das mais movimentadas vias da cidade: a Avenida Getúlio Vargas, 463. Nesse período, o tempo amenizou ou fez esquecer algumas controvérsias e críticas do período da construção da obra. 

Iniciada a edificação do futuro templo em 1985, a IEADJO ficou em suspense em alguns momentos com as limitações físicas do seu pastor-presidente. Satyro Loureiro, durante esse tempo, teve sérios problemas de saúde. No período da construção, o veterano obreiro foi internado e nas conversas reservadas dos obreiros, havia dúvidas se ele conseguiria terminar a construção que iniciou.

O Assembleiano: editado por Judson Canto

O ambiente de incertezas, de campanhas de oração pela restauração da saúde do pastor Loureiro e de sucessão indefinida, deu margens às "profecias" fatalistas, as quais afirmavam que ele não viveria para ver a inauguração do templo. No dia 15 de maio, as previsões pessimistas caíram por terra.

Entretanto, a maior polêmica, foi em relação a utilização do mármore e granito para revestimento externo e do carpete no interior do templo. Para muitos críticos foi um luxo desnecessário, visto que a maioria dos membros da IEADJO era (e ainda é) de origem social humilde e trabalhadora.

Para rebater as incessantes críticas, o próprio Satyro escreveu o editorial do jornal O Assembleiano, na época sob a direção de Judson Canto (atualmente editor do blog O Balido). No texto, o veterano obreiro refutou as murmurações de "pecado" e ostentação à construção de um templo revestido de mármore com tantos pobres existentes na cidade.

Argumentou que, se todo dinheiro da obra fosse distribuído aos pobres, não seria suficiente para resolver os problemas da pobreza. Caso a igreja tivesse feito uma "meia-água", as críticas seriam de incompetência administrativa. Para reforçar as considerações, Satyro bem ao seu estilo, recorreu a uma ilustração: a do burrinho puxado por um velhinho e um garoto. Todos em determinado momento montavam o animal, sem, contudo, agradar ninguém.

Outro ponto abordado pelo pastor: ninguém extorquia ou obrigava os membros a contribuírem com suas ofertas e dízimos. E quanto aos pobres, a igreja, com suas ações sociais, tentava amenizar as necessidades dos mais carentes na medida do possível.

Na verdade, o mármore trazia economia em material e mão-de-obra em pintura. O carpete facilitava a limpeza do templo em seu interior. Era um gasto elevado num primeiro momento, mas a longo prazo seria benéfico para os cofres da igreja.

Assim, entre "profecias", críticas e murmurações, o esperado dia 15 de maio de 1988, entrou para a história da IEADJO. Ficou também para a memória dos presentes o discurso do então governador de Santa Catarina, Pedro Ivo Campos. Em sua prédica, Campos, de improviso afirmou: "o homem não se realiza apenas materialmente. Ele precisa preparar-se para a conquista dos céus".

Conselho bom para muitos líderes políticos e eclesiásticos de ontem e de hoje...

Fontes:

POMMERENING, Claiton Ivan (Org.). O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.

O Assembleiano - Edição Especial, 15 de maio de 1988.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Inauguração do templo sede da IEADJO

Na manhã do dia 15 maio de 1988, com a presença de autoridades civis e eclesiásticas, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Joinville (IEADJO), comemorou com grande entusiasmo, a inauguração do seu atual templo sede, localizado na Avenida Getúlio Vargas, 463; uma das principais vias da cidade.

Presente no município de Joinville desde 1933, o primeiro templo sede da IEADJO foi erguido sob à liderança do missionário estadunidense Virgil Frank Smith e inaugurado no dia 20 de junho de 1943. Mas com o crescimento constante da cidade, e paralelamente da igreja, o templo construído por Smith logo ficou limitado.

No pastorado de Antonieto Grangeiro (1957-1967), houve a ampliação e remodelação da obra e no tempo do pastor Artur Montanha (1967-1972), projetos para um novo edifício eram analisados. O sucessor de Montanha, o pastor Liosés Domiciano (1972-1978), também tinha planos nesse sentido, mas queria construir o novo templo em outro local.


Templo da IEADJO inaugurado em 1988

Ao assumir à presidência da IEADJO em 1978, o veterano pastor Satyro Loureiro, que já tinha liderado a igreja por alguns anos na década de 1950, e conhecia muito bem a membresia, resolveu enfrentar o desafio de iniciar a obra da nova casa de oração.

Em meados de 1984, após quatro décadas de história, o antigo templo foi demolido. No ano seguinte, a pedra fundamental da nova construção foi lançada. Após três anos de constantes esforços, com a doação de milhares de horas de trabalho voluntário por parte dos membros, a IEADJO inaugurou seu atual templo sede em maio de 1988.

Virgil Smith e Satyro Loureiro enfrentaram, cada um ao seu tempo, circunstâncias de crise. Smith iniciou a construção do primeiro templo no período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando faltava materiais para construção, além da enorme carestia de preços no país. Satyro, por sua vez, enfrentou dificuldades em administrar as finanças da IEADJO em plena década de 1980, a chamada "década perdida", devido ao aumento constante da inflação e do custo de vida.

Meses antes da inauguração, Loureiro enfrentou outra crise; essa de natureza eclesiástica: membros e obreiros conhecidos e de famílias tradicionais da IEADJO deixaram a igreja para formar outra igreja de caráter mais liberal. Entre eles, familiares do próprio Satyro e do seu antecessor, o saudoso pastor Liosés Domiciano.

Porém, superadas os desafios de toda ordem, Satyro, impecável em seu terno branco, conduziu as cerimônias de inauguração do templo revestido externamente de mármore branco e granito. O pastor norte-americano Bernhard Johnson pregou naquela manhã com sua costumeira eloquência e o povo lotava a nave da igreja em todas as noites festivas.

Passada a construção, o veterano líder da IEADJO já pensava em outro projeto: sedimentar a candidatura de um dos seus mais próximos colaboradores para vereador na cidade. Embalado pelos bons resultados dos pentecostais nas eleições gerais de 1986, Satyro agora apostava numa área que ele apreciava: a política.

Fonte:

POMMERENING, Claiton Ivan (Org.). O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.

VIEIRA, Adelor F. (Org.). 1983 - ano do cinqüentenário da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Joinville - SC. Joinville: Manchester.

Mensageiro da Paz, 1ª Quinzena de Agosto de 1943 - Rio de Janeiro.

sábado, 5 de maio de 2018

Maria Madalena - A Matriarca da fé

No dia 02 de novembro de 1913, no município de Santa Maria Madalena, nasceu a filha caçula do casal Francisco Rodrigues Tavares e Quitéria Maria de Araújo. Registrada somente no dia 13 de novembro, a menina ganhou o nome de Maria Madalena em homenagem a padroeira da pequena cidade fluminense.

Interessante, que o lema da cidade é: Salus labor spes (Esperança e firmeza do trabalho). Ao olhar em retrospecto à vida de Madalena, conterrânea da atriz Dercy Gonçalves, verifica-se realmente o seu constante trabalho e firmeza na obra pentecostal.




Com o início do fim do ciclo do café, à família Tavares e Almeida foi para o Rio de Janeiro, na época Capital da República em busca de trabalho e melhores condições de vida. Fixara-se no bairro de São Cristóvão e ali trabalharam nas empresas da região. Mas logo as dificuldades bateram à porta da família. No Rio, Madalena deu à luz a três crianças: Juarez, Elenice e Maria Therezinha. Elenice, como no caso do primogênito faleceu com poucos dias de vida, trazendo nova tristeza ao casal. 

Posteriormente, a crise econômica trouxe o desemprego e a necessidade de mudança de residência. Com grandes dificuldades financeiras, o casal foi morar num porão, onde apenas um lampião iluminava o local escuro e abafado. Pretendendo melhorar a situação de pobreza e desemprego, no final da década de 1930, à família mudou-se para São João do Meriti, e instaram-se no humilde bairro de Vila Rosali, uma área de poucas casas e muito matagal. Lá nasceu outra filha em 1941, a qual deram o nome de Maria José.

Foi através de uma enfermidade da recém nascida Maria José, que Madalena, sem recursos para buscar especialistas e medicamentos para a menina, resolveu apelar para à fé. Visitou uma Assembleia de Deus, e de lá saiu com a criança curada e sua vida transformada. Começava também nesse dia, uma linda jornada de trabalho em prol da obra pentecostal.

Junto com Madalena, sua irmã Liberalina também começou a frequentar a igreja. Tempos depois, nova mudança para o Rio: primeiro no bairro de Bonsucesso e depois para São Cristóvão. Na histórica Assembleia de Deus em São Cristóvão, nº 338, Madalena conviveu com o missionário Samuel Nyströn e sua esposa Lina, Otto Nelson, Nels Nelson, Alcebiades Vasconcelos, José Pimentel de Carvalho e Marcelino Margarida entre outros.

Posteriormente, passou a frequentar a Assembleia de Deus na Penha e depois mudou-se para a região de Bangu. Lá frequentou uma pequena congregação ligada ao Ministério de Madureira. Em todas essa mudanças e tempo, ela nunca deixou de evangelizar, contribuir, visitar, pregar e cantar. Participou também da Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas (CIBE), importante departamento feminino de Madureira.

Depois de tantas colaborações, trabalhos e cooperação em várias congregações na região de Bangu, Madalena faleceu no dia 10 de março de 1984, com 70 anos de idade e 42 de fé. Mas sua história não se perdeu. Seu neto, o pastor André Silva em uma pequena publicação caseira, resgata à biografia da matriarca.

Maria Madalena e sua história de vida, é um exemplo das inúmeras e incansáveis mulheres que deram (ou ainda dão) suporte ao trabalho das Assembleias de Deus no Brasil. Seu nome não é destaque nos livros de história publicados sobre a denominação, porém, consta nas memórias dos filhos, netos e familiares seu lindo e abnegado trabalho de fé.

Parabéns ao pastor André! E que esse exemplo seja seguido por outros familiares de irmãos e irmãs anônimos, os quais, fizeram toda a diferença dos primórdios da obra pentecostal. Porque infelizmente, muita gente está colhendo os frutos sem reconhecer o esforço dos que já foram.

Fonte:

Memórias de Maria Madalena - A Matriarca da Fé - escrito pelo pastor André Silva.

* ANDRÉ SILVA foi ministro do Evangelho pela CONAMAD. Historiador e pesquisador da História do Ministério de Madureira. Autor do livro História da Assembleia de Deus em Bangu. Colaborador com o material histórico da Bíblia do Centenário das Assembleias de Deus e livro histórico do Cinquentenário da CONEMAD-RJ, ambos lançados pela Editora Betel.