sábado, 27 de março de 2021

O Serviço Nacional de Inteligência - SNI e o Mensageiro da Paz

O Serviço Nacional de Informações (SNI) foi criado em junho de 1964 com o objetivo de supervisionar e coordenar as atividades de informações e contrainformações no Brasil e  no exterior funcionando como um órgão de espionagem do Regime Militar (1964 - 1985). 

Segundo o site Memorial da Democracia, O SNI monitorou atividades dos brasileiros dentro e fora do país. Em pouco tempo, o SNI tornou-se uma vasta teia de espionagem, intrigas políticas e negócios ilegais, a ponto de se atribuir ao general Golbery a frase "Criamos um monstro", quando o regime militar estava nos seus estertores.

Para os leitores e pesquisadores segue um exemplo de como o SNI monitorava até os evangélicos, que no geral apoiavam os militares. O documento sigiloso revela as analises feitas pelos arapongas do "insuspeito" Mensageiro da Paz no ano de 1985. 

 

Fonte: Arquivo Nacional

sexta-feira, 19 de março de 2021

Os 90 anos da AD em Santa Catarina - a primeira cooperadora


Élida Andrioli Vieira

A jovem Élida Andrioli Vieira foi uma das pioneiras da Assembleia de Deus em Santa Catarina. Aos 22 anos aceitou Jesus como salvador através da mensagem pregada pelo Pastor André Bernardino da Silva. Nos primórdios, a jovem muito cooperou na obra pentecostal, pregando e ensinando nos primeiros núcleos de crentes que se formavam na região. 

Bernardino relatou no Mensageiro da Paz, que ao adoecer após um batismo em águas, não pôde atender a Escola Dominical em Itajaí, mas enviou a cooperadora para a tarefa de ensinar. Numa congregação de maioria analfabeta, a moça letrada tinha grande vantagem no desenvolvimento das ministrações. Posteriormente, com a visita de Gunnar Vingren, a Santa Catarina, Élida Vieira foi separada ao cargo de diaconisa da igreja. 

É possível, que a jovem tenha sido a primeira cooperadora da AD catarina. João Santana, o doador do terreno para construção do primeiro templo é considerado o primeiro auxiliar, mas nas informações dadas ao Mensageiro da Paz, é o nome de Élida que aparecia constantemente. Depois de casada, a diaconisa mudou-se para Rio do Sul e faleceu na década de 1990.

Para saber detalhes acesse o link abaixo:



Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

MARQUES, Paulo Vieira. Joinville: 06 de dez. 2012. Entrevista concedida a Mario Sérgio de Santana.

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro. 2ª quinzena de junho de 1932.

Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro. 2ª quinzena de fevereiro de 1933.

domingo, 14 de março de 2021

Os 90 anos da AD em Santa Catarina - Os primeiros líderes/Albert Widmer, o breve

Em boa parte dos estados do Brasil, o começo das Assembleias de Deus foi assim: um missionário sueco evangelizava uma determinada região e implantava uma igreja. Muitas vezes as congregações eram organizadas a partir de núcleos pentecostais pré-existentes. 

Em Santa Catarina deu-se o inverso. Um nativo iniciou o trabalho e, cinco anos depois, cedeu a direção para um estrangeiro. André Bernardino foi o primeiro pastor em terras catarinas, mas a obra só se desenvolveu de fato com os missionários norte-americanos. Entre os períodos de liderança de Bernardino (1931-1936) e Jonh Peter Kolenda (1940 -1952) representante da missão dos EUA), esteve o Missionário Albert Widmer. 

Sabe-se que Widmer era suíço e missionário metodista pentecostal. Recebia o seu sustendo da Inglaterra e chegou ao Brasil na década de 1930. Há informações, que antes de chegar em Santa Catarina, ele teria passado pelos estados do Amazonas, Pernambuco, Bahia e São Paulo. 

Albert Widmer

Como ele chegou à liderança da incipiente AD catarinense? Não há informações precisas. A última manifestação de André Bernardino como dirigente no estado foi no Mensageiro da Paz (2ª quinzena de abril de 1936), quando fez um pedido de ofertas para quitar uma dívida de um imóvel em Itajaí. A partir das edições de julho é Widmer que aparece como o responsável pela obra.

As razões da mudança na condução da obra pentecostal? Familiares de André falam que Widmer aproveitou um determinado tempo de ausência do pioneiro em suas idas ao Rio de Janeiro e lhe tomou a igreja. É provável, que a saída de Bernardino tenha sido contra sua vontade, mas talvez, não de todo injusta. O fundador da AD catarinense não era, ao que tudo indica em sua biografia, um homem previsível em suas ações.

O certo, é que de 1936 em diante, Albert Widmer supervisionava o trabalho e realizava convenções regionais. Antes, e ainda em terras catarinas, o missionário produziu muita literatura para o Mensageiro da Paz: fez traduções de artigos, escreveu textos e enviava notícias das igrejas no estado. Os crentes de todo o Brasil sabiam o que acontecia em Santa Catarina pela lavra do suíço.

Na Convenção Geral em São Paulo, no ano de 1937, foi Widmer que fez a famosa pergunta se era lícito as ADs pregarem o evangelho através do rádio. Com a vinda dos norte-americanos para ajudar no trabalho em Santa Catarina, Albert apresentou na convenção regional de 1940, o Pastor Jonh Peter Kolenda para ser o líder da igreja no estado. O missionário suíço ficaria encarregado de evangelizar e organizar congregações em toda a região catarinense, um trabalho que depois seria dado ao evangelista Inocêncio Marchione. 

Se André Bernardino se despediu de Santa Catarina de forma melancólica, Widmer por sua vez superou o antecessor. Porém, quatro décadas depois da passagem do suíço pelo sul, os responsáveis pela publicação da história da igreja tiveram que criar uma narrativa mais edificante: com a Segunda Guerra em curso na Europa, Albert Widmer teve seus recursos financeiros interrompidos e partiu para o Paraguai. Dele não se teve maiores informações.

PS: É tempo de celebrar os 90 anos da AD catarina. Sobre Widmer e sua saída de Santa Catarina outra postagem será feita no momento oportuno.

Fontes:

ADAMI, Saulo; SILVA, Osmar José da. André Bernardino da Silva: pioneiro da Assembleia de Deus em Santa Catarina. Blumenau: Nova Letra, 2011.

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

LOUREIRO, Satyro (et al.). 1931-1981 50 anos: o jubileu de ouro das Assembleias de Deus em Santa Catarina e sudoeste do Paraná. Itajaí: Maracolor, 1981.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Os 90 anos da AD em Santa Catarina - Os primeiros líderes/André Bernardino

Em sua primeira década de existência, a Assembleia de Deus em Santa Catarina teve três líderes principais: André Bernardino, Albert Widmer e Jonh Peter Kolenda. Mas na literatura oficial da CPAD, é somente Kolenda que vai ser apresentado como o "primeiro líder oficial" da igreja. É provável, que esse reconhecimento seja dado pelo fato de Kolenda e seus companheiros norte-americanos terem pensando estrategicamente a expansão da obra pentecostal. Vamos ao breve perfil de André Bernardino:

André Bernardino da Silva foi o pioneiro ao trazer a mensagem pentecostal ao povo catarina em março de 1931. A implantação das igrejas em Itajaí, Blumenau, Joinville, São Francisco do Sul, Guaramirim e Imbituba se devem ao ímpeto evangelístico e atendimento do jovem Bernardino.


Na entrevista dada à revista do Jubileu (1981), André contou que trabalhou no estado por 12 anos e que seu substituto foi o Missionário Albert Widmer. Mas não foram 12 anos de liderança, pois nos Mensageiros da Paz publicados em 1936, era Widmer que aparecia como o responsável pela obra em Santa Catarina.

Uma das explicações mais plausíveis para a breve liderança foi a observação de Gunnar Vingren sobre o jovem catarina ao separá-lo para o ministério pastoral: "Não deveria consagrá-lo ao ministério. Você tem muito pouco tempo de conversão e é solteiro, mas devido à falta de obreiros vou separá-lo ao pastorado".

Impetuoso e cheio de ousadia, André Bernardino foi o homem certo para iniciar a igreja, mas no processo de administração não inspirava tanta confiança assim. Seu histórico de vida anterior à conversão aponta para um homem impulsivo e hiperativo, o que pode ter contribuído para o seu afastamento da liderança. Na versão familiar, a liderança do pioneiro foi solapada pelos seus antigos auxiliares em combinação com Widmer. 

Em 1943, uma nota no Mensageiro da Paz, assinada pelos principais obreiros catarinenses informava o desligamento de Bernardino do ministério. Nesse período ele voltou para o Rio de Janeiro. Foi um tempo de fracasso, mas tempos depois, o impetuoso André recomeçou seus trabalhos de evangelista em São Paulo e Brasília, no Distrito Federal.

André Bernardino da Silva faleceu em 1992.

Fontes:

ADAMI, Saulo; SILVA, Osmar José da. André Bernardino da Silva: pioneiro da Assembleia de Deus em Santa Catarina. Blumenau: Nova Letra, 2011.

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

LOUREIRO, Satyro (et al.). 1931-1981 50 anos: o jubileu de ouro das Assembleias de Deus em Santa Catarina e sudoeste do Paraná. Itajaí: Maracolor, 1981.

domingo, 7 de março de 2021

Os 90 anos da AD em Santa Catarina - O início no Quilombo

Para a grande maioria dos brasileiros, a imagem do estado de Santa Catarina está ligada à colonização açoriana, alemã e italiana. Esta é a imagem vendida pelas secretarias e empresas de turismo e veiculada amplamente pela mídia em épocas festivas. São os cabelos loiros, olhos azuis e as celebrações regadas com muita bebida e comidas tipicamente europeias que invadem o imaginário popular.

Chega a ser uma ironia, que essa imagem tão explorada sobre os catarinenses para fins comerciais e turísticos, não se refletiu na gênese da Assembleia de Deus no estado. A maior denominação pentecostal catarina, não nasceu entre os descendentes de italianos, alemães, portugueses, poloneses ou suíços que, evidentemente, em muito contribuíram para a formação do estado.

A Assembleia de Deus fundada por André Bernardino da Silva em 15 de março de 1931, teve sua primeira casa de oração e núcleo de evangelização num beco chamado de "Quilombo", onde a maioria dos moradores era, como o nome indica, de origem afro e reduto de ex-escravizados.

João Santana: o primeiro auxiliar em SC

Naquele local periférico da cidade, os novos convertidos construíram o primeiro templo da Assembleia de Deus no estado, num terreno doado por João Santana. Santana era negro e foi também o primeiro auxiliar da congregação assembleiana em Itajaí e um dos seus primeiros dirigentes ainda na década de 1930.

Na revista do  Jubileu de Ouro das Assembleias de Deus em Santa Catarina e Sudoeste do Paraná em 1981, narra que em regime de mutirão, os fiéis abriram uma rua para dar acesso ao terreno da igreja. A nova via foi denominada de "Rua Pentecostal". Não há referência ao beco do Quilombo ou do Inferninho, que era muito próximo. 

JP Kolenda pregando em Itajaí em 1943: grande presença de afrodescendentes

Ao construir sua primeira narrativa histórica, os editores da revista do Jubileu, por algum motivo deixaram esse detalhe de fora. Segundo alguns pesquisadores, na mesma década, o beco do Quilombo foi absorvido pela expansão do porto de Itajaí e pela crescente urbanização das áreas próximas ao centro da cidade. Ou seja, o Quilombo sumiu da geografia da região e da história assembleiana.

Mas como bem escreveu o historiador Eric Hobsbawm, o "ofício é lembrar o que os outros esquecem".

Fontes:

ADAMI, Saulo; SILVA, Osmar José da. André Bernardino da Silva: pioneiro da Assembleia de Deus em Santa Catarina. Blumenau: Nova Letra, 2011.

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

LOUREIRO, Satyro (et al.). 1931-1981 50 anos: o jubileu de ouro das Assembleias de Deus em Santa Catarina e sudoeste do Paraná. Itajaí: Maracolor, 1981.