IADJ - novos rumos ou extinção de uma igreja?

Durante quatro décadas, o Pastor Gilberto Malafaia foi líder da Igreja Evangélica Assembleia de Deus (IADJ), na região da Taquara, na época, um sub-bairro em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

No dia 15 de novembro de 1996, a IADJ inaugurou seu grande templo com amplo auditório para realização dos cultos e salas bem estruturadas para os departamentos de ensino. Uma obra, que durou mais de uma década para ser concluída. Esforço e ânimo dos líderes e membros não faltaram em todo o período da construção. 

Ainda na década de 1990, um dos filhos do Pastor Gilberto Malafaia, Silas, já era um pregador muito conhecido no Rio de Janeiro. Com seu estilo direto, questionador e não-legalista, o caçula dos Malafaia ascendeu no ministério através do sogro, o Pastor José Santos da AD na Penha, a mesma igreja onde Gilberto congregava antes de sair para fundar a IADJ. Na AD na Penha, Silas chegou ao posto de vice-presidente. 

Paralelamente, Malafaia ganhou visibilidade através do seu programa televisivo "Vitória em Cristo" onde, além de fazer propaganda dos produtos da sua editora "Central Gospel", também defendia temas caros aos evangélicos. Aborto, cura gay, liberdade de culto e legislações voltadas para as minorias, foram (e são ainda) assuntos dos seus programas. 

Silas Malafaia, Gilberto e Silas Filho

Com a morte do sogro em 2010, Silas assumiu a igreja, rompeu com a CGADB, segundo ele "a cachaça de pastor", e mudou a nomenclatura da AD na Penha para "Vitória em Cristo" em consonância com seu projeto de expansão de novas congregações pelo Brasil. 

No ano de 2014, o nonagenário Gilberto Malafaia, até então o primeiro e único líder da IADJ, entregou numa cerimônia emocionante, a direção da igreja para o seu neto Silas Malafaia Filho. Dois anos depois, Gilberto Malafaia morreria como o patriarca bíblico Jó: "velho e farto de dias". 

Seu corpo foi velado na igreja que fundou. Silas Malafaia, na sua conta oficial no Twitter homenageou seu pai com as seguintes palavras: “Acaba de falecer meu pai, Pr. Gilberto Malafaia. No domingo, ele completou 95 anos. Meu referencial, meu herói, homem de Deus. Deixa um grande legado”. 

Mesmo antes da transferência efetiva de comando da igreja, alguns membros perceberam a forte influência da ADVC nos rumos da igreja. Anos temáticos adotados na ADVC para as suas congregações eram implantados simultaneamente na Taquara, preletores que pregavam na Penha também cumpriam agenda em Jacarepaguá, o estilo de liturgia, principalmente os denominados "cultos da vitória", estavam semelhantes aos das igrejas de Silas pai. 

Prevendo a total absorção da IADJ pela ADVC, um reduzido número de membros bateu em retirada; poucos é verdade, mas já era um sinal de descontentamento. Até que pouco tempo depois, a IADJ foi incorporada pela Vitória em Cristo. Uma decisão tomada pela família Malafaia com apoio de alguns obreiros fiéis. 

Diante da nova situação, muitos membros deixaram de congregar na IADJ. Foram pra outras denominações e ministérios. Contudo, com as reformas feitas no templo e com o apelo midiático da ADVC, a recém filiada do ministério de Silas pai não perdeu público. 

Obviamente, que no caso IADJ há versões e olhares conflitantes. Para os Malafaia, a posse de Silas Filho foi a confirmação de profecias e visões. Certamente, o fim da autonomia também foi direção divina. Ficou tudo em família e ponto final. Para os que saíram ficou o sentimento de nostalgia e a saudade de uma igreja que, segundo eles, está "extinta". Daqueles dias gloriosos do Pastor Gilberto só ficou o prédio. 

Mas o que diria o fundador da IADJ? Concordaria com a perda da independência da igreja que liderou por décadas? Em sua biografia lançada pela Central Gospel, Gilberto Malafaia ao narrar a história da congregação declarou: "A minha expectativa, por exemplo, era formar uma igreja. Nada de ficar como congregação de Madureira ou da Penha". 

Esse era o desejo de Gilberto Gonçalves Malafaia ao fundar o trabalho da IADJ.

Fontes: 

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

COSTA, Jefferson Magno. Pastor Gilberto Malafaia - Homem de fé, visão e coragem. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2014.

Comentários

  1. Novos Rumos.. pq tudo indica q Silas Filho assumirá a ADVEC no futuro, portanto tem q se unir de uma vez ao pai.

    ResponderExcluir
  2. Pr. Gilberto Malafaia era amigo e professor do IBP com meu pai, Adalberto Arraes, ambos dois homens de Deus, que viveram um evangelho que hoje é pregado de forma diferente, sem sangue, sem cruz e sem amor. Prefiro dizer somente isso. Deus é bom!

    ResponderExcluir
  3. "Muda-se o sacerdócio, mudam-se as leis!"
    Tenho certeza que "pra quem já dorme no Senhor, só resta o descanso, e não mais as picuinhas".

    ResponderExcluir
  4. DEUS É QUE CUIDARÁ DE SUA IGREJA, SE O PR SILAS JR.PRECISAR
    RECUAR EM ALGUM PONTO NA BUSCA POR UMA IGREJA TÃO ACOLHEDORA QUANTO ERA
    BA DIREÇÃO DE SEU AVÔ, Certamente fará, buscando uma sempre modernizar sem perder os princípios assembleias, E principalmente o conhecimento e a unção de Deus, indispensável a um verdadeiro pastor e assim a IGREJA avançará. Para a Glória do Dono dela Jesus Cristo.

    ResponderExcluir
  5. Tudo, ou quase tudo, é possível no Reino da Terra.

    ResponderExcluir
  6. Os cultos da Vitória são anteriores a 2010. Eu vi essa igreja no tijolo e velei o pr. Gilberto Malafaia que sempre anunciou o seu filho pr. Silas com muito orgulho. A IADJ foi congregação da Penha, mas não voltou para a mesma igreja da Penha, mas tornou-se outro ministério, o do filho dele. O pr. Silas herdou do pai o ser visionário em construir igrejas e expandir a obra, que aliás, é a obra de Deus, independente da vontade do homem. Mas, se em 2014, o próprio pr. Gilberto passou a igreja para o neto que seria a igreja do pai, como ele não sabia que os ministérios se unificariam? Claro que ele sabia! O que poucas pessoas entenderam é que as mudanças acontecem e que toda autoridade é colocada sob permissão de Deus.

    ResponderExcluir
  7. O saudoso Pr. Gilberto Malafaia fundou a IADJ e a conduziu com graça e sabedoria até o final de sua vida terrena, mas temos que entender e discernir os tempos. A Terra gira e muitos pensam que as coisas devem perdurar para sempre. Só Deus não muda . Chegara o tempo da IADJ se unir a ADVEC e isso se fez em paz . Vamos pra frente e pregar o Evangelho e nos guardar da corrupção desse mundo porque Jesus vem breve.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O caso Jimmy Swaggart - 30 anos depois

Flagrantes da cerimônia de diplomação dos novos bispos em Madureira

A Ceia do Senhor nas Assembleias de Deus - o uso do cálice