segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A AD em Jacarepaguá - síntese histórica

A Igreja Assembleia de Deus em Jacarepaguá - IADJ nasceu na década de 1970, no auge da Ditadura Militar e cresceu velozmente em plena reabertura política no Brasil. Sua consolidação veio nos tempos áureos de implantação do Plano Real e da estabilidade econômica. Entre tantos ministérios assembleianos, a IADJ era uma igreja referência na educação cristã.

Seu início ocorreu em 1973, quando o Pastor Gilberto Malafaia foi procurado por alguns crentes metodistas insatisfeitos com a igreja onde congregavam. A proposta original do grupo era começar, de imediato, um novo trabalho em Jacarepaguá, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Na época, Malafaia frequentava com a sua família a AD na Penha, Zona Norte da cidade. Experiente, orientou os metodistas descontentes a pedirem cartas de transferências e se integrarem na igreja do tradicional bairro carioca. A proposta de abertura de uma congregação somente seria acertada depois da aceitação dos metodistas na Penha. 

Vencida a primeira etapa, os agora ex-metodistas conversaram com o Pastor José Santos e pediram para abrir uma congregação em Jacarepaguá. O novo núcleo seria ligado a Penha e teria o Pastor Gilberto como seu líder. Com a autorização do Pastor Santos, foi alugada uma antiga oficina na Avenida dos Mananciais, onde se iniciaram os trabalhos IADJ que, segundo o comentário do Pastor Malafaia em sua biografia, "num instante encheu".

Vendo as possibilidades de crescimento, Malafaia logo tratou de procurar lotes para construir um templo próprio. Sem muito dinheiro em caixa e na base das campanhas para arrecadação de mais recursos, o terreno foi adquirido. O local não parecia ser lá muito promissor: era um brejo cheio de árvores, mosquitos e sapos, onde um pequeno caminho dava num buraco.

Templo da IADJ na década de 1970

Os bons contatos políticos do pastor Gilberto facilitaram as melhorias no local. Máquinas dragaram a água existente no local e os mutirões nos finais de semana prepararam o terreno para receber uma tenda para realização dos primeiros cultos. Do barracão, construíram um templo de madeira, e depois, uma pequena igreja.

Paralelamente, Jacarepaguá passava por transformações rápidas. A formação de grandes indústrias e o surgimento de enormes conjuntos residenciais com loteamentos legais e clandestinos fez a população crescer muito, fazendo da região uma cidade dentro de outra cidade.

Com o crescimento da congregação, o Pastor Gilberto decidiu, então, lançar os fundamentos de um templo muito maior. Isso somente foi possível com o senso de oportunidade do líder, que comprou terrenos próximos visando à futura ampliação da igreja. Há um detalhe: logo Malafaia conseguiu autonomia e quando a pedra fundamental da nova construção foi lançada em 1982, a IADJ possuía 300 membros, fora os congregados e as igrejas já emancipadas.

No dia 15 de novembro de 1996, finalmente o novo templo foi inaugurado. Com instalações modernas divididas em mais de 20 salas para Educação Cristã, Escola Dominical e funcionamento do Seminário Teológico Shalom, a obra era mais um sonho realizado na vida ministerial do veterano pastor.

Gilberto Malafaia, a essa altura, já contava com 75 anos de idade. Cedo ou tarde, a sucessão do líder da IADJ chegaria. Em 2014, Silas Malafaia Filho recebeu do avô a presidência da igreja e, para surpresa de uns, alegria de outros e descontentamento de muitos, mudou radicalmente a essência da congregação.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

COSTA, Jefferson Magno. Pastor Gilberto Malafaia - Homem de fé, visão e coragem. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2014.

Mensageiro da Paz, setembro de 1982.

Um comentário:

  1. Péssima colocação ao se afirmar que houve descontentamento de "muitos". A decisão para a IADJ se incorporar a Advec foi feito de decisão da grande maioria do corpo de Pastores e confirmada pela grande maioria da membresia da Igreja. Sugiro suprimir o maldoso telato final que infelizmente compromete todo o relato histórico.

    ResponderExcluir