sexta-feira, 19 de julho de 2019

As ADs e o problema educacional (2ª parte)

Como observou-se na última postagem, antes do editorial escrito na revista A SEARA, em 1956, pelo pastor João Pereira de Andrade e Silva, intitulado "As Assembleias de Deus e o problema educacional", alguns Ministérios já tinham tomado algumas iniciativas nessa área.

A Escola São Paulo, em Madureira/RJ, já era uma realidade, assim como a Escola Primária Nels Nelson, em Manaus/AM. Naquele mesmo ano de 1956, no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo, o pastor Alfredo Reikdal fundou uma escola primária e, em 1957, um concorrido curso de datilografia. Há também o registro fotográfico de 1956 de um educandário em Dourados no atual Mato Grosso do Sul.

Em 1959, o pastor Alcebiades Vasconcelos, ao dar autonomia as congregações da AD em São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, criou o Instituto Filantrópico Evangélico para gerenciar as 07 escolas de nível primário com mais 780 crianças matriculadas. Era um número expressivo de estudantes na rede de ensino da igreja carioca.

Em 1961, A SEARA (maio/junho) também informou que a AD em Belém mantinha as Escolas Primárias Celina Albuquerque com 200 alunos matriculados no bairro da Condor, a Escola José Bezerra no bairro da Pedreira com 84 estudantes, e por último a Escola Plácido Aristóteles no bairro Sacramento com mais 300 crianças matriculadas.

Escola Primária da AD em Dourados/MS em 1956

Com a grandiosidade do trabalho escolar, segundo a matéria, estava sendo construído um prédio muito maior para não somente abrigar as instituições já em funcionamento, como também se projetava "cursos do ciclo ginasial e colegial, além de cursos de Instituto Bíblico para os vocacionados para a Seara do Senhor".

Verdadeiramente um projeto arrojado. Um avanço dentro da denominação, não só pelo notável número de alunos nas escolas, mas também por pensar em instituir, quando a denominação estava no auge dos debates sobre a criação de escolas teológicas, um instituto bíblico.

A AD em Recife/PE, também mantinha uma expressiva rede de 31 escolas primárias. Como aponta as matérias do Mensageiro da Paz de 1964, havia preocupação devido aos "vergonhosos índices de analfabetismo que cobre a Pátria". Alfabetizar para leitura da Bíblia.

Nessa mesma época, o pastor Antonieto Grangeiro Sobrinho, durante sua administração na AD em Joinville/SC, fundou em 1961, a Escola Primária Florianópolis, no antigo templo da congregação do bairro Itaum, a qual era mantida em convênio com poder municipal. 

Esse breve apanhado das escolas criadas por igrejas variadas, mostra como a AD ao longo de sua história não pensou um projeto educacional maior. Aliás, alguns líderes assembleianos pensavam que certas ações sociais não deveriam ser desenvolvidas pela igreja. 

João Pereira, no editorial de 1956, comentou: "Alguns achavam e ainda consideram ser o problema único a pregação do Evangelho para salvação das almas, e que a fundação de Escolas, Institutos ou Ginásios, é questão secundária". 

Infelizmente, ainda é um pensamento corrente entre muitos líderes.

Fontes:

COHEN, Eliezer. E Deus confirmou os seus passos: biografia do pastor Alfredo Reikdal. São Paulo: s/e, 2006.

POMMERENING, Claiton Ivan (Org.). O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.

A SEARA (novembro/dezembro) de 1956.

A SEARA (maio/junho) de 1961

Mensageiro da Paz, 1ª quinzena de setembro de 1946.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de fevereiro de 1948.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de julho de 1949.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de maio de 1951.

Mensageiro da Paz, 1ª quinzena de novembro de 1958

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de julho de 1959.

Mensageiro da Paz, 1ª e 2ª quinzenas de dezembro de 1964.

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