quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Plano Divino através do séculos - clássico do pentecostalismo

Em um tempo em que o ensino teológico formal era uma aberração nas ADs, o missionário norte-americano Nels Lawrence Olson publicou, em 1956, o livro O Plano Divino Através dos Séculos, o qual, tornou-se uma grande fonte de pesquisa, e posteriormente, livro-texto em vários seminários e institutos bíblicos.

Clássico da literatura teológica pentecostal, O Plano Divino Através dos Séculos, ultrapassou a 25ª edição e vendeu mais de 100 mil cópias. Na obra, Olson faz uma descrição detalhada da ação de Deus através dos tempos, seguindo a linha da escola de pensamento teológica conhecida como dispensacionalismo. 

Acompanhando o livro, havia um mapa ilustrado que servia de apoio didático para a ministração dos estudos sobre as dispensações. Num tempo de índices alarmantes de analfabetismo, o mapa era um poderoso instrumento para a compreensão das teorias expostas por Olson em suas mensagens e estudos. Muitos obreiros, seguindo o exemplo do missionário, realizavam estudos com o auxílio do mapa nas congregações.


Pastor Nirton do Santos ensinando o Plano Divino Através dos Séculos

Assim, a teologia da dispensações foi popularizada por todo o Brasil dentro das ADs. Mas vale ressaltar, que esse modelo interpretativo da Bíblia também era pregado por Samuel Nyström e JP Kolenda em suas preleções. O estudo das dispensações também era popular nos EUA nessa época, e por muitas anos dominou o cenário teológico nas ADs e outras denominações pentecostais.

Dentre tantos questionamentos sobre os estudos do Plano Divino, duas questões controversas podem se destacar: uma relacionada ao mundo espiritual e outra de sentido legal (da lei). Na questão mística, Olson defende a distinção entre anjos caídos e demônios. Para ele, os anjos caídos possuíam "corpo espiritual", enquanto que os demônios não. Por esse motivo, nos relatos bíblicos os demônios sempre buscam corpos para habitar.

Na área legal, o famoso missionário defendia à pena de morte, ou simplesmente não adaptou o texto que retratava a realidade estadunidense para a brasileira, pois no Brasil, desde à implantação da República, à pena capital nunca foi utilizada oficialmente. 

A defesa do instrumento jurídico é analisada nas condições da aliança divina com o homem depois do Dilúvio, na chamada Dispensação do Governo Humano, o autor destaca a ordem divina "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu" (Gn 9.6).

Na sequência, há críticas sobre determinadas pressões de cristãos para o fim da pena capital. Essa atitude (de tentar abolir a pena de morte) seria de "crentes mal informados", pois Deus só trata com misericórdia àqueles que aceitam sua graça. Aos que rejeitam à graça e vivem na prática dos crimes é a aplicação severa da lei. Somente "o medo da morte" é o "freio" do homem sem Deus - conclui Nels Olson.

Mesmo com o sucesso do livro e suas várias reedições, essas idéias não chegaram a influenciar tanto nas pregações dos obreiros nativos. Sabe-se, por exemplo, que nas prisões há um intenso trabalho de evangelização por parte das igrejas. Caso a pena de morte fosse aplicada com rigor, menos convertidos fariam parte das congregações nos presídios.

Após seis décadas de sua primeira publicação, O Plano Divino Através dos Séculos ainda é referência para muitos ensinadores. Outra questão também pode ser refletida ao relembrar a obra: a influência contante dos autores norte-americanos no pentecostalismo no Brasil. Basta pesquisar os catálogos das editoras nacionais.

Com a palavra os entendidos da área...

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

OLSON, Nels Lawrence. O Plano Divino através dos séculos. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

revista.faculdadeunida.com.br/index.php/unitas/article/download/429/361

7 comentários:

  1. Homem de Deus
    Pr Lourenço
    meu saudoso professor no IBP

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  2. Não tenho dúvida que o Missionário Lawrence Olson foi um grande homem de Deus, gosto muito de ouvir suas mensagens, sempre ouvi elas na Rede Aleluia(Do Edir Macedo) atá hoje não entendi porque passava por lá??? Ele foi um pioneiro na radiodifusão nas Assembleia de Deus em um tempo que era proibido ter radio em casa, ver se pode? Uma outra cousa que me deixou um pouco frustrado foi saber que O plano divino através dos séculos foi plagiado da Bíblia de Estudo Dake. Rsrs vida que segue ninguém é perfeito né???

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  3. Colega claudio henrique,discordo da sua afirmação em dizer que o livro foi plagiado da Bíblia de Estudo Dake.
    isso é uma inverdade. como está no texto acima ,o livro foi publicado em 1956 , e a Bíblia Dake em 1963 em sua obra completa.
    Link para consulta : https://www.dake.com/history

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    1. Meu prezado Ivanildo graça e paz! Essa informação não é minha é do ex-funcionário da CPAD chamado Judson Canto foi publicado no seu blog. Além do mais esse mapa foi publicado em 1928.


      Veja o mapa da Dake: http://www.dakebible.com/dake-chart-big.htm

      Data publicação: http://www.dakebible.com/catalog/finis-dake-plan-of-the-ages-bible-chart-large-finis-dake-1558292004


      Veja a máteria do Judson Canto: https://judsoncanto.wordpress.com/2010/06/21/biblia-dake-mudancas-nao-estavam-autorizadas/


      Abraços,
      By Claudio H.

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  4. Uma outra cousa meu prezado Ivanildo. Em entrevista concedida ao irmão Judson Canto, o Pastor Antônio Gilberto diz que foi o Pastor Lawrence Olson que recomendou ele comprar a Bíblia Dake 1969. Então o pastor Lawrence Olson já conhecia a algum tempo os escritos do Dake.

    https://judsoncanto.wordpress.com/2010/02/12/biblia-dake-pastor-antonio-gilberto-fala-a-o-balido/

    By Cláudio H.

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  5. Lembrança carinhosa do Pastor Nirton Santos, homem de Deus, estudioso da Palavra, que já a leu muuuuuuuitas vezes!!!

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  6. Dake foi para os americanos o que Olson foi para os brasileiros na área teológica. Isso é fato incontestável!

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