CGADB de 1987 - um desastre para a unidade da igreja
Centro de Convenções, Salvador, Bahia. Foi nesse local que, entre os dias 19 e 23 de janeiro de 1987, a CGADB realizou uma das mais disputadas convenções de sua história. Nesse conclave, o Ministério de Madureira e os representantes da Missão travariam um embate acirrado.
Apesar de historicamente ser um fato recente, o evento ainda é cercado de polêmicas e versões desencontradas. Mas, em um ponto há algo nessa CGADB, que é inegável: o conflito de interesses, os quais colocaram as lideranças da Missão e Madureira em forte antagonismo, mesmo que em anos anteriores as tentativas de conciliar as divergências tenham sido constantes.
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MP de 1987: CGADB desastrosa para a unidade das ADs |
É fato que, depois do falecimento de Paulo Leivas Macalão em 1982, as cobranças sobre Madureira se intensificaram. Tido como expansionista Macalão e seu ministério eram vistos com reservas por muitos pastores da AD. Freston fala que a morte de Macalão "foi o sinal para que os outros líderes assembleianos aumentassem a pressão contra Madureira, talvez esperando que implodisse". Sem seu respeitado e mítico fundador, a liderança de Madureira lutou e se articulou para superar as dificuldades.
Mas, contraditoriamente, o discurso naquela década era de união, e quando mais as lutas se intensificavam, mais a ênfase na unidade era exaltada. Porém, a realidade das convenções era incompatível com a retórica oficial. Na CGADB de 1981, os pastores Luiz Bezerra da Costa e José Pimentel de Carvalho concorreram à presidência da instituição. Luiz Costa afirmou estar convicto de sua candidatura, porém alguns "convencionais se manifestaram não concordando com a candidatura" do irmão mais velho de José Wellington.
Em 1983 na cidade de Vila Velha (ES), a convenção ocorreu sob o tema "A unidade da Igreja". Mas de forma irônica, o encontro nacional foi marcado com a disputa de quatro chapas concorrentes, numa eleição polarizada entre Manoel Ferreira e José Wellington, onde houve até recontagem de votos e grande celeuma. Em Anápolis (GO) em 1985, sob fortes tensões e expectativas, foi aclamada a "chapa do consenso", a qual revelava de forma velada o enorme dissenso das lideranças.
Em 1987, o nível de tensões na CGADB chegou a um ponto máximo, as quais se arrastavam durante anos, pois em cada conclave as divergências aumentavam. Porém, alguns fatores contribuíram para arruinar a frágil conciliação entre os ministérios. Grandiosa em números de participantes, a CGADB daquele ano foi desastrosa para a unidade das ADs.
Ainda que o Mensageiro da Paz tenha observado que "A maior preocupação de todos...era com a unidade da igreja", a qual "deveria ser preservada qualquer que fosse o resultado da eleição", as ações por parte de muitos obreiros visou justamente o contrário. Em suma: para a Missão foi uma grande vitória. Para Madureira um golpe, uma traição.
Na próxima postagem as versões dos acontecimentos serão detalhadas. A narrativa dos principais atores dessa disputa revistas, e assim um novo quadro histórico poderá ser construído daquela memorável convenção.
Fontes:
ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.
FRESTON, Paul. Breve História do
Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI,
Alberto. Nem anjos nem demônios;
interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.
Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, março de 1987
Infelizmente, nada disso depõe a favor dos ideais dos pioneiros. E só atrapalha nossa trajetória.
ResponderExcluirEstava com saudades,irmão Mário Sérgio!Muito bom!Continue postando!
ResponderExcluirDe seu fiel leitor,
Na sua auto-biografia, bem no final, o pastor Alcebíades Vasconcelos, critica a politica agressiva e o vale tudo pelo poder do pastor Manoel Ferreira.
ResponderExcluirCaro Heider, na próxima postagem estarei abordando essa versão. Aguarde!
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