domingo, 6 de setembro de 2015

AD em Madureira e seu conservadorismo

*Por André Silva

Quando o assunto é usos e costumes, uma igreja é lembrada por seu passado de extremo rigor no assunto: a Assembleia de Deus do Ministério de Madureira. Conhecida por ser uma igreja de oração, sinais e prodígios e de crescimento vertiginoso, Madureira também era famosa pela exclusão de membros, e a cobrança exacerbada dos usos e costumes tidos por muito tempo como doutrina primaz.

Há diversas informações de fatos que marcaram o período de extremismo, onde o conceito do pastor Paulo Leivas Macalão a respeito de usos e costumes era lei. Conservador, Macalão colocou de forma oficial as regras para manter inalterados os costumes nas Assembleias de Deus.

O Ministério de Madureira se manteve conservador na área de usos e costumes, tendo por longo tempo regras rígidas para os membros. As mulheres eram proibidas de usar cabelos soltos e de cortá-los. Saias curtas, decotes, pinturas, roupas justas, maquiagem e jóias também eram condenadas. os membros não podiam usar adereços, no máximo a aliança de noivado ou casamento. Aos homens era proibido o uso de barba ou cabelos longos, bem como o uso de bermudas e de lazeres como ir à praia, cinema, futebol e teatro.

AD Madureira: Extremismo em usos e costumes
A televisão era terminantemente proibida. O pastor Paulo Leivas Macalão declarou certa vez:
Desde as minhas visitas a outros países, tenho notado que os melhores programas são os imorais, esses aparelhos têm trazido uma contribuição negativa para a vida da igreja, tanto no aspecto espiritual com também no aspecto físico de cada crente, eu não possuo nem desejo possuir televisão em minha casa, todo cuidado devemos ter para que os crentes permaneçam afastados desse meio de comunicação.
A Igreja em Madureira, além dos usos e costumes tradicionais assembleianos, também designou o uso de meias grossa e manga longa para as mulheres. Aos homens era determinado o uso do chapéu e terno. Era proibido bater palmas nos cultos e ao adentrar no culto de membros (alusão ao antigo culto de doutrina), o mesmo deveria apresentar o cartão de membro, o qual era extremamente valorizado, e só participavam da Santa Ceia os crentes em comunhão.

Macalão em entrevista ao Mensageiro da Paz (novembro de 1979), o declarou: "o mundo, portanto evolui para o pecado. A igreja deve evoluir para a santidade". Assim, o rigor das proibições eram vistos como uma busca pela “santidade” pessoal perante a sociedade, dentro dos padrões exigidos pelas Assembleias de Deus.

Tal rigor levou os principais ministérios da AD do Rio de Janeiro na década de 1960, a passar por atritos entre sua lideranças. O Ministério de Madureira e de São Cristóvão rivalizavam devido a questão dos usos e costumes. Madureira afirmava que era a igreja original brasileira, enquanto tachava de liberal a Assembleia de Deus em São Cristóvão - denominada respectivamente de “Igreja da Missão” – assim as igrejas fundadas e lideradas pelos suecos.

A Assembleia de Deus de Madureira passou a não aceitar os membros de São Cristóvão e considerava aquelas igrejas como “desviadas”. Macalão pregava em Madureira aos brados que os crentes da Assembleia de Deus da “Missão” não estavam em santidade como deveriam, porque lá eles não andavam como “os verdadeiros crentes das Assembleias de Deus”. “Eles estão andando como mundanos” enfatizava ele.

Já o pastor Túlio Barros Ferreira (líder de São Cristóvão) sempre defendia a sua posição: “Eu diria que a Assembleia de Deus em São Cristóvão é a igreja original. Ela deu realmente origem a todas as igrejas das Assembleias de Deus do Rio de Janeiro”.

Para amenizar os conflitos foram realizados nos dias 31 de janeiro e 14 de fevereiro de 1971 dois cultos de confraternização, respectivamente, na Assembleia de Deus de Madureira e na Assembleia de Deus em São Cristóvão.

Em Madureira, no início do culto, o pastor Paulo Macalão passou a direção do trabalho ao pastor Túlio Barros Ferreira, que pregou a mensagem oficial da noite, falando dos esforços ininterruptos que o inimigo de nossas almas, Satanás, tem empregado para tentar dividir as Assembleias de Deus no Brasil; mostrou que o Leão da Tribo de Judá, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, interferira em favor do seu povo, fazendo brotar nos corações o espírito conciliatório, e envergonhando o inimigo. 

O pastor Túlio Barros salientou que não existe mais a Assembléia de Deus do Ministério de Madureira e a Assembleia de Deus do Ministério de São Cristóvão, e sim uma só igreja. Nesta atmosfera saturada pelo Espírito Santo, o culto foi encerrado.

Semelhantemente, o Espírito de Deus pairava entre as centenas de irmãos que se reuniram na Assembleia de Deus em São Cristóvão, no culto de retribuição à visita feita a Madureira. Nesse culto ficou patente que a única finalidade das Assembleias de Deus no Brasil é arrancar as almas das garras de Satanás, para fazerem parte de um Reino que tem sua sede no Céu, onde não há divisões.

Em 1971, na Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, realizado em Niterói (RJ) - Na sessão convencional da manhã, do dia 20/01, os convencionais apreciaram as pazes dos pastores Túlio Barros e Paulo Macalão, que antes com o desentendimento não se saudavam nem com a “ Paz do Senhor”.

Nota do editor do blog: nessa questão da saudação qualquer semelhança com alguma região do Brasil é mera coincidência...

ANDRÉ SILVA foi ministro do Evangelho pela CONAMAD. Historiador e pesquisador da História do Ministério de Madureira. Autor do livro História da Assembleia de Deus em Bangu. Colaborador com o material histórico da Bíblia do Centenário das Assembleias de Deus e livro histórico do Cinquentenário da CONEMAD-RJ, ambos lançados pela Editora Betel.

5 comentários:

  1. Gostaria de saber de qual das duas saiu a da Missão do pastou Anselmo em BH/MG

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  2. A palavra de Deus não muda,então não devemos mudar,se mudar que seja para melhor,as mudanças hoje normalmente parte para usos e costumes mundanos.

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  3. E pensar que, infelizmente hoje, as AD's Madureira já autorizam Pastores e Líderes a se divorciarem e casarem - se novamrbte, contrariando a Bíblia Sagrada. É lamentável !

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  4. A primeira igreja que congreguei em 1980, era uma Assembleia de Deus muito rígida. Era difícil ja que o julgo era pesado e os membros ainda eram vigiados pelos próprios irmãos. Um julgava o outro. Se alguém passasse uma base na unha já era motivo de gabinete. Eu me vestia para ir a praia com minha mãe e meus irmãos,se no caminho eu encontrasse o pastor,eu corria pra casa. Era proibido ir a praia. Minha mãe era espírita umbandista, minha irmã mais velha era católica filha de Maria e só eu evangélica. Minha mãe começou me proibir de frequentar os cultos, ela dizia que eu ia acabar ficando louca. Hoje todos os meus parentes sao evangélicos. Eu congrego em uma Igreja que mesmo sendo Ass de Deus, não tem mais esse julgo que a minha antiga igreja tinha. Sou livre para dirigir minha vida em aaadoração. Me visto com ordem e decência,quase nao vou a praia porquê nao gosto muito do sol, quando vou,por opção, uso short.
    Todos os julgos que a igreja coloca atrapalhava minha família de visitar minha igreja, isso só aconteceu após 15 anos, quando retornei pra igreja,mas com outra denominaçao: Nova Vida, que foi quando voltei para o SenhorJesus. Hoje dificilmente encontramos esse tipo de igreja cheia de costumes que afastava o povo do nosso Deus. Glória a Deus!

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  5. A primeira igreja que congreguei em 1980, era uma Assembleia de Deus muito rígida. Era difícil ja que o julgo era pesado e os membros ainda eram vigiados pelos próprios irmãos. Um julgava o outro. Se alguém passasse uma base na unha já era motivo de gabinete. Eu me vestia para ir a praia com minha mãe e meus irmãos,se no caminho eu encontrasse o pastor,eu corria pra casa. Era proibido ir a praia. Minha mãe era espírita umbandista, minha irmã mais velha era católica filha de Maria e só eu evangélica. Minha mãe começou me proibir de frequentar os cultos, ela dizia que eu ia acabar ficando louca. Hoje todos os meus parentes sao evangélicos. Eu congrego em uma Igreja que mesmo sendo Ass de Deus, não tem mais esse julgo que a minha antiga igreja tinha. Sou livre para dirigir minha vida em aaadoração. Me visto com ordem e decência,quase nao vou a praia porquê nao gosto muito do sol, quando vou,por opção, uso short.
    Todos os julgos que a igreja coloca atrapalhava minha família de visitar minha igreja, isso só aconteceu após 15 anos, quando retornei pra igreja,mas com outra denominaçao: Nova Vida, que foi quando voltei para o SenhorJesus. Hoje dificilmente encontramos esse tipo de igreja cheia de costumes que afastava o povo do nosso Deus. Glória a Deus!

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