quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A celebração da Ceia: transformações na liturgia

A celebração da Ceia, principalmente a utilização do cálice individual ou coletivo, foi motivo de muitas polêmicas, e até mesmo tomado como símbolo (no caso da AD em Abreu e Lima) de rompimento com a tradição implantada pelos missionários suecos nas ADs no Brasil.

As discussões começaram na CGADB de 1935, e se arrastaram pelo menos por mais 5 décadas. Nos anos 30, as polêmicas envolveram as igrejas do norte do país, mas continuaram por muito tempo. Em um artigo intitulado Cálice "comum" ou "individual" escrito para o Mensageiro da Paz (2ª quinzena de março 1965), o articulista Paulo Santos fornece algumas informações que esclarecem melhor as celeumas dentro da igreja.


Ceia na AD em São Cristóvão (RJ): décadas de debates em torno do uso do cálice
Reconhece o escritor que, dentro das ADs o "pão é ministrado de modo idêntico em todas as igrejas, em todos os lugares", mas percebia que no partilhar o vinho "não há uniformidade", sendo que algumas igrejas adotavam copos grandes para uso comum ou cálices individuais. Para Santos, o uso do cálice comum era anti-higiênico e não recomendável, pois colocava em risco a saúde do fiel. Porém, segundo o escritor, a defesa de alguns para a continuação do uso do cálice comum consistia em ser essa prática um "ato de fé", e portanto aceitável nas práticas litúrgicas da denominação.

Percebe-se, nas argumentações do autor, que há um embate entre a racionalidade e o desejo de higienização, resultante de uma educação mais apurada, contra os costumes praticados em nome da fé, os quais já não mais se coadunavam com os tempos modernos. O articulista, favorável ao uso dos cálices individuais, clama para que as ADs tenham seus usos e costumes "definidos e padronizados" em todas as regiões do Brasil. Para ele, entre uma ou outra prática, deveria-se "escolher e preferir" àquela que fosse bíblica e mais apresentável, ou seja, o uso do cálice individual.

Mas possuir usos e costumes "definidos e padronizados" dentro das ADs no Brasil  - pelo menos nessa questão - seria ainda uma utopia longe de se realizar, pois anos depois desse artigo, algumas igrejas ainda continuariam a celebrar a Ceia "à moda antiga". Um exemplo disso foi o Ministério do Belém em SP. José Wellington Bezerra da Costa informa em sua biografia, que ao assumir o ministério em 1980, resolveu mudar do cálice único para o individual. Mas antes dessa mudança, conta ele que fez um estudo sobre a Ceia, mas mesmo assim uma pequena minoria não concordou; porém prevaleceu o consenso sobre o uso do cálice individual.

Todas essas discussões revelam, como nas ADs diversos costumes e liturgias ainda conviviam lado a lado no tempo. A Ceia é um exemplo disso, mas outras questões como o uso da televisão, corte de cabelo feminino, forma de louvor e participação política entre outros, foram muito debatidos não sendo aceitos de pronto em todos os ministérios e por toda a liderança. As ADs como toda instituição sempre foi resistente as novidades, e em muitos casos como autodefesa, se fechava ainda mais em alguns aspectos.

Hoje, o cálice individual é praticamente onipresente em todas as ADs no Brasil. Porém, ainda não há uniformidade na sua celebração, pois dependendo da região e do ministério, a liturgia é diversificada. Não só diversificada, como controlada. Mas esse é um assunto para a próxima postagem.

Fontes

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAUJO. Isael. José Wellington: biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

MENSAGEIRO DA PAZ. 2ª quinzena de março de 1965. Rio de Janeiro: CPAD.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Ceia nas ADs: polêmicas e "quebra de tradições"

A celebração da Ceia, juntamente com o Batismo em Águas é um dos rituais que dão legitimidades as igrejas consideradas herdeiras da Reforma Protestante. As denominações pentecostais desde sua gênese praticam essas duas ordenanças e pelo que se observa na história assembleiana, é justamente na forma de ministração da Ceia que as polêmicas foram maiores e mais demoradas.

Ao que tudo indica, os missionários suecos ao implantar a denominação no Brasil começaram a celebrar a Ceia com cálices coletivos. Era a interpretação das palavras de Cristo na última ceia: "bebei dele todos", entendida como o dever de ser tomar o fruto da vide na mesma taça. Ainda segundo registros mais antigos, também partiu dos suecos a orientação de restringir aos membros batizados em águas a participação na celebração.

Ceia em Madureira com cálices coletivos: tradição sueca preservada

Na CGADB de 1933, o missionário Nils Kastberg orientou para que a Ceia, só fosse ministrada "aos que, havendo sido batizados por imersão, demonstrem estar em comunhão e na mesma fé com as Assembleias de Deus". Outra orientação, foi a de que o ritual somente deveria ser realizado nas igrejas; salvo algum caso de impedimento de saúde ou de idade.

Mas foi na CGADB de 1935, que as discussões sobre o uso do cálice coletivo ou individual começaram. Segundo os escritor Silas Daniel nessa convenção "foi tratada a uniformização no uso do cálice na Ceia." A questão foi levantada devido ao fato de "algumas Assembleias de Deus começarem a usar cálices individuais na ministração da Ceia, enquanto todas as outras usavam um cálice comum para todos." Ainda segundo o autor, após muito debates, ficou resolvido que cada igreja fizesse o que lhe conviesse.

Porém, há alguns detalhes dessa polêmica, as quais não estão incluídos na narrativa oficial. Segundo relato do 1º secretário da convenção, o sueco Joel Carlson (informações essas transcritas no Mensageiro da Paz), o debate teve inicio após recebimento da carta de um irmão do Rio Grande do Norte, o qual pedia que a convenção tratasse dessa questão do uso do cálice. Na continuação, Carlson detalha ainda que, o uso do cálice individual, estava sendo feito em "algumas" ADs Deus no norte do país.

Seria essa polêmica em torno da celebração da Ceia, uma manifestação simbólica da rejeição de algumas ADs da influência sueca? A carta de um fiel do Rio Grande do Norte pode ser uma pista. No referido estado, liderava a AD o pastor Francisco Gonzaga da Silva. Foi em sua liderança em Natal em 1929 que ocorreu a reunião preliminar de pastores brasileiros que convocou a 1ª CGADB, a qual ocorreu no ano seguinte na mesma cidade. Seu nome está na chamada de convocação da 1ª CGADB juntamente com outros pastores nativos, e sua trajetória ministerial não deixa dúvida sobre a proeminência desse líder nas ADs no Brasil. Após pastorear a AD em Natal, transferiu-se para a AD em Santos, sendo o primeiro pastor nacional dessa igreja, e por um tempo liderou simultaneamente as ADs em Santos e em São Paulo - Capital.

Pode até não ter partido de Francisco Gonzaga da Silva essa postura de mudança de liturgia, mas o fato de se mencionar as igrejas do norte como pioneiras no uso individual do cálice é emblemático. Vinte anos depois em Pernambuco essa questão foi novamente levantada, e mais uma vez serviu como simbolo de "quebra de tradição". Na igreja de Abreu e Lima nos anos 50, a celebração da Ceia com cálice individual foi vista como rompimento com os costumes implantados pelos escandinavos, e um sinal de independência do ministério de Abreu e Lima em relação à AD no Recife, pois se censurava na época o seu líder dizendo que "o pastor José Rosa rompeu com a tradição sueca, trazida por Joel Carlson, sobre o cálice da Ceia. Parece que saiu da doutrina".

Mas, enquanto algumas igrejas do norte e nordeste rompiam com a tradição sueca, no RJ nessa mesma época as ADs de São Cristóvão e de Madureira preservavam o uso dos cálices coletivos. Uma foto no Dicionário do Movimento Pentecostal (p.536) e em outra postada acima nesse blog evidenciam que no mesmo período, os dois ministérios usavam os cálices coletivos na celebração da Ceia. Pelo que se percebe, Paulo Macalão pelo menos nesse aspecto não demonstrou independência em relação aos suecos. Pelo menos nisso...

Fontes:

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

MENSAGEIRO DA PAZ. 1º quinzena de novembro de 1935. Rio de Janeiro: CPAD.

SANTOS, Roberto José. (Org.). Assembleia de Deus em Abreu e Lima - 80 Anos: síntese histórica. Abreu e Lima: FLAMAR, 2008.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

J. P. Kolenda e a profissionalização do ministério

Um homem que marcou e "incomodou" sua época. Assim pode ser descrito o trabalho do missionário John Peter Kolenda, ou simplesmente J. P. Kolenda. Nascido na Alemanha em 1898, filho de um pastor luterano que trabalhou em comunidades de colonização alemã no Rio Grande do Sul, Kolenda residia nos Estados Unidos quando, após a conversão, teve contato com o movimento pentecostal. Ordenado pastor ainda jovem sentiu uma forte chamada ministerial.

Quando foi convidado para ajudar no trabalho missionário no Brasil, JP já era um obreiro experiente e destacado nos EUA. Kolenda veio trabalhar (tanto ele como outros missionários da AD estadunidense) em regime de cooperação com a Missão Sueca, inclusive se sujeitando as normas e aos métodos de trabalho dos suecos. Essa sujeição era uma exigência dos escandinavos, pois estes se viam como pioneiros do trabalho pentecostal em terras brasileiras, e não queriam a princípio ceder lugar aos estadunidenses.

Kolenda com pastores catarinenses: crítica ao profissionalismo ministerial

JP chega ao RJ no ano de 1939, e para curiosidade e espanto geral, desembarca com seu Chevrolet e aluga um apartamento em Copacabana. Era evidente que a postura e o status financeiro dos obreiros vindos da América do Norte era vista com reservas pelos suecos. Segundo Paul Freston, não foi só isso que trouxe dificuldade de aceitação por parte dos missionários. Para o sociólogo a "ênfase americana em educação teológica e a atitude menos severa na área de costumes" contribuíram para vários conflitos entre os missionários estadunidenses, suecos e brasileiros. 

Logo, JP seguiu para o Estado de Santa Catarina onde o trabalho ainda era muito modesto. Juntamente com outro missionário estadunidense, organizaram a AD em Santa Catarina e promoveram as bases para seu maior crescimento. De forma simultânea, Kolenda estava envolvido nos grandes debates acerca do ensino teológico nas Convenções Nacionais. Não foram poucos os debates sobre esse assunto, muito dos quais JP foi rechaçado pela liderança das ADs brasileiras. O tema sobre a melhor formação dos obreiros era necessário e incômodo. Mas não havia acordo entre as partes, e as discussões prosseguiram durante muitos anos.

Porém, foi em outro projeto que Kolenda foi bem sucedido. Lançou uma campanha financeira nos EUA e no Brasil em favor da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), para compra de maquinários e aquisição de um prédio próprio para a editora. Conseguiu ainda trazer um técnico dos EUA para ajudar na instalação gráfica. O sonho do instituto bíblico JP não conseguiu concretizar, deixando esse desafio para seus sobrinhos João Kolenda e Dorris Lemos.

Deixou Santa Catarina em 1952, se dedicando tão somente a CPAD no RJ. Ainda nos anos 50 partiu para a Alemanha, país arrasado pela guerra, para ali ajudar na reconstrução das igrejas, fundando inclusive um instituto bíblico em seu país de origem. JP voltou outras vezes ao Brasil, e na década de 70 ajudou a implantar na AD em Belém um instituto bíblico. Em outras vezes esteve em SC para ministrar estudos bíblicos e rever parentes, amigos e obreiros.

Em uma de suas visitas à CPAD no RJ no ano de 1969, Kolenda é entrevistado para o Mensageiro da Paz. Uma das perguntas feitas ao legendário obreiro foi "qual o maior problema que se depara as Assembleias de Deus presentemente?" A resposta do antigo pioneiro surpreendeu por sua aguda observação das transformações em curso no seio das ADs. Para ele o maior problema das ADs no Brasil e no mundo era "a tendência para a acomodação entre os crentes e o profissionalismo ministerial." Ainda segundo Kolenda "o ministério têm perdido o fervor da evangelização, trocando-o por um ministério que é apenas uma profissão".

Chega a ser uma ironia essa constatação, pois quando ele e outros obreiros defendiam os institutos bíblicos, geralmente eram acusados de querer montar uma "fábrica de pastores" dentro das ADs. Agora JP revela outra preocupação e observa uma tendência, a qual se aprofundaria durante os anos seguintes e, chegaria aos dias atuais como uma triste e sórdida realidade: o ministério visto apenas como profissão, meio de vida e fonte de lucro.

Hoje as ADs transformaram-se em uma verdadeira fábrica de pastores. Porém, esse obreiros não são feitos em institutos, mas em famílias pastorais, atuando em uma espécie de plano de carreira ministerial. Plano esse que não exige nada mais do que uma boa filiação, parentesco, casamento ou lábia para ser bem sucedido. Sim, conforme diagnosticou JP, o ministério para muitos se transformou em uma atrativa profissão. E quem paga essa conta e as benesses de uma vida de muitos privilégios?

Fontes

ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.

MENSAGEIRO DA PAZ. Junho de 1969 - nº 12. Rio de Janeiro: CPAD.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Josias Pereira Santiago: revisitando a vida de um pioneiro

A vida e a obra de Josias Pereira Santiago representa fielmente um período da história das Assembleias de Deus no Brasil. Evangelista da igreja nos anos 60 e 80 do século XX, sua biografia é um retrato exemplar do grande trabalho de pregação do evangelho executado por obreiros que, infelizmente, raras vezes aparecem nas histórias oficiais da denominação.

Josias nasceu em 1926 na localidade de Rio Branco, então município de Iapu (MG), e ainda jovem teve muitas responsabilidades. Ajudava na criação dos irmãos menores, e como muitos jovens da sua época gostava de aproveitar a noite em bailes, onde revelava seus talentos musicais, principalmente na sanfona. 

Logo ao casar-se em 1956, adoeceu gravemente. Em meio a recuperação da enfermidade, um dos seus irmãos pregou-lhe o evangelho e Josias aceitou a fé pentecostal. Pouco depois o casal Josias e Ana se converteu a Cristo em um culto dirigido pelo então evangelista Marcolino Gonçalves Lopes, na residência do seu irmão na localidade Águas Claras (hoje pertencente ao município de Santana do Paraíso). Em 1958 Josias Santiago é batizado nas águas em Coronel Fabriciano, pelo pastor José Alves Pimentel. 

Josias: de pé ou a cavalo sempre pregando o evangelho
Como todo novo convertido, o jovem Santiago queria colaborar na obra pentecostal da sua região. Convidado pelo pastor Pimentel auxiliou trabalhos e atendeu várias igrejas no interior do Estado mineiro. As igrejas nesse tempo, além de serem pobres e de recursos financeiros limitados, eram de difícil acesso. Para visitá-las eram necessárias longas caminhadas, ou o uso da bicicleta ou do cavalo. Certa vez o intrépido evangelista cruzou 14 km a pé para levar a ceia a um grupo de fieis na localidade com o exótico nome de Bom Jesus do Bagre no distrito de Belo Oriente. Em outros momentos, longas distancias foram vencidas na cela de um cavalo.

Seu filho Jacó Santiago lembra que seu pai não era um pregador eloquente. Como muitos obreiros da sua época, suas mensagens eram marcadas pela simplicidade e expressões inusitadas; engraçadas até. Mas percebendo suas limitações procurava ler bons livros teológicos e ministrar estudos bíblicos nas congregações por onde passava e realizar seminários para os jovens. De temperamento sanguíneo, Josias procurava conduzir o rebanho de forma amorosa, mas uma vez ou outra seu lado irritadiço despontava, principalmente no zelo pela "doutrina", o qual lhe custou afastamentos da direção de algumas igrejas e até ameaças de agressões físicas.

As igrejas pastoreadas por Josias Santiago cresceram. Algumas mais que outras, mas é fato que em uma delas a AD em Belo Oriente hoje conta com mais de 2.500 crentes na região, várias congregações e templos construídos.

Revisitar a vida do pioneiro, e conhecer ainda que parcialmente de seu trabalho evangelístico, é uma forma de refletir sobre as transformações da própria igreja e da sociedade nesses últimos anos. Pregar o evangelho nesse tempo era um trabalho árduo, sofrido e de muitas carências sociais e financeiras. Pioneiros como Josias Santiago se entregavam sem esperar receber nada em troca. Tanto é que sua família não enriqueceu através do ministério e Josias morreu vitima de complicações de um AVC numa situação material e financeira muito humilde em 2008.

Suas limitações de oratória, teológica e de trato com as pessoas, eram compensadas com muito sacrifício e determinação. Hoje, infelizmente muitos possuem muito mais facilidades, ou até qualificações para servir a igreja, mas dela se servem e se apropriam como simplesmente um negócio. Quanta falta faz um pioneiro de espírito desbravador como Josias Santiago.


Para saber mais do pioneiro acesse:

Agradeço as informações de Jacó Santiago, filho do pioneiro homenageado nesse texto.

sábado, 26 de outubro de 2013

Assembleia de Deus no Ceará: um caso militar

Um dos maiores desafios para os historiadores da AD é pesquisar sobre os fatos polêmicos da trajetória da denominação e dos seus líderes. O silêncio sobre certos acontecimentos, a omissão de informações, e a falta de registros escritos ou orais, fazem que a simples história oficial prevaleça. Sendo assim todo um contexto social e político se perde.

O caso da cisão da AD no Ceará é um exemplo. A grande turbulência ocorrida na denominação nos anos 60, ao que tudo indica, só foi resolvida com a influência política e militar. Luiz Bezerra da Costa tentou substituir o sogro na liderança, mas não conseguindo tal intento e, vendo certa rejeição do ministério ao seu nome, resolveu dar autonomia a congregação o bairro Bela Vista em Fortaleza.

AD Bela Vista: cisão com apoio militar?
Nesse processo de independência, a AD em Fortaleza viveu dias traumáticos. Gedeon Alencar, que na época dos acontecimentos era criança e filho de um pastor local, relembra em sua tese ter visto e ouvido "muitos relatos de gente que bateu e apanhou na "guerra campal" acontecida após a morte do Pr. José Teixeira Rego".

A ordem cronológica dos fatos aponta o início dos problemas ainda em 1960 com a morte do pastor Teixeira Rego. A AD Ministério de Bela Vista é fundada oficialmente em 1963, mas as desavenças continuam até 1966, quando um acordo é selado na CGADB. As "guerras campais" devem ter ocorrido nesse período e o fator militar pesou para a emancipação da igreja de Luiz Costa.

O genro do falecido pastor, Luiz Costa além de possuir um status social e político elevados a época, era também militar da reserva, e desfrutava de prestígio nesse meio, pois em setembro de 1959, a AD em Fortaleza realizou uma série de cultos com a presença maciça de militares de diversas denominações. Entre os preletores, estava justamente o então evangelista Luiz Costa. Então, apoio de classe com certeza ele teve em meio as complicações ministeriais.

Outro importante fator foi que, justamente nessa época, os militares estavam em alta, pois a partir de 1964 o Brasil passou ser comandado por generais golpistas. Há evidências de que pelo menos um grupo deles apoiou Costa na emancipação da igreja, pois na solenidade em homenagem aos 50 anos da fundação da AD em Bela Vista, a Câmara Municipal de Fortaleza homenageou os fundadores do ministério. Além do casal Costa, são citados como colaboradores os "obreiros tenente Mendonça, sargento Sobrinho, diácono João Moreira, tenente Severino Pedro de Lima, entre outros." Como se vê um número considerável de fardas em prol de um trabalho evangélico.

Gedeon lembra, que na sua infância sempre ouvia referências aos militares nas conversas sobre a cisão da AD, porém não entendia as razões das mesmas, mas com certeza devem estar ligadas ao apoio da classe aos colegas dissidentes. Mas algumas perguntas ficam no ar: as "guerras campais" foram da parte dos líderes da AD do templo matriz para reaver a congregação rebelde? Foi nesse momento que Luiz Costa e seus colaboradores usaram em pleno regime militar à força da instituição para conseguir seus intentos? Emiliano Costa, novo pastor da AD matriz empossado em 1962 teve que aceitar a contragosto a imposição da caserna nos assuntos eclesiásticos?

Questões como essas precisam de respostas mais claras. A história oficial camufla em prol da edificação dos fieis as circunstâncias. É fato que os evangélicos de modo geral apoiaram o regime militar, e receberam o golpe como "Providência Divina" para salvar o país do comunismo. Como será, que essa possível intervenção dos militares em nível local foi recebida? Mais um pergunta que não quer calar...

Fontes

ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleias Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington: Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

Revista A Seara out/dez de 1959: CPAD

sábado, 19 de outubro de 2013

Assembleia de Deus no Ceará: cisão e turbulência

Em 2014 a Assembleia de Deus no Estado do Ceará comemorará seu centenário. O movimento pentecostal em terras cearenses começou com o trabalho de evangelização de uma mulher. Maria de Jesus Nazareth, no ano de 1914 pregou aos seus familiares e conhecidos na Serra de Uruburetama.  Posteriormente o trabalho, entre altos e baixos se expandiu, chegando à capital Fortaleza em 1923.

Entre os primeiros líderes da igreja estão nomes de renome da AD: Antônio do Rego Barros, Bruno Skolimowski e Julião Pereira da Silva. Mas o grande nome de destaque desse período foi o do pastor José Teixeira Rego. Quando assumiu a igreja definitivamente no dia 1º de maio de 1932, o trabalho contava apenas com 42 membros em comunhão e 11 congregados. Na sua administração, a obra se desenvolveu adquirindo um espaço próprio para realização dos cultos e, 10 anos depois de sua posse, a igreja contava com 1.450 membros na capital e mais 4.000 espalhados pelo interior cearense.

Luiz Bezerra da Costa: um perfil inusitado para sua época
Mesmo com as perseguições, a denominação crescia e Teixeira Rego firmou-se como pastor regional. Porém em 1960, quase 3 décadas depois de assumir a igreja, pastor José veio a falecer subitamente. Sua morte causou grande comoção e uma traumática luta pela direção da AD na capital. E entre os candidatos a sucessão, estava seu genro, Luiz Bezerra da Costa.

O então evangelista Luiz Costa, era uma figura de destaque na igreja e na sociedade. De uma família de comerciantes, possuía um perfil inusitado para a época. Completou seus estudos secundários formando-se em direito. Atuando na advocacia, chegou a ser assessor jurídico de destaque, dando-lhe com isso projeção política para ser eleito deputado estadual em 3 legislaturas, num tempo que a participação política era algo distante para os crentes.

Segundo seu irmão José Wellington B. da Costa, Luiz tinha muito prestígio político, pois além de ser deputado controlava nomeações de autarquias estaduais, atuava como secretário da Assembleia Legislativa, e liderou por um período a bancada do governo. Consta também que ele era militar da reserva, e participava de negócios imobiliários. Além de tornar-se genro do presidente do pastor da AD em Fortaleza, chegou ao cargo de vice-presidente da igreja.

Portanto, Luiz Costa, um jovem em ascensão política e eclesiástica, talvez se achasse no direito de suceder Teixeira Rego. Mas na opinião do sociólogo Gedeon Alencar, provavelmente o genro do pastor presidente era considerado muito moderno para sua época e, sendo visto dessa forma, foi rejeitado para suceder o sogro. Ele era realmente uma figura proeminente na sociedade. Diferenciava-se dos demais em status social e político, tinha negócios variados, contatos diversos, talvez um homem independente demais...

A história oficial relata que após a morte do pastor Teixeira Rego em 5 de dezembro de 1960, Luiz Costa assumiu a direção da igreja. Porém sua gestão durou um pouco mais de um mês. Em 20 de janeiro, Armando Chaves Cohen assumiu a igreja. Cohen ficou um ano na direção do trabalho até a posse definitiva do pastor Emiliano Ferreira da Costa no dia 12 de fevereiro de 1962. Segundo consta ainda, Luiz teria emancipado a AD em Bela Vista em 1963. 

Mas a simples informação de datas camuflam eventos traumáticos. Repercussões das discórdias chegaram as reuniões da CGADB, e nelas se procurou uma pacificação, tal o nível de desentendimentos no campo. Foram anos de desavenças entre Luiz Costa e o ministério local. Na Convenção Geral, ocorrida em Recife em 1962, portanto em meio aos impasses ministeriais, os convencionais levantaram um clamor em favor da igreja que passava "sérias dificuldades". 

Na CGADB seguinte, em 1964, uma comissão foi criada, um documento redigido e os obreiros envolvidos na questão foram chamados para o assinarem: Emiliano da Costa, José Freire Alencar, Simão Nascimento, M. F. Almeida, Pedro Brito e Luiz Bezerra da Costa. Foi criada ainda uma subcomissão para ir ao Ceará e acompanhar o caso. Finalmente, em 1966 ficou resolvido que a AD em Bela Vista, liderada por Luiz Costa seria desligada da AD matriz em Fortaleza e vinculada a Convenção da AD no Pará.

Nesse processo, segundo Gedeon, cujo pai era pastor na época, verdadeiras "batalhas campais" foram travadas, onde foi necessária a intervenção policial. Crentes bateram e apanharam; um escândalo de enormes proporções na terra do padre Cícero. Algo que deixou ressentimentos profundos na comunidade assembleiana. Mas há uma ironia em tudo isso. Luiz Costa não conseguiu suceder o sogro, o pioneiro José Teixeira Rego, mas ao falecer 30 anos depois de fundar oficialmente o Ministério de Bela Vista, foi sucedido por seu filho primogênito José Teixeira Rego Neto. Agora sim, sem "batalhas campais" tudo ficou em família...

Fontes

ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleias Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington: Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

sábado, 12 de outubro de 2013

José Wellington - Biografia

De São Luís do Curu, Ceará, para o mundo. Assim pode ser resumida a biografia do pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente simultâneo da Assembleia de Deus - Ministério do Belém (SP), da CONFRADESP e da CGADB.

Escrita por Isael de Araújo, jornalista e historiador-mor da denominação nos últimos anos, o livro segue o padrão de obras do gênero editadas pela CPAD, ou seja, o biografado possui uma vida e família exemplar, quase perfeita, e um ministério extraordinariamente abençoado. Sua ascensão ministerial e embates na denominação ocorrem dentro da mais pura Providência Divina. 

Mesmo que Araújo ressalte na introdução da obra, que ela "não se enquadra na categoria de hagiografias porque José Wellington tem feito coisas grandiosas para Deus mesmo com falhas e defeitos de homem", o que se depreende ao término da leitura, é que as falhas e defeitos de José Wellington são praticamente inexistentes. Ele e seus familiares estariam longe da mesquinhez e ambições tão normais aos seres humanos.
Obra dentro do padrão CPAD de biografias
O claro objetivo do trabalho é sem dúvida legitimar a cada vez mais questionada liderança do atual presidente da CGADB. Mas não só legitimar sua ascensão e permanência no cargo. Há também todo um trabalho de desqualificar seus opositores e isso fica muito explícito na introdução, quando o filho mais velho do biografado, pastor Wellington Junior assim escreve: "Hoje nos deparamos com muitos que querem se engrandecer e alcançar o que nosso pastor já alcançou. Mas não querem pagar o preço da jornada e, ao contrário, buscam um caminho mais fácil e rápido." 

E não fica somente nisso. Pelas páginas da biografia, encontram-se referências nada simpáticas aos seus concorrentes. José Wellington se refere aos seus oponentes como "essa gente", diz que estão motivados "por um espírito de contenda" e que há da outra parte uma verdadeira "obsessão pela presidência da CGADB" e para isso "fazem qualquer coisa" para alcançar seus objetivos. Em suas observações diz ainda que seus competidores são liberais e "querem levar a Assembleia de Deus para dentro do modelo que eles vivem".

Porém, é possível detectar ao longo da narrativa contradições no discurso conservador do presidente da CGADB. E para quem está familiarizado com sistema eclesiástico assembleiano, vai com certeza perceber, que as versões de determinados fatos não se sustentam com o já conhecido modus operandi do ministério.

Contudo a obra é significativa, pois fornece muitas e preciosas informações sobre as ADs, as quais podem e devem ser aproveitadas pelos estudiosos da denominação. Capítulos importantes da história da igreja como a sucessão no Ministério do Belém, o desligamento do Ministério de Madureira, e o relacionamento de José Wellington com outros líderes assembleianos, dão subsídios para a árdua tarefa de escrever e interpretar a história da AD tão carente de aprofundamentos historiográficos.

Lançada no 17 de setembro de 2012 no templo-sede da Assembleia de Deus do Ministério do Belém, o livro também teve como finalidade impulsionar a campanha do pastor Wellington e, garantir assim sua reeleição ocorrida em abril de 2013. Mais uma vez José Wellington venceu aquela "gente"...

domingo, 6 de outubro de 2013

Cícero Canuto de Lima - oposição ao ensino teológico

"Sentado em uma velha poltrona, entregue a seus pensamentos". Assim descreveu a Folha de São Paulo, o velho pioneiro e antigo pastor das Assembleias de Deus no Brasil, Cícero Canuto de Lima. Aos 89 anos de vida e 60 de ministério, Cícero ainda conservava "o sotaque de sua terra e a marca de caráter de um homem que foi formado na luta diária contra a terra árida e na formação mais rígida que as Igreja Pentecostais já tiveram no Brasil". Reclamava ele, dos rumos da igreja, do sucessor e do seu esquecimento.

Cícero pregando: somente por inspiração do Espírito Santo

Esse relato sobre o patriarca, é uma imagem que a história oficial das Assembleias de Deus nunca divulgará. Assim como o mítico missionário sueco Daniel Berg, Cícero foi relegado ao ostracismo, após não fazer seu sucessor no ministério e perder poder e influência na denominação que ajudou a construir.

Mas quais seriam as outras características da vida e ministério de Cícero Canuto de Lima? Somente quem conviveu com o pioneiro poderia responder essas questões. José W. Bezerra da Costa, em sua biografia escrita por Isael de Araújo cede algumas informações, mas é a versão de José Wellington, ou seja, seu ponto de vista acerca do velho pioneiro dentro do convívio ministerial. Porém, nesse reduzido espaço se tentará oferecer um panorama desse ícone assembleiano.

Gedeon Alencar, em sua tese de doutorado e em tom crítico, destaca o fato de Cícero (assim como Paulo Macalão) ter sido separado ao pastorado ainda muito jovem. Mas, contraditoriamente, o líder assembleiano não proporcionou oportunidades aos mais moços. Via com desconfiança qualquer novidade nos apriscos das ADs, e relutava contra as transformações em andamento na igreja.

Para se ter um exemplo disso, quando a implantação de institutos bíblicos estava em andamento nas ADs, pastor Cícero de Lima fez questão de entrevistar pessoalmente o pastor da igreja Filadélfia Willis Sawe e, nas linhas do Mensageiro da Paz ( maio de 1967 p.4), refutar o modelo de formação de obreiros que se pretendia implantar nas igrejas. Na época, se usava o exemplo da igreja sueca, a qual teria uma escola de preparação para obreiros chamada de Kaggeholm. A entrevista, é dirigida de forma a esclarecer, que a famosa escola, era na verdade uma instituição de formação primária, e não um seminário teológico. 

Tirada essa dúvida sobre a função da instituição, Cícero afirma que não havia desprezo pela cultura em si, mas que numa escola teológica os obreiros são "estampados", ou seja, ficam determinados a um "molde", perdem sua "originalidade pessoal". Para ele era "mortalmente perigoso um obreiro adquirir tanta eficiência, que perca a humildade e não dependa de Deus". Salienta ainda que "não localizamos nas Escrituras que nos dias apostólicos houvesse qualquer educandário que formasse pastores e pregadores" pois na sua visão os obreiros deveriam confiar "somente" e "inteiramente" na ajuda do Espírito Santo.

Quase 15 anos depois da entrevista, o patriarca declara à Folha: "O Espírito de Deus se encarrega de nos iluminar, de nos orientar". Até o fim da vida afirmou isso, pois segundo ele, seria melhor gastar dinheiro com a evangelização do que na construção de seminários. É notório, que o IBAD foi erguido e iniciado em Pindamonhangaba (SP) contra vontade geral da cúpula assembleiana, e ainda por cima na jurisdição eclesiástica do Belém. Não foi fácil o convívio dos fundadores do Instituto Bíblico com Cícero de Lima, representante da ala mais conservadora da igreja.

Cícero, até o fim da vida foi fiel aos seus princípios. Mas percebeu que a igreja e o ministério, o qual ajudou a construir, tomavam um rumo diferente do que desejava ele. Seu ostracismo, revelava que novos tempos estavam se impondo. José Wellington, em sua biografia, ao narrar os lances da sucessão do seu antigo pastor, lembra uma frase síntese do que Cícero de Lima vivia. Ao ver seu indicado ser rejeitado no ministério do Belém para sucedê-lo, teria dito: "Eu não estou mandando é mais nada. Vou embora". Por ironia do destino, a escola teológica fundada no Ministério do Belém em SP, após sua morte levou o seu nome. 

Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleias Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington: biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

Acervo.folha.com.br

MENSAGEIRO DA PAZ. Rio de Janeiro: CPAD, maio de 1967.

sábado, 14 de setembro de 2013

Cícero Canuto de Lima: herdeiro da doutrina sueca

Cícero Canuto de Lima, mais que um líder, é hoje uma legenda dentro das Assembleias de Deus no Brasil. Ao lado de Paulo Leivas Macalão, é um dos nomes mais emblemáticos da denominação. Tal como Macalão, é impossível contar a história das ADs sem referenciar o saudoso obreiro. Como muitos pioneiros das ADs, muito se fala em Cícero Canuto de Lima, porém, pouco se conhece sobre ele de fato. Mas que foi esse senhor e líder? 


Segundo fontes oficiais, Cícero nasceu em Mossoró/RN no dia 19 de janeiro de 1893. Converteu-se ao pentecostalismo em 1918 na cidade de Timboteua, Pará. Em 1923 foi separado ao ministério pastoral por Gunnar Vingren. Cooperou nas igrejas do Pará, mas logo seguiu para João Pessoa, capital da Paraíba (na época se chamava Cidade da Paraíba). Por 15 anos liderou essa igreja. Partiu para o sul em 1939, onde cooperou na AD em São Cristóvão, até que em 1946, depois de pastorear a AD em Santos, assumiu a AD da Missão em São Paulo. Na pauliceia foram 34 anos de pastorado, o qual cessou somente em 1980, ao ser sucedido por José Wellington Bezerra da Costa.

Fora algumas informações mais edificantes na história oficial, como a sua experiência de conversão, perseguições religiosas e o batismo com o Espírito Santo, pouco se comenta sobre sua personalidade, ou sobre seu método de trabalho. Mas como todo grande líder que foi, Cícero teve suas ambiguidades e decifrá-lo ainda é um desafio para os estudiosos das ADs.

Uma coisa é certa: Macalão passou à história oficial e ao imaginário assembleiano como o líder doutrinador de grande conservadorismo. Porém, ao longo da vida e ministério, Paulo Leivas foi flexibilizando. Como Cícero, Macalão foi contra institutos bíblicos, congressos de jovens e era famoso por sua "proverbial rigidez" na conduta moral dos membros da igreja. Contudo, com o tempo, se percebe certas aberturas em temas antes condenados por ele mesmo, ou por outros líderes assembleianos.

Cícero, ao contrário, não teve a mesma flexibilidade de Macalão. Até o fim de sua carreira, condenou todas as mudanças que, ao seu ver, desvirtuavam a igreja. Enquanto a AD Ministério de Madureira fazia congressos de jovens, tinha instituto bíblicos e círculo de oração de senhoras, a AD no Belenzinho permanecia engessada. O engessamento do ministério e sua avançada idade, ao que tudo indica, precipitaram à sucessão que fugiu do seu controle.

Talvez o motivo dessa inflexibilidade, fosse uma fixação, um reconhecimento contínuo, alimentado por si mesmo e por outros admiradores seus, de (ele Cícero) pertencer ao "troco principal", ou seja, de ser herdeiro legitimo dos ensinamentos dos míticos missionários suecos. Assim, sentindo-se como grande fiador da "doutrina", Cícero desprezava qualquer inovação aos métodos à ele confiados pelos pioneiros.

Ao ser entrevistado pelo Mensageiro da Paz (nº6 de 1974), por ocasião do 50 anos de seu ministério, o velho pioneiro expressou seu desejo de "...continuar como comecei, na doutrina que aprendi. Nos costumes dos primeiros missionários, daqueles homens de Deus", e termina a entrevista afirmando categoricamente: "nestas bases estou trabalhando e pretendo seguir até que Deus nos permita!"

Anos depois, já aposentado, sentindo-se esquecido dos irmãos, em declaração à Folha de São Paulo (18 de janeiro de 1982), o velho pioneiro, além de reclamar das mudanças realizadas por seu sucessor, ainda mantém o discurso da legitimidade: "Foi triste constatar o fato, é triste sempre quando vemos irmãos nossos separando-se do tronco principal da Igreja. Eu, hoje, represento e faço parte do tronco principal".

Por esse motivo, às notícias no Mensageiro da Paz, (principalmente dos anos 60) sobre à AD do Belenzinho, sempre intitula à igreja de "pioneira" e "Igreja Mãe" em oposição a outros ministérios tidos como ilegítimos Há sempre um tom de animosidade contra outros grupos da AD implantados na Pauliceia.

O contraditório em sua biografia, é que, apesar de se declarar do "tronco" principal, pastor da "Igreja Mãe" e herdeiro legitimo dos primeiros missionários, pastor Cícero juntamente com outros obreiros da região Norte/Nordeste, idealizou a 1ª Convenção Geral realizada em Natal, Rio Grande do Norte em setembro de 1930. É notório, que além de ser o primeiro presidente da CGADB, ele e os demais pastores nativos contestaram os missionários suecos, pois sentiam "necessidade de terem maior liberdade na condução dos trabalhos" e exigiam novos rumos para as ADs no Brasil.

Essas são as voltas que o mundo dá. O herdeiro da doutrina sueca e das suas tradições, uma dia se postou contra a supremacia dos missionários. 

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

Acervo.folha.com.br

sábado, 7 de setembro de 2013

Sucessão na AD do Belenzinho: golpe ou adaptação aos novos tempos?

No ano de 1980, um dos mais importantes ministérios da AD vivenciou uma importante transferência de poder e gestão, envolvendo dois reconhecidos pastores: Cícero Canuto de Lima e José Wellington Bezerra da Costa. Esses dois senhores, de origem nordestina, porém de perfis e idade diferenciadas, protagonizaram uma polêmica sucessão na AD do Belenzinho, a qual pode ser considerada simbólica para todas as ADs no Brasil.

Pastor Cícero: atropelado pelos novos tempos?
No dia 6 de janeiro de 1980, José Wellington assumiu a presidência da AD do Belenzinho em substituição ao veterano pastor Cícero Canuto de Lima. Pastor Cícero foi jubilado (aposentado) de suas funções pastorais. Desde então José Wellington preside a igreja. Mas em que contexto se deu essa alternância de poder na igreja e a tornaram tão polêmica? Isso é o que veremos agora.

No dia 18 de janeiro de 1982, o jornal Folha de São Paulo, trouxe uma interessante e histórica reportagem sobre o crescimento dos pentecostais no Brasil. Dentro do contexto da matéria, encontram-se informações, as quais sem dúvida podem ajudar a entender a sucessão do Belenzinho. Entrevistado pela Folha, já aposentado de suas funções, um alquebrado pastor Cícero lamenta seu abandono, mas se mostra relutante em aceitar "mudanças na orientação evangélica da Igreja" e na "atualização de seus pastores". 

O pioneiro dispara ainda contra os cursos de teologia, mais uma vez reclama do seu abandono e esquecimento e alveja seu sucessor: "colocaram no meu lugar um pastor que está modificando anos nossa tradição e a nossa força". Ainda na continuação a Folha destaca que a fala de Cícero era referente "ao pastor José Wellington, que teria assumido a presidência da Assembleia de Deus sem o seu consentimento, sendo aclamado pela assembleia de pastores". Mas recusa-se a falar mais, a entrar em detalhes, pois reconhece ser esse um assunto interno da igreja, sem necessidade de divulgação.

Porém há espaço para a defesa do pastor José Wellington. Ao descrever as transformações vividas pela igreja nos últimos anos, com a criação de cursos teológicos, inovação essa implantada pelo novo pastor, a Folha registra o ponto de vista do pastor Wellington: "É necessário orientarmos os nossos pastores, para evitarmos abusos que fatalmente desaguarão no fanatismo de massa". Mesmo sabendo que a iniciativa não foi "contemporizada" pelo antigo pastor, José Wellington conclui de forma pragmática "Os tempos são outros". Ou seja, as mudanças eram inevitáveis.

Para os simpatizantes de José Wellington Bezerra da Costa, sua manobra para chegar a topo do ministério teria sido de uma necessidade imperiosa. Cícero de Lima, apesar de ser um líder de destaque conduzia a igreja num conservadorismo extremo. Enquanto outros ministérios concorrentes já possuíam cursos teológicos e realizavam congressos de jovens, o Belenzinho por orientação do seu patriarca não aderia as novidades e comprometia seu crescimento; em suma estava engessado. Pastor Bezerra da Costa seria então um progressista, um homem que ao perceber a situação do ministério, com uma outra visão, pavimentou ao longo dos anos a sucessão em benefício próprio.

Porém, para os que se antipatizam com o atual presidente da CGADB, suas ações seriam (e são) interpretadas como um golpe. Sim, um golpe contra um líder carismático, pioneiro e de integridade comprovada. Não é de hoje que a versão de golpe é propagada entre os fieis mais antigos. O certo é, que ao assumir, pastor José Wellington permitiu tudo o que seu antecessor proibia. Encontros (leia-se congressos) de jovens e de círculo de oração das senhoras foram finalmente realizados, e os cursos teológicos continuaram e evoluíram. O ministério ganhou uma nova dinâmica.

Passados 9 meses dessa matéria, Cícero C. de Lima faleceu, sentindo-se abandonado, traído e magoado. Foi o pioneiro atropelado pelos novos tempos? Provavelmente sim. As ADs estavam vivendo um momento de transição, e no texto da reportagem da Folha de São Paulo isso fica explícito. José Wellington captou esse momento e resolveu dar novos rumos ao ministério. Golpe ou necessidade de acomodação aos novos tempos? Isso depende do olhar do leitor. Um detalhe: ironicamente, a escola teológica fundada pelo pastor José Wellington, recebeu posteriormente o nome de Escola Teológica Pastor Cícero Canuto de Lima. Logo ele que desprezava tais instituições...

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

Acervo.folha.com.br

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

AD em São Cristóvão - RJ: mudança e crise

Já foi tratado aqui nesse blog, sobre a descaracterização de uma das mais tradicionais e históricas igrejas das Assembleias de Deus no Brasil: a AD em São Cristóvão - RJ. Pioneira no movimento pentecostal no estado do RJ, dela procederam muitas outras ADs no estado fluminense e fora dele. Até mesmo, líderes de outras denominação pentecostais passaram esse ministério.

Presidida durante por muitos anos pelos míticos missionários suecos, a AD em São Cristóvão formou várias lideranças, e depois da era sueca foi dirigida por pastores como Alcebíades Pereira Vasconcelos, Francisco Pereira do Nascimento e Túlio Barros Ferreira. Pastor Túlio, grande liderança de sua época, no fim de sua vida e ministério, passa a direção ao seu filho caçula e sucessor Jessé Ferreira.

Antiga sede da AD em São Cristóvão: tempos áureos
Ainda em vida, pastor Túlio desliga-se da CGADB, adere a uma "nova dimensão" espiritual. Separado ao Apostolado (e seu filho a Bispo), adota o método do G12 e promove transformações profundas na igreja. Com todas essas mudanças feitas em pouco tempo, um bom número de crentes saiu da igreja, fundando um outro ministério. Uma congregação nova, porém herdeira da antiga São Cristóvão que se perdeu no emaranhado de novidades teológicas e litúrgicas adotadas pela nova liderança.

Surge ai um indagação: qual seria a verdadeira AD, ou a herdeira legítima dos primórdios do pentecostalismo no RJ? É algo estranho de se pensar quem sabe, mas fica a curiosidade. Na AD Missão Apostólica da Fé (novo nome da AD em São Cristóvão) somente o templo lembra a antiga igreja, pois a liturgia, pregações e tudo mais foi modificado. Na ADRJ (ministério dissidente) os membros e as práticas litúrgicas provavelmente são herdeiras da antiga São Cristóvão.

Os comentários de leitores nesse blog sobre a situação da ADMAF, dos que frequentaram ou até fizeram parte do antigo ministério da igreja, é de que ela está irreconhecível. Nada ali faz lembrar a antiga AD pioneira. Porém, a ADMAF ainda proclama sua legítima filiação ao pentecostalismo clássico. Como entender e mensurar a perplexidade de muitos crentes diante da evaporação de um ministério tradicional e respeitado, para uma denominação de práticas neopentecostais? Como suportar a saudade de uma igreja emblemática, a qual simplesmente, em pouquíssimo espaço de tempo perdeu sua identidade?

Antigo templo hoje: aluga-se

Como um sinal da mudança e dos novos tempo, um leitor desse blog, resolveu enviar uma foto do antigo prédio que abrigava a AD de São Cristóvão. Em frente uma faixa com a palavra "Aluga-se". As informações que chegaram ao blog foram de que ali funcionava a administração da igreja. Será isso um inegável sinal de crise da igreja? Será essa foto um símbolo, um retrato visual, mas de caráter espiritual também, da decadência de um ministério influente, o qual se deixou-se influenciar, e agora é vista como somente mais uma excentricidade no meio pentecostal?

A resposta não é simples e não deve ser unânime também, mas reflexões sobre como essa são necessárias. E mais: quantas igrejas não estão seguindo esse caminho?

Colaboração: Marcelo Antunes, e Gunnar Vingren Fialho os quais enviaram fotos e informações do RJ.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Bibi: memória viva da AD em Joinville

Memórias das Assembleias de Deus homenageia o irmão Marcílio de Miranda, carinhosamente conhecido como "Bibi". Aos 86 anos de vida (completados no último dia 27/07), Bibi é um dos filhos do pioneiro das ADs em Santa Catarina, Manoel Germano de Miranda. Segundo filho de uma prole de oito (dos seus irmãos mais quatro estão vivas), a vida desse ancião se confunde com a própria história da igreja.

Quando seu pai fundou a AD em Joinville, Bibi contava com 5 anos de idade, e é hoje um últimos remanescentes do pequeno grupo de fieis que iniciaram a obra pentecostal na cidade. Na mudança, lá estava ele na carroça com mais três irmãos, a qual seu pai emprestou do cunhado Pedro Vargas para ir de Itajaí até Joinville. Carroça essa que sacolejava numa longa e cansativa viagem na estrada empoeirada. A família Miranda, levava somente roupas pessoais e de cama na mudança, mas carregava a fé e a esperança de realizar uma grande obra.

Bibi e os filhos: oito décadas de memórias assembleianas

Bibi passou parte de sua infância e adolescência acompanhando o desenvolvimento da pequena AD na cidade. De suas lembranças, se destacam as perseguições dos primeiros tempos, o trabalho incansável do seu pai na evangelização da toda região, a qual fazia de pé, trem ou bicicleta. Bibi possui muitas memórias das primeiras casas alugadas para realização dos cultos na cidade. Quando seu pai foi transferido para a cidade de Mafra, e o missionário estadunidense Virgil Smith assumiu o trabalho, Bibi ficou morando com Smith, e aprendeu música com ele para depois ajudar o pai na nova igreja que dirigia.

Smith, após assumir a igreja, resolveu construir um templo próprio para a denominação. Para a época era um construção enorme, onde muitos recursos materiais e humanos foram necessários. Pois nesse tempo, lá na década de 40, estava o jovem Miranda ajudando a descarregar carroças com tijolos. Mas pelo jeito não foi uma experiência muito boa:
...E nesse ínterim que eu fiquei seis meses na casa do missionário para aprender música eu ajudava esporadicamente assim a descarregar carroças de tijolos, várias vezes. Aqueles tijolos ficavam na carroça na rua e ficava uma pessoa mais ali  e outra mais lá, e mais lá. E ia passando aqueles tijolos, jogando! Inclusive caiu um em cima do meu dedão do pé que eu passei mal. Cai no pé e eu já desisti do trabalho, desisti do trabalho...
Viúvo e alfaiate de profissão, Bibi vive modestamente em Joinville, cercado de amigos, parentes, e das memórias dos seus longos dias. Este simpático senhor de espírito jovem e sorriso tímido, é de uma geração de filhos de pioneiros que não galgaram status na denominação ou se apoderaram de uma igreja ou ministério. Sua maior riqueza são os filhos que lhe cercam e o reconhecimento de ser um humilde servo de Deus. É a história e memória viva de uma denominação que já conta com 80 anos. 

Parabéns irmão Bibi!

Obs: na foto juntamente com Bibi seus filhos Marli (sentada à esquerda), Marlon, Marcos, Márcio e Marlei (à direita) do velho pai. Colaboração Eliane Westphal Nunes, sobrinha do homenageado e neta do pastor Miranda.

Fontes:

Miranda, Marcílio. 20 de agosto de 2008. Entrevista concedida a Claiton Ivan Pommerening e Mario Sérgio de Santana.


POMMERENING, Claiton Ivan (Org.). O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.

terça-feira, 30 de julho de 2013

AD em São Paulo: Revolução e crescimento nos anos 30

Memórias das Assembleias de Deus compartilha uma foto rara do arquivo pessoal do irmão Sigisberto Machado. Reunidos em frente ao antigo templo, vários irmãos e obreiros da Assembleia de Deus da cidade de São Paulo possam para o registro fotográfico. Sentados a frente, o então pastor da igreja, o missionário sueco Samuel Hedlund e esposa Tora Hedlund, e o também missionário, músico, maestro e compositor Jahn Sörheim. O local? Provavelmente na rua Villela ou na Cruz Branca, antigos endereços da igreja.

O registro deve ter sido feito entre os anos de 1932 a 1935, período que Hedlund dirigiu o trabalho na capital paulista. Sörheim também cooperou nessa igreja, e hoje a banda de música da AD no Belenzinho leva seu nome em homenagem ao missionário.

Não deve ter sido fácil para o casal Hedlund ter dirigido a AD em São Paulo nesse período, pois na condição de estrangeiro presenciou um momento político conturbado na história do país. No dia 9 de julho de 1932, teve início a Revolução Constitucionalista, movimento que se opunha ao governo de Getúlio Vargas. A revolta era uma tentativa de resgatar o poder político do estado de São Paulo perdido na Revolução de 1930. Durante 3 meses os paulistas lutaram, mas isolados e numericamente inferiores, foram derrotados após batalhas sangrentas, e no dia 2 de outubro o conflito teve seu término.

Membros da AD na década de 30: tempo de um trabalho único da capital
Logo após o sangrento conflito, Sylvio Brito, em visita a cidade e futuro colaborador da AD paulista, assim relata ao Mensageiro da Paz (2ª quinzena de 1933): "A vitória! Aleluia! Quem não deseja vencer? Naturalmente, todos nós. Entretanto, nem todos vencem; qual a razão? perderam a visão do Vencedor - de nosso Senhor Jesus Cristo".

Seria uma referência ao conturbado momento político em que o país vivia? Provavelmente sim. Os paulistas, mesmo derrotados se sentiam vitoriosos moralmente, pois Vargas após o conflito reviu sua política, convocou eleições para uma Assembleia Constituinte e promulgou uma nova Constituição. Mas mesmo assim, ainda predominava (e predominaria durante muito tempo) a força do governo de Getúlio. Então politicamente, dependendo do ponto de vista, seria difícil afirmar quem fora de fato o vencedor na queda de braço entre o governo federal e as forças paulistas.

Brito, porém, na continuação do artigo assim descreve e aproveita o momento político para espiritualizar o que viu em São Paulo:
Numa recente vista que fiz aos irmãos do Estado de S. Paulo, vi e participei das bençãos e vitórias que o Senhor Jesus Cristo tem concedido ao seu povo ali. O Estado de S. Paulo, que durante perto de três meses, esteve separado do resto do Brasil, está sendo, agora, visitado por Aquele que o profeta Isaías denomina - o Príncipe da Paz.
Foram 14 dias de visita, onde o jornalista observou os cultos evangelísticos em várias praças e ruas da cidade, e no templo com um número considerável de conversões. De forma incisiva, pede orações por Hedlund, pois observa "A seara é grande, mas os obreiros são poucos", e lança mão de vários versículos bíblicos que falam sobre o chamado e a necessidade de trabalhadores para a Obra de Deus.

Dificuldade política, e carência de obreiros diante de tantas oportunidades de evangelização e crescimento. Sylvio Brito assim descreveu o trabalho da AD paulista. Tempos depois, sairia ele do Rio de Janeiro e viria cooperar na capital de SP, se tornando o primeiro pastor brasileiro a dirigir o trabalho na cidade em substituição aos missionários suecos. Talvez imbuído do desejo de fazer mais, tomou uma decisão polêmica: deixou o pastorado da igreja e juntamente com seu cunhado Paulo Macalão, abriu uma congregação filiada a Madureira na cidade. Decisão essa que lhe custou o banimento da história na AD da Missão.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

MENSAGEIRO DA PAZ. 2ª quinzena de janeiro de 1933. Rio de Janeiro: CPAD.



PS: Sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, vários livros e sites estão disponíveis. Porém, como o tempo é curto, foi aproveitado as ótimas informações e pontos de vista do link da revista Nova Escola.