quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sem saber ler crente abre uma AD no Paraná

A cidade de Centenário do Sul, localizada ao norte do Paraná começou a ser formada na década de 1940. Em busca de riquezas e melhorias de vida, os primeiros colonizadores se estabeleceram na região. "A terra fértil atraiu grande número de homens de negócios, fazendeiros e agricultores que iniciaram o progresso e desenvolvimento" - narra o histórico do município.

No ano de 1946 foi construída a primeira capela católica. Em seguida surgiu uma pensão e uma padaria foi aberta. Logo, a cultura cafeeira dominou as paisagens rurais e a abertura de uma serraria trouxe grande desenvolvimento a região. 

Em 1948 é inaugurada a primeira escola. No ano seguinte, um campo de pouso para aviões de pequeno porte já era utilizado. No início dos anos de 1950, a energia elétrica chegou na localidade. A emancipação veio na sequência e a posse do primeiro prefeito ocorreu em dezembro de 1952.

Mas quando Centenário do Sul "estava ainda no seu embrião", um crente vindo de Minas Gerais de nome João Ambilino iniciou os primeiros cultos pentecostais na região. Ambilino tinha uma família numerosa e os cultos eram realizados em sua casa. Muito normal, até porque várias ADs tiveram origem na residência simples e humilde dos seus pioneiros.

MP: relato do início de uma grande obra

Segundo o relato do presbítero Osvaldo de Melo, que testemunhou os fatos ao Mensageiro da Paz, havia uma aparente dificuldade na evangelização: João Ambilino era analfabeto. Porém, o pioneiro "não se abalou com esta situação". Realizava os cultos como é de praxe: cantava e orava com sua família. Na hora da pregação, abria a Bíblia em cima da mesa e "começava a cantar hinos de louvor a Deus". 

A persistência rendeu frutos, pois em determinado dia "a primeira alma rendia-se a Cristo". O nome do convertido era João Rita. A conversão de Rita foi sentida como aprovação do esforço de Ambilino na "causa do Senhor". 

Tempos depois, chegou na cidade os Garcia e o núcleo assembleiano aumentou. No sítio da família Garcia foi construído um galpão para realização dos cultos. O trabalhou então desenvolveu-se e muitas almas foram conquistadas. 

A gênese da AD em Centenário do Sul é semelhante há muitas igrejas pentecostais no Brasil. Segundo o pastor Claiton Pommerening, autor da tese A relação entre a oralidade e a escrita na teologia pentecostal "O crescimento das Assembleias de Deus no Brasil se deve principalmente ao trabalho de obreiros leigos".

Pommerening ainda afirma, que os pioneiros "não tinham formação pastoral, não sabiam ler direito, falavam errado, mas tinham um ardor evangelístico que fez inflamar os corações convencendo de que a mensagem era verdadeira e eficaz". Claiton destaca a grande contribuição desses "evangelistas anônimos, homens e mulheres, que fizeram a história das ADs no Brasil e a tornaram a gigante que é" - concluiu o pastor na AD em Joinville (SC) e diretor do Centro Evangélico de Educação e Cultura (CEEDUC).

Obras como essa de João Ambilino, e dos muitos anônimos da história das ADs, não pode ficar desconhecida. Devem ser revisitadas. Até porque, essas memórias, são testemunhos eloquentes e contrários ao ethos e o modus operandi de muitos dos nossos líderes da atualidade.

Fontes:

POMMERENING, Claiton Ivan. A relação entre a oralidade e a escrita na teologia pentecostal: acertos, riscos e possibilidades. 2008. Dissertação (Mestrado) - Instituto Ecumênico de Pós-Graduação, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2008.

Mensageiro da Paz, 1ª quinzena de abril de 1965, p. 4.

www.centenariodosul.pr.gov.br/page/88/historico-do-municipio

2 comentários:

  1. Não faço apologia ao analfabetismo, mas sempre prego em minha igreja que para fazer a obra de Deus não é necessário ter um a boa leitura e ser formado em alguma coisa! basta ter o coração cheio de compaixão pelas almas e buscar a sabedoria do alto,coisa que não se alcança nas escolas! Para orar pelos enfermos,expulsar demônios e falar novas línguas, não precisa de leitura e sim de unção do céu!

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  2. Muitos de Obreiros das AD's e até de outras Denominações históricas realmente não possuíam estudos e pouco conhecimento porém tinham algo que hoje em dia, a maioria dos "doutores" e "teólogos" não possuem: Intimidade com DEUS.

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