domingo, 18 de dezembro de 2016

Nels Lawrence Olson - o missionário das mídias eletrônicas

Nels Lawrence Olson é um nome conhecidíssimo dentro das ADs no Brasil. Sobre ele está escrito no site da CPAD: "Missionário norte-americano nas Assembleias de Deus, pioneiro e pastor de igrejas Assembleias de Deus em Minas Gerais, pioneiro do radioevangelismo e do ensino teológico nas Assembleias de Deus, tradutor, editor, escritor, articulista, ensinador e comentarista de Lições Bíblicas da Escola Dominical".

Nas publicações da CPAD há um vasto material sobre esse estadunidense que desempenhou um importante trabalho dentro das ADs. Hoje, obviamente, à memória do irmão Lourenço é celebrada. Mas quando iniciou o programa de rádio no interior de Minas Gerais em 1947, e posteriormente abriu o Instituto Bíblico Pentecostal (IBP) no Rio de Janeiro em 1960, Olson causou desconforto entre as lideranças da época.

Apesar da utilização do rádio ser liberada para evangelização na Convenção Geral em 1937, o uso do mesmo ainda era um tabu dentro das ADs. Lideranças de expressão nacional (como Paulo Macalão para ficar apenas em um só nome) eram contra o uso e o fato de um crente possuir o aparelho em casa era motivo para exclusão sumária.



Nos Estados Unidos, país de origem de Olson, a utilização do rádio para fins evangelísticos era algo comum desde a década de 1920. Lourenço conhecia o potencial da radiodifusão. No Brasil, porém a mídia radiofônica era vista pelos pentecostais (e depois a televisão) com desconfiança, pois suas programações traziam para os lares os efêmeros valores mundanos.

Mas de Lavras (MG), Olson vencendo as resistências, levou posteriormente o programa para as principais emissoras do Rio de Janeiro. Quando do regresso do missionário para os EUA em 1989, o Mensageiro da Paz em editorial relembrou que os "meninos dos anos 40, 50 e 60 ainda hoje se recordam da preocupação com que seus pais saíam do santuário, na expectativa de chegar a tempo para ouvir o programa A voz das Assembleias de Deus".

Ainda segundo o editorial, quando começava o programa "todos se postavam em silêncio, pois um novo culto se realizaria através do rádio". Essa avidez gerou exageros por parte de muitos crentes e alguns faltavam aos cultos somente para ouvir as programações. O pastor Francisco de Assis Gomes chamou esse comportamento de "radiolatria".

Olson porém, sempre estava em verdadeira "sintonia" com o uso das novas mídias, pois via nelas possibilidades ilimitadas. Em entrevista a revista A Seara (maio/junho de 1957), Lourenço comentou: "Devemos estar com as vistas voltadas para a televisão que rapidamente vem substituindo o rádio como meio de difusão".

Talvez não imaginasse ele, que no caso da televisão os debates e resistências seriam maiores. Durariam décadas.

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

A Seara, ano II, nº 3, vol. IV, maio/junho de 1957.

Mensageiro da Paz, ano LIX, nº 1227 - março de 1989.

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