quinta-feira, 21 de abril de 2016

José Menezes - Está Errado

José Menezes (1896 - 1972) foi um dos pioneiros das ADs no Norte e Nordeste do Brasil. Liderou várias igrejas, convivendo com os missionários suecos e os pastores mais antigos da denominação. Produziu muito também na área literária. Entre 1960 a 1973 comentou as Lições Bíblicas da Escola Dominical (CPAD), e escreveu muitos artigos doutrinários para o Mensageiro da Paz.

Em um desses artigos publicado na sugestiva coluna intitulada Está Errado no MP (1ª quinzena de abril de 1969), Menezes faz fortes criticas aos chamados "pastores regionais". Os "pastores regionais", segundo o jornalista Geremias Couto era uma expressão muito comum, principalmente no Nordeste, para designar os líderes que supervisionavam as igrejas de um estado ou região. No passado, os mais conhecidos obreiros a desempenhar essa função foram José Teixeira Rêgo do (CE), e Estevam Ângelo de Souza (MA). Atualmente, em Pernambuco, Ailton José Alves lidera dessa forma.


Pastor Menezes: críticas ao pastor regional
Pastor José Menezes, até reconhece os benefícios desse "método de trabalho", desde que o líder regional trabalhasse "em perfeita cooperação com outros pastores, tudo fazendo para ajudá-los para engrandecimento do reino de Deus". Porém, tudo deveria ser "feito sem pretensões de mando e senhorio" e com "espírito de humildade". Adverte o veterano obreiro, que de forma alguma a posição de destaque poderia conferir aos eminentes líderes a "chave de hierarquia pastoral". "Fora disso está errado e muito errado." - sentenciou ele.

A seguir, o veterano obreiro relata sobre as ameaças que pairavam sobre as ADs quando o "pastor regional" começava a ter as "pretensões de mando e senhorio".
Porém, há entre nós, grande perigo, a tendência maligna de alguns julgarem no direito ao título antibíblico de "pastor regional", por querer superar seus colegas, e até desprezá-los, exercendo sobre eles autoridade que a Bíblia confere a todos por igual, sem a etiqueta de mando. Mat. 18.18; João 20.23. Isto está errado e muito errado. 
Em certo Estado, em uma Convenção Estadual, um desses "pastores regionais" cassou a palavra a um colega que defendia uma tese justa, só porque a referida tese não conferia com a pretensão de estabelecer estatutos absurdos que ele desejava impor à SUA REGIÃO; pois, tal pretensão se concretizasse  feriria frontalmente a liberdade e igualdade de todos. Tal proceder está errado e muito errado.
Na continuação do texto, Menezes considera que no reino de Deus os valores são diferentes dos esposados pelo mundo. Ou seja, ao invés de mandar, o obreiro de posição deveria servir. Apela para o sublime exemplo de Jesus que não "veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". Marcos 10:45.

Após usar o magno padrão de conduta de Cristo, o articulista vai direto ao ponto:
Eis ai meus veneráveis colegas, a verdadeira bitola da real grandeza que os servos de Deus devem buscar, para saber honrar e servir uns aos outros, lavar os pés... usar a humildade e nunca pensar em ser chefe, mandão, monopolizar direito torto para humilhar quem quer que seja. Isto está errado e muito errado.
Para ele, o objetivo dos "pastores regionais" era "empunhar o cetro da distinção" e "exercer o império do mando." Isso seria ainda um "beco de inovações, criação de leis e estatutos imprecisos, proteção a favoritos, trazer a outros com aves de arribação." (oportunistas)

Mais de quatro décadas se passaram, e as observações do pastor Menezes ainda continuam atuais. No Nordeste os pastores regionais hoje são mais raros. No Sul e Sudeste o cargo de pastor-presidente ganhou força com o crescimento dos ministérios assembleianos. E com o tempo, as problemáticas e as críticas descritas pelo saudoso líder só ampliaram-se em outras regiões do Brasil. 

Ao final do texto, o apelo do pioneiro foi para que as pretensões humanas fossem deixadas de lado e o Espírito Santo dirigisse a igreja. Fora disso tudo estava "errado e muito errado...".

Fontes:

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

Mensageiro da Paz, 1ª quinzena de abril de 1969. Rio de Janeiro: CPAD, p.2.

2 comentários:

  1. O mais interessante é que na CPAD há inúmeros pastores contra modismos, heresias, inovações e nenhum contra as capitanias hereditárias assembleianas. A própria CGADB não abre mão do modelo. E ainda há que o defenda com unhas e dentes, pois são beneficiários diretos e indiretos. Por fim, há quem dê aura divina a tal mando, conferindo autoridade quase angelical. E ai de quem discordar...

    Em muitos lugares nomeia-se filhos e parentes como mandatários, muitos dos quais sem competência e até com desvios espirituais, com o endosso da envergadura do cargo central. É muito poder concentrado...

    Agora tente exigir transparência das ações e aplicações dos recursos! Conheço muitos causos exemplares dos desmandos. O que dizer, por exemplo, de um filho de presidente que pede à tesouraria uma vultuosa quantia de muitos milhares de reais e assina um reles recibo. Na prestação de contas o pai questiona saída tão alta. O tesoureiro responde: "Foi seu filho!". Ele retruca: "Ah! Bom..." E fica tudo por isso mesmo. Escândalos abafados com medo de manchar a "honra" da família presidencial.

    Enfim, pouco a dever à política secular. Nada a ver com Deus e sua Palavra. Inchaço carnal até o osso!

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  2. Deve ser por isso, por ainda usar dessa forma, de pastor presidente do estado, que a Assembléia de Deus em Pernambuco segura as "rédias" doutrinárias e maior se identifica com as igrejas do começo dessa obra no Brasil.

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