quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A construção do templo da AD em Tubarão - um marco de fé

"Assim edificamos o muro; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar". Ne 4.6

Com esse versículo bíblico, o saudoso pastor Antonieto Grangeiro Sobrinho, um dos pioneiros do movimento pentecostal no Brasil, iniciou seu texto sobre a construção do templo da Assembleia de Deus em Tubarão (SC). Obra que exigiu um grande esforço de todos os fieis da igreja, no já distante ano de 1950.

A AD em Tubarão estava em atividade desde 1938, e se constituía em ponto estratégico de evangelização da região sul de Santa Catarina. Segundo o depoimento do pioneiro ao Mensageiro da Paz, a comunidade assembleiana sentia falta de um espaço adequado para a celebração dos seus cultos, mas "a princípio parecia impossível conseguirmos construí-lo, faltava-nos coragem para iniciar a obra". O motivo para tal descrença era a falta de recursos financeiros. 

Mesmo com pouco dinheiro em caixa, os alicerces do templo foram lançados, mas a expectativa de construção seria de no mínimo três anos. No dia 06 de março de 1950, aproveitando o horário de verão, corajosamente "os irmãos lançaram-se à obra, trabalhando das cinco da manhã as 8 da noite, incluindo o pastor da igreja". Naquele tempo, entre tantas atribuições, um pastor tinha que "pegar no pesado" também. A postura era outra, o sentido de missão e sacrifício pela causa era maior. 


Inauguração do templo da AD em Tubarão: desafio de fé

Também conhecida como "Cidade Azul", Tubarão contava naquela época com aproximadamente 55 mil habitantes. A igreja, além de pequena, era composta em sua maioria por pessoas simples e pobres. Como se percebe, a pregação ufanista da teologia da prosperidade ainda não era nem de longe conhecida ou pregada. Os crentes daquela época estavam longe das quimeras vendidas e propagadas por alguns "televangelistas" modernos.

Ao invés disso, o que se lê é o reconhecimento das agruras e da falta de recursos. Portanto, a participação efetiva dos membros e do próprio pastor da igreja na obra era mais que necessária. E o milagre surgia na medida em que o sonho dos fieis tomava forma. Um templo erguido naqueles dias, mesmo com todas as dificuldades era a realização e orgulho de toda igreja.

Por essa razão, transparecendo grande contentamento, Antonieto informou: 
O que aconteceu depois foi maravilhoso: O Senhor despertou o Seu povo, enquanto uns oravam pelo trabalho da construção os que podiam auxiliavam e os outros contribuíam liberalmente, porque todos trabalhavam para a causa de Cristo e para honra do nosso Deus.
Com o grande envolvimento de todos os membros, as expectativas sobre o tempo de trabalho foram superadas, e os três anos vencidos em pouco menos de 8 meses. No dia 28 de outubro do mesmo ano, a nova casa de oração estava pronta para ser inaugurada.

Alegremente, o pioneiro relata que naquele dia a pacata cidade "teve um movimento e vibração diferentes; vagões lotados de crentes chegavam à estação; caminhões e outros veículos vinham de várias direções trazendo o povo que vinha assistir à dedicação da casa". Pode-se imaginar a agitação e o entusiamo do povo pentecostal naquele grandioso dia. Afinal o sonhado templo era agora uma realidade.

Antes da inauguração, a multidão reunida na praça participou de um culto evangelístico. Depois seguiu em desfile "cantando, até o templo, onde o trânsito ficou interrompido, por causa da massa de povo." Contando com a presença de várias autoridades, pastor Grangeiro após breve saudação entregou a direção ao missionário JP Kolenda que cortou a fita simbólica "declarando aberto o templo", pregou e fez a dedicação do templo.

Na sequência, as autoridades observaram em suas prédicas, as ações da denominação na cidade e "a união e a alegria do povo de Deus", e todos apreciaram uma belo recital foi feito por duas meninas. A alegre festividade durou até o dia 29, quando novamente foi realizada uma nova reunião na praça e à noite outro culto no novo templo.

Para concluir, pastor Antonieto Grangeiro informa que "nos dois cultos que se realizaram, nove pessoas aceitaram a Jesus por seu Salvador". Foi a coroação dos esforços dos antigos crentes de Tubarão. Uma história memorável de pioneirismo com muitas e importantes lições para os nossos dias.

Fonte:

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de janeiro de 1951, p.7.

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