sábado, 13 de julho de 2013

Impressões sobre as Assembleias de Deus nos EUA

Na postagem anterior, observou-se as reflexões do pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos sobre a obra pentecostal nos EUA. Mas outras observações interessantes ele ainda registrou em outros artigos, que chegaram ao total de 5. Todos os textos foram publicados no principal veículo de comunicação das ADs, o Mensageiro da Paz.

Em resumo, o pastor Vasconcelos destaca o forte êxito educacional das ADs nos EUA, tendo inclusive as igrejas adquirido um prédio em Springfield e ali construído uma universidade pentecostal, onde foi inclusive, convidado a falar sobre o Brasil. Deve-se lembrar, que enquanto isso em terras tupiniquins, discutia-se a abertura de institutos bíblicos.

Outra observação: a admiração de que boa parte das receitas das igrejas eram investidas em missões. Os EUA nesse momento viviam uma época "dourada" em sua economia, e isso se traduzia em bons dividendos para as missões. Vasconcelos amava a obra missionária, pois ele mesmo foi missionário na Bolívia, e portanto, diante do que via não tinha como comparar como os tímidos esforços da igreja brasileira sobre esse assunto.


Alcebíades nos EUA: impressões sobre a AD estadunidense

Um comentário interessante do saudoso pastor, é sobre o estilo de liderança norte-americana. Observou ele a humildade do superintendente geral das ADs nos EUA e a capacidade administrativa dos que o cercam. Surpreendeu-se com algo, que vale a pena aqui transcrever. Causou-lhe admiração "a ausência do espírito de mandar!" e em seguida relata: "observei como ao invés do mando a simples e pura liderança e o indispensável espírito de equipe". E, novamente, Alcebíades como que num desabafo: "Francamente, num clima semelhante ao que ali observei, é possível trabalhar com prazer e produzir maior e melhor rendimento".

Essa comparação é significativa, pois deixa implícito um traço muito comum na liderança da AD brasileira: o mandonismo e o estilo coronelista. No desenvolvimento das ADs no Brasil, os líderes quase sempre foram fortes e excludentes. Tanto fomentavam o crescimento do trabalho, como também excluíam outros concorrentes. Faltava quem sabe "o indispensável espírito de equipe", que talvez trouxesse resultados melhores para a igreja.

Mais de 50 anos já se passaram dessa viagem, mas ainda a liderança das ADs brasileiras comportam-se de forma contrária ao que desejava o pastor Alcebíades Vasconcelos. Os últimos acontecimentos envolvendo a CGADB, simplesmente dão aos escritos e observações do antigo líder amazonense um caráter de atualidade incríveis. São lições que não podem se perder no tempo.

Fontes:

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

MENSAGEIRO DA PAZ. 1º quinzena de junho de 1964. Rio de Janeiro: CPAD.

MENSAGEIRO DA PAZ. 2º quinzena de junho de 1964. Rio de Janeiro: CPAD.

5 comentários:

  1. Prezado irmão Mário Sergio,

    Parabéns pela iniciativa!
    Precisávamos de algo exatamente assim na blogosfera cristã.

    Tenho muito gosto em acompanhar o blog e quero,através destas humildes palavras,incentiva-lo a continuar postando.


    Que as bençãos do Senhor estejam sobre o irmão e sua família.

    São Leopoldo - RS

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  2. Meu amado irmão Cleberson Maia

    Agradeço sua singelas palavras de incetivo. Realizo esse trabalho de forma voluntária, pois como pesquisador da história das Assembleias de Deus acredito que as informações aqui veiculadas são de suma importância para a reflexão do atual estado de coisas em que vivemos. E não podemos nos esquecer também dos nossos pioneiros que nos deixaram lições tão importantes. Seja sempre bem-vindo a essa página!

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  3. É por isso que lá eles tem um padrão de vida anos luz a nossa frente, só por um único motivo, lá o povo tem educação, enquanto aqui, nem o governo e nem os lideres religiosos querem o povo bem educado.

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  4. Parabéns companheiro Mário Sérgio,seus comentários são muito importante para todos nós.

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  5. As redes sociais estão colocando as zonas de sombra da história assembleiana à luz. Tristes trópicos.

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