domingo, 30 de dezembro de 2012

Pastor Satyro Loureiro: memórias de um pioneiro

Satyro Loureiro (1922-1993), foi sem dúvida alguma, um dos principais líderes da Assembleia de Deus em Santa Catarina e no Brasil. Durante as décadas de 1970 e 1980, exerceu e ocupou vários cargos de destaque dentro da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil e da CPAD. Presidiu as principais igrejas da AD no estado catarinense, em especial a AD em Joinville, a qual administrou por duas vezes. Na primeira vez, no alto dos seus trinta anos (1953-1957) substituiu o missionário norte-americano Vilgil Smith. Na segunda (1979-1990), assumiu a igreja após o falecimento do pastor Liosés Domiciano. Nas duas vezes em que esteve à frente da AD joinvilense - segundo fontes oficiosas - liderou a igreja em momentos de crise, polêmicas e desafios.

Aliás, Satyro passou a vida inteira enfrentando desafios. Orfão de pai, desde muito cedo teve que trabalhar para se sustentar. Nascido na cidade de Jaraguá do Sul, mudou-se para São Francisco do Sul, com o objetivo de trabalhar no comércio. Longe da família, Loureiro entregou-se aos vícios e devassidão. Desiludido e angustiado, pensou várias vezes em suicídio, até que um dia na pequena AD local teve um encontro com Cristo. Agora, além do desafio pela sobrevivência, havia o de permanecer firme em sua fé. Mudou-se meses depois para Joinville, onde iniciou e encerrou sua carreira ministerial.

Para muitos, Satyro foi um líder dinâmico, bom administrador, evangelista amoroso e esmerado ensinador. Amante da leitura e dos bons livros, procurava estar sempre atualizado com o que acontecia ao seu redor. Para outros, os que talvez não foram beneficiados por alguma decisão sua em algum momento do seu ministério, pelo seu estilo centralizador e firme, Loureiro foi no mínimo "maquiavélico". Na verdade, um líder forte como ele jamais foi ou será unanimidade.

Há pouco mais de 5 anos, em visita aos familiares do pastor Satyro, uma de suas filhas compartilhou com o autor dessas linhas, um rascunho de uma autobiografia iniciada por ele, mas jamais concluída. É um rascunho do que viria a ser um livro. Alguns detalhes da sua vida, como o desejo de suicidar-se, foram retirados desse rascunho. Compartilharei alguns trechos para reflexão dos leitores desse blog.

Satyro descreve um pouco sobre sua criação:
Meus pais era tradicionalmente católico romanos. Não tive o privilégio de ser criado em um lar cristão, nem mesmo de sentir o calor do afeto de pai e mãe. Quando tinha pouco mais de seis anos de idade, meu pai faleceu. Tenho vaga lembrança de algumas coisas a seu respeito. Nossa mãe , viúva, com quatro filhos não tinha condições financeiras para suportar o peso da família, por essa razão desde a mais tenra idade vivi entre estranhos, especialmente gente de origem alemã...
Vida pregressa e pensamentos suicidas:
Desde cedo naquela cidade (São Francisco do Sul), me entreguei ao vício a ao pecado, participando de tudo que o mundo oferecia... Desiludido da vida, intimamente planejei suicidar-me, e esse pensamento me acompanhou por muito tempo. Hoje compreendo que só não consumei ao maligno intento porque Deus tinha um plano para a minha vida, por cuja razão não me deixou ir as suicídio.
Processo de conversão. Satyro já se sentia tocado porém combinou juntamente com outros dois amigos o seguinte:
Na ocasião éramos três jovens da mesma idade, um mais corrompido do que o outro, entretanto, os outros dois também sentiram algo e acertamos para nos entregarmos a Jesus no sábado seguinte. Um dos dois, posteriormente, sugeriu a que fossemos ao último baile no sábado e depois aceitássemos Jesus. Eu lhe disse: Não! Nós somos três espíritos de porco, e pode sair uma briga, e qualquer um de nós morrer sem salvação, eu vou me entregar para Jesus.
Sua chamada ministerial. Entre o desejo e o sentimento de incapacidade:
A minha chamada era tão forte que dominava todo o meu ser, nada tinha mais valor algum para mim, só me restava uma coisa: realizar a obra que estava dominando a minha vida... Passados alguns dias o missionário Virgil F. Smith, que era pastor da igreja, me chamou no pavimento da igreja do templo sede - hoje demolido -  e me disse: Satyro, Deus não salvou você, para você comer, beber e vestir, ele tem um plano para a sua vida, você deve dedicar-se inteiramente ao trabalho do Senhor. 
As palavras do missionário, me causaram um impacto muito grande, e eu lhe respondi: Eu não sei pregar o Evangelho, eu não tenho capacidade. Em resposta o missionário me disse: a nossa capacidade vem de Deus, de fato, nenhum de nós é capaz e Deus precisa de pessoas que reconheçam que não tem capacidade.

Por enquanto, ficam apenas esses fragmentos. Em outras postagens, estarei divulgando mais alguns detalhes da vida desse pioneiro. Agradeço aos familiares, principalmente suas filhas, as quais sempre com muito prazer compartilham da história do seu pai. Não esquecendo que sua esposa, irmã Maria ainda vive, e foi de fundamental importância na construção do ministério do pastor Satyro.

2 comentários:

  1. Mário Sérgio,

    Parabéns por resgatar e publicar esses documentos. Convivi com o pastor Satyro por alguns anos, e a sua história de vida é muito interessante.

    Judson Canto.

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  2. Paz do Senhor amados.
    Tive o privilegio de conhecer o pastor Satiro Loureiro, seu irmão José Loureiro. Pessoas simplesmente maravilhosas. Meu pai, saudoso Haroldo pescador em São Francisco do Sul, era muito amigo destes homens, foi ai que os conheci.

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