domingo, 18 de julho de 2010

Algumas curiosidades da história assembleiana

Meu propósito é pontuar algumas curiosidades históricas da Assembléia de Deus no Brasil. As informações aqui contidas nesse post estão disponíveis no livro História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CPAD 2004). Apenas estarão inseridos alguns comentários procurando contextualizar alguns fatos para que o leitor possa entender as razões de certas decisões ou debates.

Na Convenção Geral de 1937 os convencionais desaprovaram uma proposta do missionário sueco Algot Svenson, líder da Assembléia de Deus em Belo Horizonte, de criar hospitais evangélicos em parceria com outras igrejas. A proposta foi rejeitada, pois entendiam os pastores que a função da igreja de Cristo deveria ser exclusivamente espiritual. Acreditavam ainda que a construção de hospitais fosse uma contradição à fé pentecostal, pois os enfermos deveriam antes de tudo receber orações e serem curados.

Ainda na mesma convenção foi discutida pela primeira vez a utilização do rádio como forma de evangelização. A proposta partiu de Albert Widmer, que na época trabalhava como missionário no estado de Santa Catarina. A convenção decidiu aprovar a utilização do rádio como forma de evangelização, mas não a liberação para os fiéis terem um aparelho em casa. O rádio na época era o grande meio popular de comunicação, que desde seu início no Brasil em 1922 ia ganhando cada vez mais espaço nos lares da nação. A programação radiofônica que no inicio era cultural, foi se transformando, e voltada para as massas, buscava nas músicas populares e programas de auditório maior retorno comercial. O samba, as programações esportivas e as novelas (radio novelas) representavam o secular e o mundano para os crentes desse tempo. O rádio foi sem dúvida nesse período, o que a televisão foi há alguns anos atrás para os assembleianos, um verdadeiro “bicho papão”. Ou seja, quem tinha um deles em casa, já estava fora da comunhão.

Nessa mesma convenção foi discutido sobre o uso da cruz nas fachadas dos templos assembleianos espalhados pelo Brasil. Em sua resolução a convenção decidiu pela não utilização, pois no contexto brasileiro a cruz tem um forte apelo idolátrico e supersticioso. Como alternativa a maioria das igrejas adotou textos bíblicos nas fachadas das igrejas, ou dentro delas. O interessante é que, se a cruz foi rejeitada e ainda não é utilizada como símbolo religioso, a proliferação de candelabros e símbolos ligados a fé judaica são uma constante nas igrejas assembleianas. Isso também não seria uma forma velada de superstição? Ter um símbolo judaico deixa a igreja mais abençoada? É bom refletir sobre a utilização desses símbolos nas igrejas e sua finalidade também.

A Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) foi fundada em 1940. Nos anos seguintes, a CGADB, fez um grande esforço para concretizar o objetivo de tornar a CPAD uma empresa viável em todos os sentidos. Na convenção nacional de 1947 se discutiu o local de instalação da empresa. Logo se percebe como as preferências ficaram divididas entre as cidades do Rio de Janeiro (capital federal nesse período) e São Paulo. Preferências à parte, o certo é que o Rio de Janeiro ficou sendo o local de instalação da Casa Publicadora. Mas, o interessante foi o comentário do escritor e funcionário da CPAD Emílio Conde. Segundo ele:


A opinião de pessoas experimentadas apontam para São Paulo como o local apropriado para as instalações, em face de diversos fatores, tais como: grande centro industrial, facilidade em aquisição de matéria prima, rendimento do trabalho manual em conseqüências do clima etc.



São Paulo: segundo Emílio Conde teria maior "rendimento do trabalho manual".


Parece uma coisa esquisita, mas não era. Observar esses fatores como o “rendimento do trabalho manual em conseqüências do clima”, foi algo que o grande empresário e editor Victor Civita fez ao chegar ao Brasil e fundar a Editora Abril em 1950. Segundo o jornalista Mario Sérgio Conti em seu livro “Notícias do Planalto”, Victor Civita teria escolhido São Paulo como local apropriado para sua empresa, ao invés do Rio, pois para Civita os paulistas seriam mais empreendedores, ou seja, pegavam no “batente” mesmo.

2 comentários:

  1. estou procurando a história do Pr.João Telles do Santos, nasceu entre 1909 e 1911, e foi pastor por mais de 55anos, depois de jubilado ainda continuouo pastoreando, morreu no ano de 2003.

    Sou seu neto, quero saber sua história.

    jose.eliseu@ig.com.br

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  2. Não sei ainda como o sr. José Papa Welington não levou a CPAD de vez para o seu quintal! Só falta isso!

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