Ministério de Perus – tensões e sucessão

Em postagem anterior, destacou-se a origem e expansão do Ministério de Perus (no noroeste da cidade de São Paulo), cuja fundação aconteceu em 1947. Em princípio, a congregação era filiada a AD de São Caetano do Sul, entretanto, foi com o Pastor Benjamim Felipe Rodrigues que o núcleo pentecostal na região cresceu e ganhou sua identidade e autonomia.

O Campo de Perus (como assim era chamado), porém, ao longo dos anos, manteve relações fraternais com Madureira, de onde era originário e participava da CONAMAD. A presença dos antigos líderes de Madureira era também constante nos eventos em Perus. Fotos da inauguração do histórico "Templo do Relógio", em 1976, são provas disso.

Mas, assim como Madureira mantinha atritos com os Ministérios da Missão e lutava por espaço dentro da CGADB, o Campo de Perus, por sua vez, se sentia tratado como algo menor dentro da CONAMAD e sem chances de visibilidade. A luta para editar o periódico mensal O Arado, em 1990, foi um exemplo: a Mesa Diretora de Madureira não aceitava a ideia de outro jornal, pois o Ministério já publicava O Semeador e não desejava concorrência interna.

Lupércio (microfone), Benjamim e Macalão: tempo de relações fraternais

Para a liderança de Perus, Madureira queria deter o "direito de controle quando o assunto era notícia surgida em meio às igrejas", ou seja, só ganhariam destaque nas páginas d'O Semeador os obreiros e igrejas alinhados aos projetos de poder da cúpula da Mesa Diretora. Naqueles idos dos anos 90, a difusão de notícias ainda era muito restrita e ter uma mídia impressa era a vitrine preferida dos pastores e líderes de ministério.

Sendo assim, ao receber a notícia da criação d'O Arado, a ordem da Mesa da Convenção foi "minimizar o feito e qualificar como algo de importância menor o lançamento do jornal." – relembraram os redatores d'O Arado em sua edição de outubro de 2017. As barreiras só foram vencidas devido à determinação do Pastor Benjamim e dos membros da diretoria do Ministério.

Dessa forma, como quase toda igreja ligada a Madureira, Perus teve seus momentos de questionamentos em relação à sucessão do Pastor Benjamim. Idoso e com a saúde precária desde 1999, Benjamim aparentemente não tinha herdeiro ministerial à altura. Surgia então a dúvida: "O Campo de Perus cairia nas mãos de Madureira?".

Todavia, a questão sucessória não fugiu das rédeas do Ministério. Na manhã em que a morte do Pastor Rodrigues foi anunciada, a diretoria se reuniu e deu posse ao então vice-presidente de Perus, Elias Cardoso. Elias teve uma ascensão ministerial rápida e relevante no Ministério de Perus: aos 22 anos tornou-se diácono, aos 23, presbítero; aos 27, evangelista e foi ordenado pastor aos 31 anos; e aos 39, assumiu a igreja na qual nasceu e serviu desde a mais tenra idade.

Desde então, o que restava das "relações fraternas" com Madureira foram se dissolvendo. O resultado disso foi a fundação da Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus Ministério de Perus no Brasil e Igrejas Afiliadas (CONAMADEMP). Para a CONAMAD foi mais uma perda representativa em sua convenção. Não foi só a CGADB que viu seus quadros de ministérios e convenções diminuir...

Fontes:


O Arado em sua edição de outubro de 2017, disponível no Portal da AD em Perus.

Comentários

  1. Não conhecia essa dimensão "editorial" na relação entre AD Perus e CONAMAD. Muito interessante essa disputa pela primazia da informação entre as ADs na era pré-internet.

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