segunda-feira, 25 de maio de 2020

O "Timoneiro", o "Trovão" e a tempestade (2ª parte)

Como se observou na postagem passada, o pastor Eliseu Feitosa de Alencar voltou a Campo Grande/MS, em março de 1970, depois de cinco anos trabalhando em São Paulo, capital. Foi um tempo de acentuado progresso ministerial, mas também de desconfianças por parte dos principais pastores de Ministério do Belenzinho ao "Trovão Brasileiro".

Em jogo, a sucessão do velho "timoneiro". Cícero já estava quase octogenário e ainda não havia definido um sucessor. Vale lembrar, que nas páginas da biografia do pastor José Wellington Bezerra da Costa essa inquietação era constante: Joaquim Marcelino da Silva, da AD em Santo André/SP, manifestou preocupações em relação à sucessão do veterano. Mas ele desconversava e negava-se a apontar diretamente alguém.

Sendo um forte concorrente ao posto de líder máximo do Belenzinho, Eliseu Feitosa viveu dias tensos em São Paulo. A volta para Campo Grande, pode estar relacionada ao tal dossiê rejeitado por Cícero e motivador da crise no Ministério. Sair do clima impregnado de ciúmes, talvez fosse uma boa alternativa. Na distante "Cidade Morena" haveria quem sabe menos patrulhamento.

As versões para a cisão em 1972, como toda boa história das ADs é controversa. Em casos assim, sempre há narrativas conflitantes, mas é certo que a ruptura em Campo Grande, fizeram dos últimos anos de ministério de velho Cícero mais sofridos e tristes.

Sabe-se oficialmente, que todo patrimônio da AD campo-grandense pertencia ao Ministério do Belém. Depois de tomar posse em Campo Grande, Eliseu teria procurado o pastor Cícero com uma proposta aparentemente vantajosa: a anistia concedida pelo prefeito da cidades aos impostos atrasados; desde que a igreja local estivesse suas propriedades registradas em seu nome. Cícero concordou e decidiu doar todos os templos com registro em ata da decisão.

Pastor Eliseu e a AD em Campo Grande/MS

Nada de anormal até esse momento, mas o "timoneiro" estava sendo constantemente instado a tomar cuidado com seu protegido. Há relatos, que Cícero foi convencido da iminente ruptura e de que a proposta de mudança de registro dos templos fazia parte dessa estratégia. 

Induzido pelos seus obreiros, o ancião enviou uma comissão de pastores para tratar do caso. O grupo de pastores, liderados pelo vice-presidente do Belenzinho, João Pereira de Andrade e Silva, não foi com a intenção de conciliar. A determinação era a exclusão, ainda que não houvesse consenso entre todos eles. Todavia, o pastor Eliseu tinha os fiéis ao seu lado e condições jurídicas para dar independência a igreja.

Em março de 1972, o pastor Eliseu rompeu com o Ministério do Belém. A AD em Campo Grande se tornou autônoma e no embalo dos acontecimentos Alencar fundou mais um Ministério na cidade de São Paulo, a AD Paulistana. Muitos crentes do Belenzinho mudaram-se para a nova ramificação assembleiana na capital.

Segundo o pastor José Wellington Bezerra da Costa em sua biografia, Cícero ficou com medo de uma divisão em todo o Ministério. O "Trovão" causou uma grande tempestade e assustou o "timoneiro". Os candidatos à vaga do veterano obreiro é que devem ter se sentido aliviados. Era menos um na disputa...

Fontes:

ARAÚJO, Isael. José Wellington – Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro. Onde a luta se travar: uma história das Assembleias de Deus no Brasil - Curitiba: Editora Prisma, 2017.

3 comentários:

  1. Essa igreja hoje é do Ministério de Madureira se não me engano, e a igreja AD Missão nasceu depois dessa divisão?

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  2. MUITAS IGREJA E PEQUENOS GRUPOS QUE AO LONGO DOS ANOS SE DESLIGAM DA CGADP (BELENZINHO) ENCONTRANM APOIO DO MINISTERIO DE MADUREIRA.

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  3. Ele saiu do ministério do belenzinho,passou para o ministério de madureira

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