domingo, 24 de fevereiro de 2019

José Wellington Bezerra da Costa - entrevista histórica

No mês de julho de 1988, o Mensageiro da Paz trouxe aos seus leitores uma entrevista exclusiva com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da AD Ministério de Belenzinho/SP e, após o falecimento do pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos, presidente da CGADB, no dia 12 de maio do mesmo ano.

José Wellington foi entrevistado em seu escritório no Belenzinho pelo jornalista e pastor Geremias Couto. No texto de abertura da matéria destacou-se as "considerações [do pastor Wellington] da maior atualidade, que devem ser, também, motivo de reflexão para as demais lideranças de nossa igreja".

Nessa postagem selecionou-se alguns pontos interessantes para se refletir sobre a história e os rumos que as ADs tomaram nessas últimas décadas. Na época da entrevista, o líder do Belenzinho contava com 53 anos de idade e estava apenas há oito anos na presidência do ministério paulista.

Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos - "Tínhamos no pastor Alcebíades aquela coluna de sustento das Assembleias de Deus no Brasil e a sua morte se constituiu numa perda irreparável... Estou orando para que Deus me ilumine e, sobretudo, me ajude no desempenho dessa tarefa tão pesada para qualquer pastor da nossa igreja".

O historiador não trabalha com previsões e é difícil dizer o que aconteceria se o pastor Alcebíades continuasse a conduzir a CGADB. Em sua biografia, o pastor Costa relembra que Vasconcelos "colidiu fortemente com Madureira" e os desentendimentos com o pastor Manoel Ferreira foram tais que os dois "romperam as relações". Contudo, o bispo Manoel Ferreira em suas memórias observou: "Eu tenho certeza de que, se o Alcebíades estivesse vivo, talvez hoje nós estaríamos ainda na CGADB...".

José Wellington Bezerra da Costa

Problemas na CGADB - "Eu venho participando da Mesa Diretora já em outras gestões e conheço de perto os problemas existentes da nossa Convenção Geral. É verdade que assumi numa época de maior turbulência... Quero reafirmar que chego com o coração aberto, sem trazer comigo nenhum propósito contra ninguém...".

Realmente era um momento complexo. As disputas entre os Ministérios da Missão e de Madureira estavam em seu auge. A eleição da Mesa Diretora da CGADB em Salvador em 1987, foi um dos capítulos mais conturbados da história das ADs, refletindo as tensões de anos anteriores. Nos meses seguintes, as questões só se agravaram e Wellington teria que negociar com Manoel Ferreira soluções para os impasses.

O que não se previa naquele momento era a perpetuação do pastor de Belenzinho no poder. Até ali, sempre houve alternância na presidência da CGADB, mas José Wellington conseguiu a proeza inédita de permanecer por três décadas no comando da instituição. Já se passaram oito Copas do Mundo de Futebol, três papas, oito presidentes do Brasil e o cearense de São Luís do Curu não "largou o osso".

Unidade - Geremias perguntou ao presidente da CGADB se era possível caminhar para a unidade. Wellington, naquele momento, expressou crer poder contar com a amizade de pastores de todo o Brasil. "Eu tenho procurado ser amigo de todos esses pastores, movido por um sentimento de sinceridade. Agora, espero da parte deles total compreensão, porque eu não olho a igreja no Brasil separada".

A história é conhecida: o Ministério de Madureira foi suspenso da CGADB em 1989. Posteriormente, veio a saída das ADs em São Cristóvão, Santos e a criação de uma nova dissidência, a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB), a qual reúne outras igrejas históricas das ADs em Belém, Manaus e Macapá.

Por outro lado, a gestão José Wellington salvou a CPAD da falência. Seguindo em direção contrária as suas congêneres, a editora assembleiana avançou em qualidade, vendas e presença em todo território nacional e no exterior. Para muitos, as principais tensões tem como um dos motivos principais o controle da Casa Publicadora. Malafaia que o diga...

Política e igreja - Perguntado sobre a participação do crente na vida pública, Wellington foi direto: "A igreja e a política são como água e óleo: não se misturam". Na continuação, porém, destacou a legitimidade dos crentes como cidadãos participarem da vida pública do país e influenciá-la "sem, contudo, misturar a igreja como instituição e a política partidária".

Não é preciso ser especialista para saber que essa visão mudou drasticamente. O antigo pudor das lideranças assembleianas nas questões políticas seria abandonado em breve. Hoje, Belenzinho, Madureira, Abreu e Lima, Santos e muitos outros ministérios jogam seu peso institucional para eleger candidatos vinculados à igreja. No caso do Belenzinho os eleitos são filhos do pastor Costa.

Em sua primeira entrevista como presidente da Convenção Geral, o pastor José W. Bezerra da Costa aconselhou para que as ADs continuassem em "marcha vitoriosa para o céu" e que não se envolvesse com o mundo e o que nele há. "Sigamos, pois, em frente, com passos firmes e céleres, pois Jesus está perto de voltar" - exortou.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro, “Onde a luta se travar”: a expansão das Assembleias de Deus no Brasil urbano (1946-1980), (Tese de Doutorado em História) Assis-SP: UNESP, 2015.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

Mensageiro da Paz, julho de 1988, ano LVIII, nº 1219, CPAD:RJ.

Um comentário:

  1. HOMEM DE DEUS COM O SEU PECADO O QUAL COMETEU MAIS DEU UM GRANDE EXEMPLO BIBLICO DE ARREPENDIMENTO E DE CONFICAO DIANTE DO POVO E DIANTE DE DEUS E TENHO CERTEZA QUE FOI FERDOADO

    ResponderExcluir