sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Ministério de Perus em São Paulo - origem e expansão

No ano de 1989, o pastor Benjamim Felipe Rodrigues, então líder da Assembleia de Deus - Ministério de Perus, em São Paulo - ficou conhecido nacionalmente por estar no centro das discussões entre a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e a Convenção Nacional dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus em Madureira e Igrejas Filiadas (CNMEADMIF).

Na época, o pastor Benjamim foi descredenciado pela Mesa Diretora da CGADB, contudo, o Ministério de Madureira resolveu "hipotecar solidariedade" ao aliado, ignorando as determinações da Convenção Geral. Tudo isso dentro de um contexto controverso - como se verá em outra postagem- envolvendo a chamada "jurisdição eclesiástica" e a disputa de poder dentro da própria CGADB.

Localizado na região noroeste da cidade de São Paulo e isolado por um cinturão verde, o distrito de Perus teve na instalação da sua estrada de ferro em 1914, e da Fábrica da Companhia de Cimento Portland Perus em 1926, os principais suportes para o seu desenvolvimento. Em busca de trabalho e oportunidades, migrantes do interior do estado de São Paulo começaram a chegar.

Irmã Rosalina e pastor Benjamim antigos líderes da AD em Perus/SP

Foi justamente entre esses migrantes que a Assembleia de Deus iniciou seus trabalhos em 1947. Em seus primórdios, a congregação era filiada a AD de São Caetano do Sul. Em 1950, junto com a instalação de energia elétrica no bairro, chegou o então evangelista Benjamim Felipe Rodrigues à região para assumir a liderança do núcleo pentecostal.

Paulista de Santa Cruz da Conceição, Benjamim nasceu numa família pobre e desde cedo conheceu o árduo labor. Converteu-se ainda na juventude e posteriormente ingressou na carreira militar, chegando ao posto de Clarim de Ordem ao Comando. Ao deixar os quartéis em 1946, Rodrigues iniciou seu ministério de obreiro e com apenas 28 anos de idades foi enviado a Perus.

Em pouco tempo de trabalho, os frutos começaram a aparecer: em 15 de novembro de 1951, a AD em Perus realizou o batismo em águas de 18 novos convertidos; o primeiro na gestão do jovem evangelista. Em 1952, há o registro da implantação de duas congregações e seis pontos de pregação ao longo da Rodovia Anhanguera, que na época vivia em constantes obras de pavimentação e cercada de acampamentos de trabalhadores. Outras congregações também foram abertas ao longo da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí aumentando o campo de ação do Ministério.

É significativo que, em 1959, a AD em Perus recebeu sua autonomia jurídico-administrativa, possibilitando ao pastor Benjamim alargar ainda mais as fronteiras do Ministério. Em 1964 o campo eclesiástico de Perus contabilizava 31 congregações com mais de 2 mil membros em comunhão. Em paralelo ao trabalho evangelístico, foi criado, em 1956, o departamento de assistência social denominado "Comissão de Socorro".

Com seu estilo militar, senso de disciplina e hierarquia, Benjamim criou 14 regiões para serem supervisionadas por evangelistas da igreja. Ao findar a década de 1960, o Ministério de Perus já tinha se expandido pelas cidades vizinhas: Franco da Rocha, Francisco Morais, Barueri, Mauá, Mairiporã, Pirapora do Bom Jesus, entre outras.

Ao inaugurar o atual templo sede com capacidade para 2 mil pessoas sentadas em 1975, o Ministério contava com mais de 7 mil membros distribuídos entre 53 congregações e 21 salões de cultos em São Paulo (Capital e interior), Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. Portanto, já era um Ministério inter-regional e, como se constatou depois, sempre em expansão.

Em todo esse tempo, a AD em Perus manteve laços fraternos com o Ministério de Madureira. Era autônomo, mas estava filiado a CNMEADMIF e por sua vez a CGADB. Apesar de ser uma ramificação assembleiana expressiva, a liderança de Perus portava-se com discrição dentro da grandiosidade de Madureira.

A polêmica envolvendo Perus, Madureira e a CGADB, hoje se sabe, foi apenas uma desculpa para eliminar rivais incômodos e perpetuar um grupo no poder na Convenção Geral. Mas para ironia da história, Madureira, que em 1989 resolveu "hipotecar solidariedade" ao líder do Ministério de Perus, tempos depois não teve a recíproca esperada. O bispo Samuel Ferreira que o diga...

Fontes:

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de fevereiro de 1952, nº 4, ano XXII.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de abril de 1953, nº 8, ano XXIII.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de agosto de 1964, nº 16, ano 34.

Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de outubro de 1965, nº 20, ano 35.

Mensageiro da Paz, abril de 1967, nº 7, ano 37.

https://adperus.com.br/institucional/

http://www.spbairros.com.br/perus/

http://documentacao.camara.sp.gov.br/iah/fulltext/justificativa/JPDL0032-2000.pdf  - dados biográficos do pastor Benjamim Filipe Rodrigues.

3 comentários:

  1. Por que não concluir a história? Terminar o artigo com reticências desperta curiosidade no leitor!

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  2. E a curiosidade tá grande aqui também, hein Prof. Mario Sérgio.. rsrs

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  3. A reciprocidade não ocorreu pois as atuais lideranças, tanto da AD Perus como da AD Madureira não falam a mesma lingua. Com a morte do pr. Benjamim, os Ferreira queriam dividir como um bolo a AD Perus, e agregar para o Brás mais da metade das congregações filadas a Perus, claro que isso não foi aceito pelo ministério AD Perus.

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