quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Versões da história das ADs - contradições

O objetivo dessa postagem é comparar algumas narrativas assembleianas com documentos, pesquisas e informações disponíveis, os quais, servem de contraponto à dita "História Oficial" das Assembleias de Deus. Existe, na história e em sua narrativa, na grande maioria das vezes, uma enorme distância entre o fato e a versão dele. As versões da história eclesiástica, em geral, têm o objetivo de edificar os crentes e apontar exemplos a serem seguidos.

Como escreveu o pastor e poeta Joanyr de Oliveira, a "historiografia oficial, seja religiosa, seja política, é sempre míope em avançado grau - quando não ostensivamente estrábica, em boa parte não é senão uma grande farsa. Quantos pseudos santos e heróis nos forja, sem o mínimo pudor... Sim, a história dos vencedores - a que prevalece - é sempre tendenciosa, desonesta". Então vamos a algumas versões e contradições da história.


CGADB de 1930: clima de tensão nas ADs

"Não havia nenhuma intenção dos obreiros nacionais em dividir o Movimento Pentecostal. Eles desejavam mais autonomia, e instaram para que não fossem mal compreendidos e para que a obra no Brasil continuasse unida." (Silas Daniel no livro História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, CPAD, 2004)

Não é o que dá a entender a carta enviada pelos pastores brasileiros ao sueco Lewi Pethrus datada de 21 de abril de 1931. Na carta, eles reclamam da postura de Frida Vingren como redatora do Mensageiro da Paz e em determinado ponto do texto, os pioneiros avisam: "é certo é, se continuar como está, haverá um levante, talvez de um caráter mais melindroso do que o primeiro." O que se pode deduzir da missiva é que se os obreiros nativos não demonstraram a intenção de dividir a denominação, algo próximo disso estava para acontecer.



Frida: ia "além do prudente e útil"

"A sua impetuosidade, algumas vezes, levou-a além do que era prudente e útil, naqueles momentos; porém, depois, reconhecendo isto, lamentava que tal sucedesse." (Samuel Nyström no Mensageiro da Paz, 2ª quinzena de 1941)

O texto em que Nyström relata a morte de Frida Vingren é emblemático. Hoje, sabemos pelas pesquisas históricas que ele foi forte opositor do ministério feminino. Articulou-se com os pastores brasileiros para impedir o projeto de igreja do casal Vingren no Rio de Janeiro. Ao escrever sobre a sua conterrânea, Samuel reconhece seus talentos, capacidade, cultura, zelo e dedicação da missionária. Porém, Frida, em sua "impetuosidade", ia além do que "era prudente e útil", ou seja, não se enquadrava no ideal de mulher crente por eles defendido. Seria mais "prudente e útil" ela ter sido uma "Amélia" assembleiana: boa, recatada e do lar.



AD em SP antes das "circustâncias" impostas

"A partir de 1938 as circunstâncias impuseram a existência de Assembleias de Deus independentes, com orientação e responsabilidades próprias." (Emílio Conde no livro História das Assembleias de Deus no Brasil, CPAD, 1961)

Foi o "apóstolo da imprensa pentecostal brasileira", Emílio Conde, o autor desse eufemismo usado para justificar a existência de dois Ministérios da AD na Pauliceia. A tal "circunstância" foi que Paulo Macalão resolveu abrir uma congregação ligada ao Ministério de Madureira. Conta-se que Macalão teve uma "visão" onde contemplou um salão com uma placa de aluguel. Convocou então seu cunhado Sylvio Brito para ser o dirigente da nova filial. Porém, Brito era o pastor da AD fundada pela Missão Sueca em 1927. Pode-se imaginar o desconforto entre as lideranças pela iniciativa. Era Madureira fincando seus tentáculos na grande metrópole paulista...

Um comentário:

  1. Dois dedos de prosa: 1) A história é a versão dos vencedores. No caso assembleiano eleve esta premissa ao cubo; 2) A História irá obrigar a AD a se congregacionalizar.
    Abração!

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