domingo, 5 de agosto de 2018

Frida, IPB, Antônio Gilberto e o ministério feminino

O final do mês de julho de 2018 foi marcante para o mundo evangélico em geral: matéria da BBC de Londres sobre a missionária sueca Frida Vingren, reunião Entre do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e o falecimento do pastor e teólogo assembleiano Antônio Gilberto. Nos três eventos, pode-se relacionar algo em comum: o ministério feminino.

A matéria da BBC acerca da esposa do mítico fundador das Assembleias de Deus (ADs) no Brasil, Gunnar Vingren, gerou, como sempre, fortes polêmicas. As redes sociais são prova disso: desconhecimento e lamentações sobre o triste fim de Frida, críticas aos seus algozes, dúvidas sobre sua integridade moral e espiritual, defesa e exortações contrárias ao ministério feminino e por aí vai...

Em tudo isso, como em outros assuntos, as ADs se mostram uma denominação controversa. Alguns Ministérios não aceitam pastoras; outros tem até "bispas". Em alguns casos, aparentemente, há certos avanços. O Ministério do Ipiranga em São Paulo recentemente separou mulheres para o cargo de "Missionárias Comissionadas". 

Pastor Antônio Gilberto e biografia de Frida

Sendo o principal Ministério ligado a Convenção dos Ministros Ortodoxos das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros (COMOESPO), cujo fundador, o saudoso pastor Alfredo Reikdal, dizia-se "assembleiano ortodoxo e sectário" e reprovava inovações, a separação de missionárias no Ipiranga quebra a autointitulada "ortodoxia" da Convenção paulista.

Coincidentemente, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que aconteceu entre os dias 22 e 28 de julho, decidiu pela proibição - "exceto sob supervisão de um pastor" - a pregação de mulheres, as quais também não podem "assomar ao púlpito". Irmãs ordenadas em outras denominações evangélicas, igualmente, não têm permissão para pregar em suas igrejas.

Como no caso assembleiano, desde a CGADB de 1930, há contradições nesse tipo de resolução, pois na prática, elas ensinam nas Escolas Dominicais, dirigem grupos de oração, lideram corais de jovens e muito mais. Como observou o blogueiro Daladier Santos, as mulheres não foram proibidas de "serem enviadas como missionárias. Assim elas irão, pregarão, ensinarão, batizarão, construirão igrejas, ungirão enfermos, servirão a Ceia, farão casamentos e até (quem sabe?) levantarão obreiros para o trabalho."

Por último, no dia 30 de julho, faleceu o pastor Antônio Gilberto. As ADs perderam o seu maior ícone na área do ensino e teologia. Homem probo e de grande influência na denominação, Gilberto foi sepultado com as honras merecidas e testemunhos da sua grandeza pessoal e ministerial.

Em 2012, em entrevista ao Seara News, o pastor Antônio ao ser questionado sobre à ordenação de mulheres ao ministério, o nobre obreiro foi enfático: "Não, não e outra vez não! Não existe Ordenação!… Mulheres no Santo Ministério, tanto venham. Inclusive muitas vezes elas fazem o trabalho melhor que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras."

Na sequência, o teólogo pentecostal faz sua exposição refutando a ideia de ordenação das irmãs. Usando referências bíblicas e palavras do grego, o pastor procura mostrar o quanto a prática de separação de mulheres ao ministério é antibíblica. "Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus" - enfatizou Gilberto.

E assim caminha os evangélicos. De um lado as pressões históricas com o exemplo dramático de Frida Vingren tentando abalar as mais firmes convicções ministeriais. Por outro, Concílios, Convenções e teólogos de renome negando o ministério feminino, mas aceitando-o em suas fileiras conforme as conveniências.

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-44731827

http://www.daladierlima.com/igreja-presbiteriana-contribui-para-contradicao-evangelica/

http://www.searanews.com.br/pr-antonio-gilberto-a-importancia-da-doutrina-biblica-para-a-igreja/

6 comentários:

  1. Na bíblia constam episódios que iam de encontro ao aspecto cultural da época. O evangelho não mudou e nunca mudará, já a cultura de uma época muda com o passar do tempo sem violar os princípios da palavra de Deus que são, repito, imutáveis

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  2. Contradições no atacado. Absurdo total! Obrigado pela menção e sigamos em frente!

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  3. são muito contraditórias as denominações cristãs

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  4. as denominações cristãs se contradizem nesse aspecto,aqui foram citadas duas denomonações cristãs:Assembleia de Deus e presbiteriana

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  5. Prezado irmão, sou graduando em história e quero parabenizá-lo pelo blog que presta um excelente serviço na preservação da memória protestante em nosso país. Todavia, como cristão presbiteriano registro que, a meu ver, a posição da IPB não é contraditória, nem segue conveniências. Ao contrário, está em perfeita harmonia com os ensinamentos do Novo Testamento, especialmente em 1 Timóteo 2:11-14. Os equívocos a respeito do papel feminino nas igrejas, em geral, decorrem de uma exegese equivocada desse texto ou da rejeição total dele em benefício de argumentos culturais e sociológicos, que tem sua relevância, porém, não deveriam ter autoridade sobre a Igreja de Cristo. Sobre o tema recomendo: http://www.seminariojmc.br/index.php/2018/02/06/masculinidade-feminilidade-e-a-liberdade-para-servir/. Deus abençoe!

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