sábado, 10 de março de 2018

AD São Cristóvão - o retorno

Organizada por Gunnar Vingren em 1925, no antigo Distrito Federal, a Assembleia de Deus em São Cristóvão (RJ) foi pioneira e referência por muitos anos no movimento pentecostal brasileiro. Mas, no início do século XXI, a igreja passou por uma série de mudanças doutrinárias e litúrgicas, principalmente com implantação do polêmico do G12; polêmico método de crescimento e evangelização neopentecostal.

Antigo templo da ADSC: agora congregação da CADB

O projeto de uma "nova dimensão espiritual" para a tradicional AD carioca, não foi aceito sem resistências. Como resultado da imposição do novo modelo de trabalho eclesiástico, em 2002, boa parte dos membros de São Cristóvão abandonou a congregação para formar a AD do Rio de Janeiro, no bairro de Benfica.

Porém, alguns anos antes, na década de 1990, a AD pioneira no Rio, construiu um novo salão de cultos muito próximo ao tradicional endereço no Campo de São Cristóvão, 338. A estrutura do histórico templo seria então utilizado como centro de convenções e área administrativa.

AD do RJ em Benfica fundada em 2002

Mas, a tradicional AD em São Cristóvão, cujo nome foi modificado para Missão Apostólica da Fé (ADMAF) entrou em declínio com todas as transformações impostas, de cima para baixo, aos membros. Tentou-se alugar o antigo templo no Campo de São Cristóvão, 338 ou vendê-lo. Enquanto isso, o espaço de grande valor afetivo para muitos crentes estava fechado.

A criação da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB) no final de 2017, deu alento ao local de tantas memórias. A CADB comprou o prédio, e após uma bela reforma, instalou no célebre endereço sua sede no Rio de Janeiro. Recentemente, foram reiniciados os cultos no antigo templo para a alegria de muitos crentes.

ADMAF - liderada por Jessé Maurício

Sob à liderança do pastor André Câmara e de muitos outros obreiros, músicos (inclusive Jessé Sadoc filho do saudoso pastor Francisco Pereira do Nascimento, que liderou à igreja na década de 1960) e crentes da velha e nova guarda, São Cristóvão volta ao cenário das ADs no Brasil.

Interessante agora é pensar: qual é a legítima AD fundada por Gunnar Vingren? Seria a AD em Benfica, que foi aberta por vários membros dissidentes da igreja liderada na época pelo pastor Túlio Barros Ferreira? Ou a ADMAF do apóstolo Jessé Maurício, líder da continuação institucional da antiga congregação carioca? Ou ainda a congregação reaberta no Campo de São Cristóvão, 338?

Curioso, é que as três igrejas estão instaladas na mesma região. A ADMAF e a AD em São Cristóvão liderada por André Câmara ficam a poucos metros uma da outra e estão ligadas à CADB. A AD em Benfica, na Rua São Luiz Gonzaga, 1743, localiza-se no bairro vizinho e está ligada à CGADB.

Com tanta história, é provável que o espírito da AD pioneira no Rio esteja distribuído nas três igrejas. Porém, o pastor André Câmara já convidou um grupo de antigos crentes da AD em São Cristóvão, que reúne-se periodicamente, para realizar o próximo evento no templo do número 338. Câmara está saindo na frente na questão das memórias históricas, e em consequência no afeto.

Interessante é o sentimento histórico: ele está nas construções humanas na forma de templos, líderes, instituições, liturgias e memórias. Com certeza, a igreja do Campo de São Cristóvão é o que mais inspira...

Fontes:

http://mariosergiohistoria.blogspot.com.br/2010/12/assembleia-de-deus-de-sao-cristovao-rj.html

http://mariosergiohistoria.blogspot.com.br/2013/08/era-uma-vez-uma-assembleia-de-deus.html 

http://www.iadrj.com/index.php

http://portalcadb.com/

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