quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - CPAD: lucro e interesses


A perpetuação establishment da CGADB em 2017, diretamente também consolidou a permanência do comando administrativo da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Desde 1993 no cargo (uma longevidade nunca antes vista na função), o atual diretor-executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues de Souza dirige a editora com mão de ferro. Mas a aposta em Rodrigues deu resultados: a cambaleante CPAD, hoje é uma empresa sólida e lucrativa. Porém, mais do que nunca, a histórica editora foi instrumentalizada para garantir interesses e eliminar pluralidade de ideias ou questionamentos políticos. Um bom exemplo disso foi a 84ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros (COMADESP). Seu presidente, o pastor Carlos Roberto da Silva concorreu na chapa opositora nas eleições da CGADB nesse ano. Resultado: a CPAD ignorou o evento presidido pelo pastor Carlos. Quem marcou presença e investiu na convenção foi a Editora Vida. Um internauta não deixou passar sem um comentário ironico. Segundo ele, a convenção foi um sucesso, mesmo sem o patrocínio da CPAD. “Ou seja, existe VIDA além da CPAD."

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - Canalhas


Na 43ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB, o deputado federal e pastor da AD em Campinas, Paulo Freire da Costa resolveu desabafar sobre as liminares contrárias a posse do seu irmão, o pastor Wellington Júnior na presidência da instituição. Isso aconteceu durante o tumulto entre os adversários e os aliados do pastor José Wellington Bezerra da Costa. Indignado, o nobre deputado chamou de "canalhas" todos os opositores do seu pai. O vídeo com as fortes declarações de Paulo Freire viralizou nas redes sociais e provocou muitas críticas. Milhares de obreiros sentiram-se incluídos nas acusações do tribuno sem merecer. Por essas e outras, o saudoso pastor Túlio Barros, na condição de presidente da Convenção Geral realizada em Santo André (SP) em 1966, proibiu "a gravação magnética" dos debates por um convencional. Atualmente, como já sabemos, é quase impossível esse tipo de ordem. Para terminar: meses depois, um menos indignado Paulo Freire votou a favor do arquivamento das denúncias contra o Presidente Temer. Mas em Brasília e no Palácio do Planalto não tem canalhas...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - Bye CGADB!


Pródiga em novidades nesse fim de ano, a CADB ganhou nos últimos dias uma adesão significativa. Filiou-se à nova convenção, o conhecido pastor, escritor e jornalista Geremias Couto. Critico do atual establishment da CGADB, Couto trabalhou por muitos anos na CPAD, onde foi chefe do Departamento de Jornalismo e Gerente de Publicações. Acompanhou, nessa condição privilegiada, momentos decisivos da história das ADs, inclusive o início da presidência de José Wellington, o qual entrevistou em primeira mão para o Mensageiro da Paz em julho de 1988. Em 1996 deixou à Casa Publicadora e posteriormente rompeu definitivamente com a empresa ao criticar a publicação da Bíblia Dake. Tempos depois renunciou ao Conselho Político da CGADB do qual fazia parte. Causou espanto em 2015, ao se declarar calvinista e reacender o debate soteriológico dentro das ADs. Para muitos não causou surpresa sua adesão à CADB, pois Couto já apoiava o pastor Samuel Câmara nas últimas eleições. Mesmo assim, o jornalista declarou em sua página no Facebook, que a decisão foi tomada após oração e reflexão sobre o assunto. Na visão de outros, o "herege calvinista" vai tarde, pois nas redes sociais ele já foi excomungado, excluído e lançado na fogueira inquisitória. Ainda bem que estamos no século XXI...

sábado, 23 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - Essa gente incômoda


Talvez nem o jornalista José Roberto Guzzo esperasse tanta repercussão do seu texto publicado na revista semanal Veja (04/10/2017), intitulado Essa Gente Incômoda. Repercussão negativa e com um festival de críticas infundadas. Foi triste ver tantas bobagens serem escritas e ditas, fruto da desinformação. Um exemplo disso foi umas das críticas do deputado federal Marcos Feliciano. Feliciano chegou a dizer que Guzzo foi "rebaixado" de diretor para articulista da revista. Isso seria uma prova cabal da sua incompetência. Na verdade, Guzzo foi por 15 anos diretor de redação de Veja e pediu para sair em 1991, pois queria dedicar-se a outros projetos. Voltou para contribuir na área administrativa e editorial da Abril à partir de 2008. Gutierres Siqueira escreveu no seu blog na época da polêmica: "Muitos evangélicos simplesmente não entenderam que o colunista usa inúmeras ironias para mostrar o preconceito velado que existe no meio cultural e na elite intelectual contra essa 'gente incômoda'. Quem acompanha a coluna do Guzzo sabe que o texto dele sempre é marcado pelo uso da ironia. Ele, inclusive, usa algumas aspas no decorrer do artigo, que é uma marca em qualquer escrito irônico." Realmente, o artigo  Essa Gente Incômoda, incomodou muita gente que não saber ler e interpretar um texto corretamente.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - Samuel Ferreira "da Costa"


Em 2017, o bispo Samuel Ferreira, Presidente Executivo da CONAMAD, fez o que gosta: apareceu. Primeiro foi em março, quando na 39ª Assembleia Geral Ordinária do Ministério, Samuel e mais quatro pastores (inclusive seu irmão Abner) foram separados ao cargo de Bispos das ADs de Madureira. Depois em junho, fotos da glamourosa diplomação na Catedral Baleia em Brasília, com direito até ao medieval costume de beija-mão viralizou nas redes sociais. Em julho, Ferreira esteve na posse do novo presidente da CGADB, o pastor José Wellington B. da Costa Júnior em São Paulo. No evento, o bispo externou seu apoio ao recém empossado líder da Convenção Geral. Em novembro, no culto de celebração do aniversário do pastor Wellington Júnior no Belenzinho, novamente Samuel se fez notar ao declarar "profeticamente" ao presidente da Convenção Geral: "Deus te livrou de Ló", numa clara alusão ao desligamento do pastor Samuel Câmara da CGADB. Nas duas visitas ao Belenzinho, Ferreira contou considerar-se filho do casal José Wellington e Wanda Freira da Costa. Seu nome poderia ser Samuel de Cássio Ferreira "da Costa". Dizem alguns irmãos de larga sabedoria, que com esse discurso, o líder de Madureira também quer se colocar na linha de sucessão da CGADB e unificar os Ministérios. Será?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - o resgate de um símbolo


Com a criação da nova Convenção Nacional, um importante prédio histórico das ADs no Brasil voltará a ser referência no Brasil: o antigo templo da AD no Campo de São Cristóvão (RJ), nº 338. Nas instalações do templo será realizada as inscrições de ministros para a CADB e atendimento de obreiros do Rio de Janeiro, Sudeste e restante do Brasil. Funcionará também no local uma extensão do Museu Histórico Nacional da Assembleia de Deus, Centro de Convenções da Assembleia de Deus, Centro de Formação e Treinamento Pastoral. Para antigos membros da congregação tal acontecimento é um alento. Depois da mudança de endereço, e à morte do pastor Túlio Barros Ferreira; coincidindo ainda com a guinada ministerial e teológica de seus lideres e à saída de muitos membros, o templo de grande significado afetivo para os crentes estava praticamente abandonado. Era angustiante para muitos, ver a faixa de "Aluga-se" ou saber da possível venda do local onde se construiu grande parte da história das ADs no Brasil. Talvez quem fique mais aliviado mesmo seja o bispo Jessé Maurício e à família Ferreira. O motivo? Os irmãos do Rio sabem bem...

Retrospectiva 2017 - criação da CADB


O ano de 2017 fecha com a criação da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB). Pelo andamento das coisas, a organização da CADB não chega a ser novidade. Os descontentamentos com os rumos da CGADB eram crônicos e depois da última (e judicializada) eleição, seria muito difícil não imaginar outra alternativa para o pastor Samuel Câmara e seus aliados. E por falar em Câmara, ninguém pode negar, que o pastor da AD em Belém (PA) não foi insistente: foram anos de perseverante luta para desbancar José Wellington Bezerra da Costa da presidência da CGADB. Quando excluído da Convenção Geral, Samuel foi à justiça para permanecer na instituição. Agora, com a CADB, pastor Câmara aglutina não só os seus apoiadores, mas também outras Convenções e Ministérios. Por enquanto, a CADB tem produzido novidades e acenado para a possibilidade de antigas aspirações assembleianas como o reconhecimento do ministério feminino. Alegria para uns, escândalo para outros...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - tudo como dantes no quartel da CGADB


O ano entrou na expectativa de mais uma eleição para à Mesa Diretora da CGADB. Depois de quase três décadas no comando da instituição, o pastor José Wellington Bezerra da Costa não concorreria à presidência da Convenção Geral. Porém, seu filho e vice-presidente no Ministério do Belenzinho (SP), e presidente do Conselho de Administração da CPAD, o pastor José Wellington Bezerra da Costa Júnior concorreu ao cargo. Na disputa, em oposição ao status quo dominante, o pastor Samuel Câmara. Para constrangimento geral dos assembleianos, foi a eleição mais judicializada da história da CGADB. Em tempos de internet e redes sociais, cada capítulo do pleito foi acompanhado e comentado por milhares de internautas. Depois de muito suspense, de idas e vindas na justiça, Wellington Júnior assumiu o cargo. Wellington pai foi eleito para a presidência do Conselho da CPAD. No fim das contas, ficou "tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Uma história sobre a família Kolenda

John Peter Kolenda (1898-1984) é considerado uma lenda dentro das ADs no Brasil. Enviado pela Missão dos EUA no fim da década de 1930, Kolenda foi pioneiro pentecostal em Santa Catarina, ardoroso defensor dos institutos bíblicos (a chamada fábricas de pastores) e grande nome na construção da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).

Muito se conhece sobre o profícuo ministério de Kolenda, porém pouco sobre sua família. O missionário chegou ao Brasil com sua esposa Marguerite, e as filhas Dorothy (12 anos incompletos) e Grace (6 anos). Dos quatro, somente Grace ainda ainda vive e mora nos Estados Unidos da América.

Alguns anos atrás, Grace publicou suas memórias* e narrou um caso familiar surpreendente, que ajuda a humanizar a biografia do pai, o qual ela carinhosamente chamava de "daddy" (papai ou paizinho em inglês). É um fragmento da vida de Kolenda não revelado em sua biografia oficial.

Um certo dia, a caçula de JP Kolenda foi surpreendida pela prima com uma informação inesperada. Grace podia sentir a respiração de Loudes, quando esta lhe disse de forma súbita: "Dorothy não é sua irmã." Perplexa com a inesperada notícia, Grace mal pode falar e responder afirmativamente; não revelaria nada a ninguém que sua irmã mais velha, na verdade, não era sua irmã.

Casal Kolenda e filhas em 1934

À noite, em casa, Grace perguntou a Marguerite sobre o caso. Não entendeu o que a prima quis lhe dizer. A mãe foi direta na resposta: "Você terá que perguntar ao seu pai quando ele chegar em casa na próxima semana. Ele pode explicar isso para você".

Sem saber o que dizer ou pensar, Grace aguardou o pai que estava em uma das suas constantes viagens. Quando Kolenda chegou em casa, a esposa já lhe adiantou o problema. JP pediu que a filha entrasse no escritório e sem rodeios confirmasse: "Dorothy é a sua irmã adotiva". Visivelmente emocionado, Kolenda contou a história, a qual conservava em segredo da filha.

Kolenda e Marguerite casaram-se em dezembro de 1922. O casal, pensava em ter uma família numerosa, mas com o passar dos anos Marguerite não engravidava e Kolenda sentia a falta de crianças em seu lar. Em dezembro de 1927, uma jovem da igreja em Flint onde o casal missionário congregava, deu à luz a uma menina, chamada Dorothy. Porém, o nascimento da criança foi cercado de certo alvoroço: a mãe era solteira, algo que na época era considerado para a sociedade, e principalmente, na igreja, um grande escândalo. Um "grande pecado" e "terrível vergonha", escreveu Marguerite em seu diário.

Contudo, Kolenda começou a pensar diferente quando, na igreja, conheceu a pequena Dorothy. O encanto da pequena fez JP refletir sobre a possível adoção. Mas, o mítico pioneiro enfrentou a contrariedade da esposa. Para vencer a resistência da mulher, JP argumentou: "Talvez, a criança seja um presente de Deus.

Marguerite muito séria perguntou: "o que você quer dizer?". Acostumado a usar as palavras gregas em suas mensagens, Kolenda explicou: "O nome dela é Dorothy, o nome é derivado do grego. Significa, literalmente, 'presente de Deus'. Eu acredito que estamos destinados a adotar a criança".

Marguerite percebeu que não tinha escolha. Mesmo não concordando com o esposo, e com sérias reservas ao fato de estarem adotando uma criança filha de "mãe solteira", aceitou submissa à vontade de Kolenda. Afinal era sua missão servir a Deus servindo ao seu marido.

Depois de 12 anos de casados e 6 da adoção de Dorothy, nasceu Grace. Após saber das circunstâncias da adoção, Grace conta em suas memórias, que notava na mãe um certo desconforto em relação à irmã. Reconhece, contudo, que naqueles idos de 1920 e 30, não ser filho biológico gerava um estigma sobre qualquer criança. Fosse nos dias de hoje, tudo seria mais aceitável. 

Grace, também recorda, que pela primeira vez na vida, aos 11 anos de idade, sentiu-se decepcionada em relação ao pai e triste por saber do porquê da difícil relação de Dorothy com a família Kolenda. Para além da mitificação recorrente da história oficial, nosso pioneiros eram gente com a gente. Fica a lição.

* Livro publicado nos EUA em 2009, e ainda não traduzido no Brasil.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

CADB - a nova geopolítica do poder

A Convenção da Asssembleia de Deus no Brasil (CADB), nasce para ser mais uma forte representação das ADs no país. Assim como o Ministério de Madureira, os líderes da mais nova convenção por anos enfrentaram acirradas disputas dentro da CGADB, gerando assim, uma grande e intensa polarização.

Quando o Ministério de Madureira foi suspenso da CGADB em 1989, abriu-se espaço para que um grupo de pastores pudesse controlar a instituição. À princípio, o próprio Samuel Câmara foi favorável e defensor da suspensão de Madureira. Câmara também exerceu diversos cargos na CGADB durante anos. 

Mas, contrariando expectativas de alternância no cargo de presidente da CGADB, o pastor José Wellington Bezerra da Costa, sempre apoiado pelos líderes mais influentes das ADs, conseguiu permanecer (e ainda permanece) no comando da instituição por três décadas. Evidentemente, que em seu projeto de poder, Wellington desagradou antigos e novos líderes.


Com o passar do tempo, convenções e ministérios começaram a romper com a Convenção Geral. Igrejas pioneiras como a AD em São Cristóvão (RJ) e Santos (SP), organizadas diretamente na década de 1920, pelos míticos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, deixaram os quadros da CGADB. 

Ainda na evolução dos fatos e das transformações eclesiásticas nas ADs, antigos aliados começaram a se opor ao projeto de José Wellington: entre eles é claro, o pastor Câmara. Ao mesmo tempo, Wellington estrategicamente apoiava os concorrentes dos seus mais fortes opositores. Alguns casos são bem conhecidos. 

Samuel Câmara assumiu a AD em Manaus e a Convenção do Amazonas com a morte do pastor Alcebiades Vasconcelos em 1988. Em 1997, entregou a presidência da igreja para o seu irmão Jônatas Câmara e assumiu à liderança da AD em Belém (PA). 

Jônatas começou então, uma ampla reformulação nos métodos de trabalho na AD em Manaus. Na época foi acusado de aderir aos modismos do G12, causando sérios debates nacionais. Ao mesmo tempo enfrentou uma cisão liderada por conceituados pastores do seu ministério. Em consequência disso, em 2000 foi fundada a AD Tradicional, a qual obteve seu reconhecimento da CGADB em 2011, com a boa vontade da própria AD dirigida por Jônatas. 

A AD Tradicional passou a ser por sua vez, o braço de apoio do pastor José Wellington no Amazonas. É claro que a AD pioneira em Manaus e sua Convenção Estadual é grandiosa, mas o crescimento da AD Tradicional não pode ser ignorado e muito menos o prestígio dado pela CGADB ao seu presidente atual, o pastor Gedeão Menezes. 

Samuel por sua vez, ao assumir a AD em Belém em 1997, tentou várias vezes ser o presidente da Convenção do Pará. Mas os principais líderes paraenses, sentiram-se preteridos pelo antigo pastor Firmino de Anunciação Gouveia, e não permitiram o intento de Câmara. 

Na medida em que Samuel lutava pela presidência da Convenção Geral, José Wellington aproximava-se cada vez mais do pastor Gilberto Marques de Souza, o concorrente direto de Câmara à liderança da Convenção da AD no Pará. Não conseguindo seus objetivos de liderar o ministério paraense como um todo, em 2006 Câmara funda a Convenção da Igreja-Mãe (CIMADB). 

Em Macapá, o pastor Oton de Alencar, mesmo sendo o líder da igreja pioneira desde 1994, não conseguia espaço na Convenção do seu Estado. Em 2009, Alencar fundou a União Fraternal das Assembleias de Deus no Amapá. Seu principal oponente e desafeto, o pastor Lucifrancis Barbosa Tavares também é aliado do presidente da CGADB. 

Assim, as principais igrejas das ADs no Norte do país e suas lideranças ficaram praticamente invisíveis ou esquecidas nas páginas do Mensageiro da Paz. Mas as atividades dos Ministérios aliados e dos seus pastores eram divulgadas amplamente pela CPAD. Inclusive recebiam os eventos patrocinados pela editora. 

Agora, com a CADB, os Câmaras e seus companheiros procuram resgatar o protagonismo das igrejas pioneiras do pentecostalismo no Brasil. Inaugura-se oficialmente, a mais nova geopolítica assembleiana. Ministérios e Convenções distantes da CGADB ou da CONAMAD, podem na CADB encontrar abrigo institucional.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

http://selesnafes.com/2015/10/lider-da-assembleia-de-deus-fala-sobre-rachas-na-igreja-casamento-gay-e-politica/

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

CADB - volta ao passado

* Por Carlos Roberto Silva do Point Rhema

Muito embora muitos entendam que os descontentamentos da AD Igreja Mãe em Belém do Pará para com a CGADB seja coisa dos últimos 30 anos, a história registra que é coisa muito mais antiga do que se imagina.

No ano de 1.978, mais precisamente em 11 de Abril, motivados por uma invasão em Campo Eclesiástico, algo proibido e muito combatido à época, provocada pelo Ministério de Madureira, que deu apoio ao irmão Geraldo Sebastião Coelho, oriundo de Goianésia - Go, e organizou uma Igreja AD na cidade de Marabá-Pa ao mudar-se para aquela cidade, a Convenção Estadual das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Estado do Pará e oServiço de Evangelização dos Rios Tocantins e Araguaia, decidiram através de resolução conjunta, se desligarem da CGADB, após tentarem de forma pacífica resolverem o problema, sem a devida atenção e nem a solução por parte da instituição maior, conforme alegavam à época.

Abaixo cópia do referido documento, bem como das cartas enviados pelo Pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos aos dois signatários da resolução, os dois presidentes, a saber: Pr. Firmino da Anunciação Gouveia (AD Belém) e Luiz de França Moreira (SETA), onde são repreendidos a permanecerem no seu devido lugar, os quais pelo visto findaram por se conformar, não dando sequência ao rompimento comunicado, lembrando que naquele tempo, sem o advento da internet, onde todos ficam sabendo dos fatos e atitudes em tempo real, era muito mais fácil se voltar atrás de uma atitude assim.

Como os tempos e as coisas mudaram, tanto do ponto de vista das tratativas espirituais, ministeriais e jurídicas, ao que parece desta feita o caso foi muito longe, tornando as decisões irrevogáveis e irretratáveis, no entanto fica claro, que os descontentamentos com o órgão maior por parte da Igreja do Norte, já somavam praticamente 40 anos.

O que muda é que, naquela época o rompimento se daria com todo o Estado do Pará, cuja convenção estadual era presidida também pelo Pastor Presidente da Igreja Mãe em Belém.

Veja os documentos abaixo, que constam como anexo da tese O AGGIORNAMENTO DO PENTECOSTALISMO: as Assembleias de Deus no Brasil e na cidade de Imperatriz-MA (1980-2010) de Moab César Carvalho Costa.   

* Carlos Roberto Silva é pastor da Assembleia de Deus em Cubatão (SP) e presidente da Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros (Comadespe)








http://www.pointrhema.com.br/2017/12/ad-igreja-mae-em-belem-pa-rompeu-pela.html

sábado, 2 de dezembro de 2017

Convenção da Assembleia de Deus no Brasil - De volta ao lar

O dia 02 de dezembro de 2017, entrou para a história das Assembleias de Deus no Brasil. Depois de 33 anos filiado à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), e de disputar diversas e polêmicas eleições para a presidência da entidade, o pastor Samuel Câmara da AD em Belém do Pará, apresentou ao país a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB).

Para quem não conhece a história recente da denominação, a CADB é fruto de anos de discordâncias de uma boa parte dos pastores ligados à Convenção Geral com os rumos da política eclesiástica da instituição conduzida desde 1988, de forma quase interrupta pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa.

Mas, deixando de lado as questões políticas (as quais serão tratadas no blog no seu devido tempo), a CADB nasce com fortes apelos à memória assembleiana. A nova convenção surge justamente onde nasceu as ADs no Brasil. Foi em Belém do Pará, que em 1911, Gunnar Vingren e Daniel Berg fundaram a Missão de Fé Apostólica, posteriormente rebatizada de Assembleia de Deus. A congregação pioneira é chamada de Igreja Mãe, onde tudo começou 106 anos atrás. Todas as outras Igrejas e Ministérios tem nela sua origem. 

CADB: história como legitimação social

A CADB resgata uma velha reivindicação nas ADs, que foi sufocada com a institucionalização da igreja: o ministério feminino. O estatuto da convenção declara, que um dos propósitos da convenção é "Congregar, congraçar e promover o ministério cristão, sem distinção da vocação e chamada divina de homens e de mulheres". Ou seja, a CADB já nasce em sintonia com o desejo de reconhecimento e valorização do ministério feminino, algo que foi negado às mulheres na CGADB de 1930.

Outro ponto de destaque: o informativo oficial da CADB será o jornal Voz da Assembleia de Deus. Em forma digital ou impressa, a intenção do periódico será continuar "a história pioneira" dos jornais Voz da Verdade, de 1917, e Boa Semente, de 1921, ambos publicados pela AD em Belém. O hino oficial será o de número 144 da Harpa Cristã (“Vem à Assembleia de Deus”). 

A CADB também abrirá representações em todo o Brasil e no exterior se assim precisar. Mas no Rio de Janeiro, a representação será no campo de São Cristóvão, 338, "ponto histórico da primeira sede da convenção e da casa publicadora, desde 1946, na antiga capital do Brasil." Vale lembrar, que a AD em São Cristóvão foi pioneira no Sudeste e mãe de todas as ADs e outras denominações pentecostais na região, e está fora da Convenção Geral desde 2002.

Ainda conforme o estatuto, sugere-se que o tratamento entre os convencionais seja "a palavra IRMÃO, e, no caso de Presidente, IRMÃO-presidente". Nos antigos documentos e periódicos assembleianos, essa era a forma que os crentes assim procediam. Com a institucionalização, o "irmão" desapareceu para dar lugar às nomenclaturas conhecidas (pastor, pastor-presidente, bispo, apóstolo).

O objetivo em tudo isso é claro: buscar legitimação institucional. A CADB não seria mais uma cisão no universo das ADs, e sim a continuação da história e do legado dos pioneiros. Para contrapor-se ao atual modelo de gestão da sua congênere (CGADB), vista como desvirtuada e engessada por décadas, os organizadores da nova convenção "resgataram" aspectos históricos e afetivos caros aos assembleianos.

O estatuto da CADB foi aprovado em um dia mais que simbólico para os evangélicos: 31 de Outubro de 2017, dia da comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante e por coincidência dos 60 anos do pastor Samuel Câmara.

Como toda nova organização vista como dissidente, a CADB terá apoios, críticas e vai render ainda muitos comentários nas mídias especializadas e redes sociais. Mas na questão da conquista de mentes e corações, pelo menos na área histórica, o pessoal da CADB fez a lição de casa...

Fontes:


ALENCAR, Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011, Rio de Janeiro: Ed. Novos Diálogos, 2013.

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington - Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro, “Onde a luta se travar”: a expansão das Assembleias de Deus no Brasil urbano (1946-1980), (Tese de Doutorado em História) Assis-SP: UNESP, 2015.

Acesse o estatuto da CADB no site http://portalcadb.com/