domingo, 29 de outubro de 2017

Princípios da Reforma Protestante

No dia 31 de outubro de de 2017, celebra-se os 500 anos da Reforma Protestante iniciada pelo monge alemão Martinho Lutero. Será uma ótima oportunidade para refletir sobre os princípios do movimento que abalou as estruturas da poderosa Igreja Católica Romana.

Quando Lutero começou o movimento reformista, o contexto europeu era precário. "A peste avançava pela Europa" e as "revoltas camponesas brotavam onde os servos eram tratados como escravos por senhores feudais. Cidades insalubres cresciam sem infraestrutura." - destacou o jornal O Globo (28/10/2017).

A hegemonia da Igreja Católica foi abalada. O movimento ramificou-se em várias denominações com líderes, liturgia e enfoques teológicos diversos. O pentecostalismo é considerado herdeiro da Reforma Protestante e no Brasil foi implantado a partir da década de 1910.

Porém, depois de um século em terras brasileiras o pentecostalismo absorveu, em todos os sentidos, práticas questionáveis. O historiador Jesse Lyman Hurlbut, no livro História da Igreja Cristã, (editora Vida, 1996) destacou cinco princípios básicos da Reforma e que podem servir de padrão para analise do quanto as denominações, ministérios e comunidades estão em sintonia ou em contradição com o movimento iniciado pelo monge alemão.




Primeiro principio: a verdadeira religião está fundamentada nas escrituras. A tradição ou a autoridade eclesiástica não podem estar acima da Bíblia. Mesmo sendo uma vertente evangélica com forte ênfase nas experiências espirituais, os ensinadores pentecostais gostavam sempre de lembrar, que os dons, revelações, arrebatamentos e cânticos precisavam ser averiguados pela ótica bíblica.

Segundo princípio: a religião deveria ser racional e inteligente. Crenças irracionais, superstições e absurdos teológicos. Na concepção reformadora, a razão também é um dom divino, e a adoração não poderia violar a natureza racional do ser humano.

Terceiro princípio: o crente não precisa de intermediários para chegar-se a Deus. Sua relação com Cristo é individual e direta. A leitura da Bíblia começou a ser estimulada, pois o crente teria essa liberdade. A Reforma Protestante eliminou as barreiras litúrgicas e clericais, ou seja, cada crente é um sacerdote com acesso direto a Deus.

Quarto princípio: os reformadores queriam uma adoração espiritual e não formalista. A simplicidade da vida e culto cristão deveriam ser a tônica da verdadeira fé. Na época, as formalidades, cargos e nomenclaturas eram ambicionadas e valorizadas pelo clero romano.

Quinto princípio: formar igrejas nacionais desvinculadas de Roma. Isso possibilitou os cultos nas igrejas reformadas na Alemanha, Inglaterra e outros países europeus abolir o latim das celebrações e usarem seus idiomas próprios.

Considerações: quando uma igreja ou líder evangélico "profetiza","declara" ou "exige" em nome de uma suposta revelação algo irracional ou extra-bíblico, ou valorize mais pompas e circunstâncias, essa instituição está negando os princípios da Reforma.

E por último: quando a fé e objetos são comercializados como garantia de bençãos, ou as ofertas e dízimos são colocados como condição sine qua non para a salvação, é sinal que o respeitável ministério ou igreja (grande ou pequena) precisa de uma nova Reforma Protestante.

domingo, 22 de outubro de 2017

O Escolhido

A matéria da revista semanal Veja (edição 18/10/2017), sobre a sucessão na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é emblemática, e apesar de se tratar de uma denominação considerada neopentecostal com práticas sincretistas e polêmicas (mas diga-se de passagem muito imitada pelas concorrentes), aponta para tendências já consolidadas nos Ministério das Assembleias de Deus.

Na matéria O Escolhido, Veja informa que depois de quase dez anos de expectativas, Edir Macedo, líder máximo da IURD, anunciou o número 2 na organização religiosa e seu "provável sucessor e herdeiro" do império religioso-midiático-político erguido por ele em 1977, ano de fundação da Universal.



O número 2 da IURD anunciado por Edir é o seu genro Renato Cardoso, casado com Cristiane, a filha mais velha do Bispo. Contraditoriamente, Macedo sempre afirmava que "nenhum parente seria detentor de cargos-chaves na Universal", pois valeria mais o mérito na sucessão do que laços familiares, uma forma de estimular a competição interna.

Os possíveis sucessores de Macedo dedicaram-se então as metas de arrecadação e expansão da igreja nesse período. Mas agora, a escolha do genro teve efeito de uma verdadeira "traição", inclusive para o outro genro do bispo, Julio Freitas.

Dedicado ao ministério da IURD desde a adolescência, Renato é considerado o filho que Edir não teve. Casou com Cristiane em 1991, e seguiu para os Estados Unidos com o objetivo de expandir a Universal na terra do Tio Sam. Anos depois passou pela África do Sul, Inglaterra e retornou aos EUA.

Voltou em 2011 ao Brasil para ficar conhecido pelos conselhos matrimoniais dados na igreja e na TV. Lançou o best-seller Casamento Blindado, e é considerado "uma das estrelas mais fulgurantes" da IURD.

Porém, por outro lado, Cardoso é considerado dentro da denominação como um outsider, pois passou a maior parte do tempo do ministério fora do Brasil. Outros obreiros próximos à Macedo, que por muitos anos dedicaram-se à igreja, viram na nomeação do genro do Bispo uma verdadeira "rasteira".

Mesmo que o perfil do genro se encaixe mais nos rumos de modernização da Universal, em contraste com as pregações convencionais e práticas de arrecadação financeiras dos seus concorrentes, Renato vai ter que lutar para consolidar sua liderança. O descontentamento foi grande entre os aspirantes ao Reino Universal.

"O anúncio de Macedo encerrou uma guerra. O desafio do genro agora é não abrir outra guerra  e garantir a paz no império", conclui os jornalistas ao fim do texto.

Qualquer semelhança com a realidade de outros Ministérios não é mera coincidência.

Fontes;

Revista Veja - edição 18/10/2017 - acervo digital