sábado, 17 de setembro de 2016

Minhas memórias - 1988, eleições e ressentimentos

O ano de 1988, foi um ano marcante politicamente para o Brasil. Promulgada no dia 5 de outubro, a nova constituição consolidou a transição política no país após 20 anos de ditadura militar. Chamada de "Constituição Cidadã", a nova carta magna ampliava direitos dos cidadãos brasileiros.

Naquele ano, ainda havia certa euforia pelo sucesso das eleições de 1986, quando as ADs conseguiram eleger vários representantes para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Eleger em 1988, um representante para o legislativo municipal, seria apenas um passo natural e consequente do processo de despertar político da igreja.

Kennedy: candidato polêmico

Satyro Loureiro, na época pastor da igreja, lançou como candidato um dos seus principais auxiliares: o presbítero Adelor Francisco Vieira. Na verdade, o evangelista Francisco de Assis Meirinho também foi lembrado para a empreitada. Meirinho era um excelente pregador e ensinador, porém por questões familiares abriu mão da indicação em favor do amigo Adelor.

Nome conhecido na denominação e com formação universitária, Vieira atuou como professor e securitário na cidade. Na igreja, havia assumido as funções de superintendente geral do departamento da Escola Bíblica Dominical e diretor da Sociedade de Assistência Social e Educativa Deus Proverá (SASEDEP).

Mas, o "despertar" político na igreja, fez com que outros membros também almejassem o cargo de vereador. Satyro, matreiro como era, não quis correr riscos. Usou todo o seu apoio e influência para garantir a vitória do candidato oficial.

Por essa razão, os ressentimentos dos demais candidatos foi considerável. Para eles era uma disputa desigual. Afinal, Vieira tinha a máquina da igreja ao seu favor. Não dinheiro em si, mas visibilidade institucional e apoio pastoral explícito.

Um dos mais inconformados com a situação era um candidato de apenas 18 anos. Polêmico, o moço faria declarações no rádio com críticas severas ao pastor Satyro. Não seria a primeira eleição e muito menos as primeiras divergências do rapaz com a cúpula da igreja. O jovem, com nome de presidente e de família conhecida dentro das ADs, ainda persistiria na busca dos seus ideais políticos. Seu nome: Kennedy Nunes.

Adelor venceu com folga. Bem votado na cidade, o assembleiano atuou ainda na Secretaria de Desenvolvimento Social no mandato do prefeito Luís Gomes (1989-1993). Sabiamente pavimentou seu caminho para outras disputas. Chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina e em 2002 elegeu-se deputado federal pelo PMDB.

Naqueles idos de 1988, a decepção com os candidatos oficiais ainda não havia começado. Encarava-se o processo de participação eleitoral como um total "benefício" para a igreja. Ledo engano...

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