domingo, 29 de maio de 2016

As "aves de arribação" nas Assembleia de Deus

No mês de abril de 1969, o pastor José Menezes, na época pastor da AD em Manaus escreveu em sua coluna Está Errado no Mensageiro da Paz, sobre os perigos da supremacia do poder do "pastor regional" no nordeste. Segundo o experiente obreiro, a hegemonia dos tais líderes, poderia ser para a igreja um "beco de inovações, criação de leis e estatutos imprecisos, proteção a favoritos, trazer a outros com aves de arribação." 

O dicionário Michaelis online explica que, as chamadas aves de arribação, "migram em busca de condições mais favoráveis às suas características biológicas", mas figuradamente também podem designar "forasteiros que não se demoram no país onde buscam meios de vida." Em outras palavras, são oportunistas que tiram proveito das circunstâncias, buscando seus interesses próprios.

O notável crescimento das ADs, e a formação de uma estrutura eclesiástica considerável que, davam ao pastor regional (ou presidente) singular poder e influência, traria segundo Menezes, os apadrinhamentos indesejados e os aventureiros espoliadores da fé alheia. Nada tão profético ou realista para os dias atuais.

Pastor Menezes: nada simpático com as "aves de arribação"

Mas, qual a principal característica das "aves de arribação"? Sem dúvida, é a invenção de uma identidade religiosa para fins políticos, ministeriais e mercadológicos. Algo impensável quando as ADs eram pequenas, pobres e inexpressivas, porém inevitável com o crescimento da denominação.

No caso da política, as experiências recentes são uma evidência clara do perigo das "aves de arribação". Eduardo Cunha virou manchete nos principais jornais e revistas do Brasil. Iniciou na política através do sinistro PC Farias no governo de Fernando Collor de Mello. Tornou-se evangélico através do deputado Francisco Silva (que segundo Paul Freston também criou uma identidade religiosa), e através da mídia cristã construiu uma sólida carreira pública. O ex-presidente das Câmara dos Deputados é só um exemplo. Mas, infelizmente, há muitos "Cunhas" nas igrejas.

Na área do louvor as coisas não são diferentes. O aumento das vendas dos CDs e a certeza de agendas e apresentações nas igrejas para exporem seus trabalhos, fizeram desse setor um dos mais disputados nos últimos anos. E, obviamente, as "aves de arribação" chegaram-se para tirar proveito do novo nicho de mercado. Não por acaso, as letras e ritmos estão cada vez mais rasos e heréticos do ponto de vista bíblico.

E por fim, há os pregadores, conferencistas (nacionais e internacionais), preletores e outros. Isto sem contar, os que em outros tempos, devido aos sacrifícios exigidos no ministério, jamais buscariam no ministério evangélico uma forma de ganhar a vida.

Não custa lembrar as palavras do pastor maranhense Estevam Ângelo de Souza, ao recordar os primórdios do seu ministério: "Naquele tempo, ministério era sinônimo de sacrifício." Na concepção do saudoso líder "seria vergonha um pastor morrer rico." 

Com pessimismo, o pioneiro em um longo texto escrito para o Mensageiro da Paz em janeiro de 1989, constatou: "Já vemos muitos púlpitos sem mensagem e muitas pregações sem conteúdo bíblico e espiritual. Aí estão os que exercem o ministério como meio de ganhar a vida e não de ganhar almas".

Sábias observações, mas pouco consideradas no contexto evangélico do século XXI.

Fontes:

FRESTON, Paul. Evangélicos na política: história ambígua e desafio ético. Curitiba: Encontrão Editora, 1994.

HALO, Pekelman. Stéfano dos Anjos, do Piauí ao Maranhão, da pobreza ao reino ditoso. Artigo, em seu formato original, foi escrito em janeiro de 2006. Foi porém revisto e ampliado em virtude de sua apresentação no X Simpósio da ABHR – Assis, São Paulo.

MOTA, Elba. Modelos e limites de um estudo biográfico: a trajetória do pastor Estevam Ângelo de Souza. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011.


MENSAGEIRO DA PAZ. Rio de Janeiro: CPAD. Ano 58, n. 1.225, jan. 1989.

MENSAGEIRO DA PAZ. Rio de Janeiro: CPAD. Ano 62, n. 1.267, out. 1992.

7 comentários:

  1. Se ele visse o poder que tem hoje um presidente, infartaria.

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  2. As aves de arribação superlotam a Santa Igreja Romana da qual sou membro. Tais aves em qualquer facção, partido ou instituição que se pretenda de homens de bem, tentam, como meros atores sofistas ou esquizofrênicos, desmentirem a unidade que deve haver entre pensamento e vida.

    No caso da Filosofia as aves de arribação tentam desmentir um mestre como Miguel de Unamuno que dizia de coração que o homem filosofa com a carne e com os ossos (filosofa con la carne e con el huesos).

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  3. A presença de aves interesseiras de arribação na nossa seara cristã é um absurdo total, porque se Cristo Jesus disse ser a verdade, então, para nós, cristãos, o que seja a verdade não é uma mera proposição, um silogismo ou um artifício linguístico, mas é uma pessoa, divina, ok, melhor que a gente, todavia, o detalhe mais importante, é que humanizou-se, provou que o homem pode viver aquilo que pensa mesmo que sua idéia brilhante em sua cabeça seja pagar a dívida infinita do homem para com seu Criador, automaticamente cortando as asinhas das aves embusteiras preguiçosas.

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  4. Caríssimo irmão Mário Sérgio,

    Por falar em nosso famigerado e nobilíssimo irmão em Cristo, Eduardo Cunha, permita-me publicar aqui na área dos comentários de seu blog um post que escrevi, hoje, em meu blog tratando de que agora que Cunha será julgado pela Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, de que nós, brasileiros, e ainda mais se formos cristãos, deveríamos anistiar o deputado, pois ele foi fundamental no processo que até o momento apeou do poder os esquerdistas.


    O dever do Brasil


    O Brasil deve apoiar, quem sabe até de maneira genuinamente cristã anistiando-o, ao Sr. deputado Eduardo Cunha. Pois esse homem foi um importantíssimo predestinado pela Providência, uma pessoa-chave, para que a terrorista afastada para sempre da Presidência da República, Dilma Rousseff, sofresse o impeachment. Se Cunha tem alguma culpa, mas tal ocorre, porque ele caiu na tentação e sedução satânica: inumana da corrupção marxista do Partido dos Trabalhadores que armou o Petrolão que foi a tunga que arruinou a mais importante estatal brasileira que é a Petrobrás.

    A Política eis que não é para os anjos, também não é para os animais esquerdistas, mas é a arte do possível, é algo humano, é uma experiência da liberdade e da vontade humana aplicada às questões práticas do mundo, nos limites de quem o homem o é: gente.

    Apoiemos, Cunha, ó Brasil, salvemos o homem, se é que temos a cruz de Cristo no coração.



    Autoria: João Emiliano Martins Neto

    Fonte: https://joaoemilianoneto.blogspot.com.br/2016/05/o-dever-do-brasil.html

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  5. Queridíssimo irmão e amigo Mário Sérgio, se não for pedir-lhe demasiado, permita-me divulgar aqui na área de comentários de seu blog esta petição que fiz para beneficiar o nosso irmão comum, o deputado Sr. Eduardo Cunha, o qual perto dos demônios esquerdistas do PT e aliados, eis que ele é um santo. Somos um país de cristãos e não de histéricos defensores da velha lei farisaica baseada em mandamentos inflexíveis e cruéis lavrados em pedra, mas no amor a Deus vivido em carne em osso por Cristo Jesus e por todos os seus seguidores.

    http://www.citizengo.org/pt-pt/node%3Anid%5D-anistia-ao-deputado-eduardo-cunha

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  6. Oi tem como ver td a revista? Não sei o ano (68 ou 69) minha mãe testemunhou a cura de minha irmã gostaria de ver.se que foi pubrigado na seara. Aconteceu em gurupiGo ( hoje To) o nome da minha era Maria do socorro. Se possível atender meu pedido, agradeço muito. ....obgda

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