domingo, 16 de agosto de 2015

Memorial da AD em Bangu - Ministério de Madureira

* Por André Silva

A primeira igreja construída pelo pastor Paulo Leivas Macalão, a qual deu origem ao maior Movimento Pentecostal – o Ministério de Madureira – ainda existe como patrimônio histórico das Assembleias de Deus. E foi com o intuito de preservar a memória do grande homem de Deus, pastor Paulo Leivas Macalão, que o pastor André Silva, na época membro da Igreja em Bangu teve à ideia de instalar no primeiro templo das Assembleias de Deus do Sudeste Brasileiro um memorial histórico. 

André Silva, pesquisador nesta área, esmerou-se na reconstituição da história, realizando a montagem do salão de exposição, contando com a ajuda de vários irmãos que doaram materiais a serem expostos. Como parte do esforço para construir o espaço do memorial, a Assembleia de Deus em Bangu restaurou o edifício e mobilhou a área com exposições do teor da história. 

AD em Bangu restaurada: espaço do memorial

No acervo especial, mais de 300 fotos entre os quais Bíblias, jornais, arquivos antigos e vários objetos históricos. Outro aspecto lembrado é que o templo antigo é o berço do Ministério de Madureira, o qual hoje possui mais de 3.000 templos espalhados pelo Brasil. Desde a sua restauração e reinauguração no dia 3 de setembro de 2006, o Memorial das Assembleias de Deus passou a ser um local de interatividade do público, com fotos e materiais dos pioneiros do Ministério de Madureira. A sala conta com um programa de áudio; narrando os principais fatos que marcaram a História. 

Desde quando o trabalho de evangelização iniciou-se em Bangu no 1º de agosto de 1926, com crescimento vertiginoso, o pastor Paulo Macalão já pensava em construir um templo próprio, e assim lançou mão à obra para alcançar este ideal. Foi adquirido então o terreno como resposta de Deus às orações de Paulo, que comprou com muitos esforços, que o lote em Bangu na rua Ribeiro de Andrade pelo valor de três contos e duzentos mil réis.


Pastor André: idealizador do memorial da AD em Madureira

Para erguer o templo, apresentaram-se então os voluntários: pedreiros, carpinteiros, serventes e voluntários. Até o próprio Paulo assentava tijolos, estimulando os demais. O irmão Paulo também empenhou uma quantia de dinheiro deixada de herança por sua mãe, contribuindo para os primeiro materiais necessários para a obra. Em pouco tempo o dinheiro e os recursos haviam cessado, necessitando-se ainda do madeiramento para a conclusão do telhado. 

Certo dia, um irmão se aproximou do pastor Paulo e lhe ofereceu uma oferta de quinhentos mil réis, dizendo que era para comprar uma gravata: era a quantia que ele tinha pedido a Deus. Paulo Macalão comprou então uma gravata baratíssima e empregou quase todo o dinheiro no madeiramento do telhado.

Gazofilácio doado pela irmã Belinha uma das pioneiras em Bangu e Madureira ao pastor Macalão como forma de angariar recursos para a obra

No dia 1º de janeiro de 1933, que Paulo Leivas Macalão inaugurou o primeiro templo das Assembleias de Deus do Sudeste Brasileiro, tendo a alegria de ter entre os presentes seu velho pai, o general João Maria Macalão, que havia atendido ao seu convite, e também sua irmã Maria Macalão. A inauguração do templo foi um acontecimento festivo e marcante, pois era o primeiro templo a ser construído de alvenaria no então Distrito Federal. Marcando presença do pastor da Assembleia de Deus em São Cristóvão (RJ), Samuel Nyströn, cuja palavra se fez ouvir na ocasião. O jovem pastor não se continha de tanta felicidade, quando seu pai, o general, apertando-lhe a mão, disse: “Parabéns meu filho!” Paulo chorou de grande emoção. 

Depois da solidificação da Assembleia de Deus em Bangu, o pastor Macalão veio a organizar seu casamento. Com isto surgiu sobre a cerimônia algumas preocupações: as irmãs idosas da igreja de São Cristóvão achavam que a cerimônia deveria ser nesse bairro, pois elas queriam muito bem aos irmãos Paulo e Zélia, e achavam a distância longe. E as irmãs da igreja de Bangu desejavam que a cerimônia fosse realizada ali, pois o motivo apresentado era o mesmo. Foi aí que o missionário Samuel Nyström, com sua esposa Lina, os padrinhos, deram a sentença: “Façam a cerimônia aqui, pois vocês vão trabalhar e viver aqui. Procurem agradar às suas ovelhas!” 

Bicicleta utilizada pelo pioneiro e pastor Manoel Francisco para evangelização

Assim, em 17 de janeiro de 1934, às 15 horas, na presença dos irmãos de Bangu e de alguns de São Cristóvão, foram impetradas as bênçãos pelo ministrante Samuel Nyström. Foram servidos laranjada com alguns docinhos. O casal foi morar então em dois cômodos pequenos, construídos anexos ao templo. Mobiliados com os velhos móveis deixados de herança pelo general. Não tinham cozinha, o que os obrigou a comer de marmita durante 5 anos e oito meses. A irmã Zélia zelava pelo templo, que ostentava um púlpito bem encerado, e foi cooperadora como 1.ª secretária da igreja em Bangu.

O pastor Paulo Macalão veio então organizar a Assembleia de Deus em Madureira. Com isso a sede dos trabalhos sob sua liderança foi transferida para Madureira. E o antigo templo da Assembleia de Deus em Bangu foi dirigida pelos seguintes obreiros: Manoel Francisco da Silva, Antonio Alves dos Santos, Jácomo Guide da Veiga, Florêncio Luiz Pereira, José Cecílio da Costa, Manoel de Souza Santos, Miguel Pastor, Etelvino Antonio da Silva, Maurício Celestino da Silva, Pedro de Souza Neves e Ades Antonio dos Santos. 

O último culto no templo da Rua Ribeiro de Andrade, foi na vigília de despedida no dia 31 de dezembro de 1977, aonde após todos os irmãos se concentraram às 5 horas do dia 1° de janeiro do ano de 1978, em frente ao novo templo na Avenida de Santa Cruz, nº 3.411.

Memorial das Assembleias de Deus de Madureira Rua Ribeiro de Andrade, nº 65 – Guilherme da Silveira – Bangu Rio de Janeiro – RJ

ANDRÉ SILVA foi ministro do Evangelho pela CONAMAD. Historiador e pesquisador da História do Ministério de Madureira. Autor do livro História da Assembleia de Deus em Bangu. Colaborador com o material histórico da Bíblia do Centenário das Assembleias de Deus e livro histórico do Cinquentenário da CONEMAD-RJ, ambos lançados pela Editora Betel.

2 comentários:

  1. Numa peregrinação pelo Rio de Janeiro, um pesquisador da história da Assembléia de Deus, não pode deixar de visitar pelo menos esses três pontos: a nossa CPAD, o majestoso templo matriz da AD em Madureira e com certeza este memorial instalado no antigo templo da AD em Bangu.

    ResponderExcluir
  2. Apesar de todas dificuldades, queria ter sido um crente assembleiano nesta época. Tinha mais amor a DEUS, a sua Palavra e a sua Obra.

    ResponderExcluir