terça-feira, 17 de março de 2015

AD em Bangu - um capítulo turbulento de sua história

Paulo Macalão ainda era um jovem e desconhecido obreiro nas Assembleias de Deus no Brasil, quando no ano de 1926, resolveu se dedicar ao trabalho evangelístico no bairro de Bangu - Zona Oeste - do Rio de Janeiro. Apesar das dificuldades, a pequena congregação floresceu rapidamente, e Macalão sempre a frente da obra inaugurou no dia 1º de janeiro de 1933, o primeiro templo próprio das Assembleias de Deus no Rio de Janeiro.

Tempos depois, com a expansão do trabalho, Paulo Leivas transferiu a sede do seu ministério para o bairro de Madureira. Mas a congregação em Bangu permaneceu como marco do trabalho pioneiro de Macalão. Afinal foi ali onde tudo começou naqueles tumultuados anos de 1920, e sempre foi (a congregação) para os membros e obreiros do Ministério de Madureira uma igreja histórica por simbolizar a arrancada evangelística para outros rincões do Brasil.


AD em Bangu: igreja pioneira de Madureira

Porém, 60 anos depois da inauguração do 1º templo em terras cariocas, a AD em Bangu por pouco não passa ao domínio e influência da CGADB, instituição da qual o Ministério de Madureira se desligou em 1989, após muitos anos de divergências eclesiásticas.

No mês de junho de 1993, a liderança da igreja em Bangu, através de uma manobra estatutária, anunciou aos membros e obreiros do ministério que, a partir daquela data, a igreja estaria se desligando da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil - Ministério de Madureira (CONAMAD) e se vinculando a sua concorrente (no caso a CGADB).

Ainda ficou acertado a criação da Convenção das Igrejas Assembleias de Deus na Zona Oeste (CIADEZO), nome esse alterado em uma Assembleia Geral Extraordinária em junho de 1994, por sugestão da CGADB para COMADEZO (Convenção de Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus da Zona Oeste). O objetivo foi não gerar dúvidas sobre a jurisdição eclesiástica da nova instituição, pois no Estado do Rio de Janeiro existem outras convenções da AD ligadas a CGADB.

Nessa Assembleia Geral Extraordinária, segundo o jornal Folha Cristã "se encontrava um representante da CGADB", incentivando a filiação de todo os ministros a CGADB, e em outro encontro, na CPAD em Vila Kennedy (Bangu), membros da referida convenção vieram hipotecar solidariedade ao pastor Ades Antônio dos Santos (então pastor da AD em Bangu) e transmitir-lhe oficialmente, na presença do pastor Sebastião Rodrigues de Souza, presidente da instituição e seu primeiro vice-presidente, pastor José Wellington, o seu reingresso e aceitação de vinculação da recém-criada COMADEZO.

Entretanto, a criação da nova convenção, e sua filiação da CGADB não seria pacífica e sem lutas. O caso teve uma grande reviravolta quando Manoel Ferreira, presidente da Convenção de Madureira, valendo-se do chamado "Estatuto Padrão" criado na década de 1960 pelo próprio Macalão, interviu com base jurídica na igreja dissidente. Assim em outubro de 1994, o Ministério de Madureira conseguiu reverter o processo separatista fazendo a congregação voltar a suas origens ministeriais.

A chamada "Junta Interventora" nesse mesmo mês de outubro deu posse ao novo pastor. Chamado para apaziguar os ânimos, Neuton Pereira Abreu, procedente da cidade de Gurupi (TO) e presidente da Convenção Regional de Tocantins se viu diante de uma igreja e ministério em "pé de guerra".

Para evitar mais problemas e divisões, a partir do ano de 1994 a Assembleia de Deus em Bangu, concedeu autonomia às igrejas em Carrombert Pereira da Costa, Olímpia Esteves, Rio da Prata, Terra Brasil, Vila Aliança e Vila Vintém, passando à categoria de igrejas matrizes vinculadas ao Ministério de Madureira. Uma maneira de controlar melhor a região eclesiástica.

Do episódio ficam duas constatações. Primeiro, o desafio à liderança de Manoel Ferreira. Líder do Ministério, Ferreira foi questionado em suas ações pelo então pastor da AD em Bangu. A divisão era uma queda de braço entre dois líderes de Madureira. A segunda é o extremo interesse da CGADB na divisão e oficialização da nova convenção. Desde a morte de Macalão, os líderes da Missão pressionavam Madureira desejando seu enfraquecimento. Ao "hipotecar solidariedade" aos "rebeldes", a CGADB revelava seu interesse em sangrar o Ministério concorrente. As feridas da cisão ocorrida em 1989 ainda estavam abertas.

Não fosse o "Estatuto Padrão" de Madureira e a "hábil negociação" de Ferreira garantindo uma excelente "jubilação" ao pastor Ades, a AD Bangu poderia estar agora desvinculada do ministério fundado por seu pioneiro. Para Madureira foi um "golpe" realizado por uma minoria, o qual foi desfeito a "ferro e fogo". Para a CGADB uma oportunidade de fragmentar seu maior concorrente. De lá pra cá, o que se viu foi cada vez mais o antagonismo entre as maiores convenções das Assembleias de Deus no Brasil. Triste fato.

Fontes:

FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.

LUIZ, André. História da Assembleia de Deus em Bangu – 2006 – Edição do Autor.

Jornal Folha Cristã nº 38 e 40 - Arquivo pessoal do pastor André Silva (RJ).

3 comentários:

  1. Parabéns ao Pastor Paulo Leivas Macalão pela "esperteza" em elaborar este tal estatuto padrão, que no mínimo deixou todas as igrejas ligadas ao Ministério de Madureira presas ao sistema, hoje liderado por Manoel Ferreira, sem direito a forma democrática de ir e vir e pensar diferente. Quanto a CGADB, quanto mais igrejas da Madureira voltassem ao velho redil da missão, se possível fosse, melhor.

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  2. Só fico pensando nos membros no meio desse fogo cruzado. Os generais não pensam nisso...

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  3. parabens ministerio de madureira semprejavascript:void(0) avamçando tem orgulho de fase parte da naçao madureira o maio ministerio do brasil

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