sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Perfil - Antônio Negreiros

Quem viu aquele simples garoto aos 10 anos de idade, moreno e franzino, aceitar a Jesus juntamente com a sua mãe na congregação da Assembleia de Deus de Monte Castelo em Teresina - Piauí no ano de 1973, talvez nem sequer imaginaria os caminhos que percorreria no ministério da denominação e se tornaria num conhecido pastor da igreja.

A Assembleia de Deus entrou na história da família Negreiros quando em 1952, a bisavó de Antônio, dona Maria Luíza Negreiros com o esposo e filhos aceitaram a Cristo em um culto realizado em sua casa. Tempos depois, dona Maria resolveu presentear o neto Francisco (pai de Antônio) com um exemplar da Bíblia quando ele ainda era um adolescente. Anos depois, aquela semente germinaria, pois já adulto e casado, o neto de dona Maria iria levar sua própria família ao evangelho.

Assim, aos 10 anos de idade, o bisneto da anciã começava a dar seus primeiros passos no movimento pentecostal. Iniciou seus trabalhos na igreja como professor da Escola Bíblica Dominical. Depois foi tesoureiro, secretário, regente de conjunto juvenil e líder de mocidade. Eram tempos românticos para o jovem Antônio, tempos de dificuldades, mas de muita fé e devoção.

 Negreiros com o pastor Firmino: admiração pelo veterano obreiro

Na memória do pastor Negreiros ainda há muitas lembranças dos cultos fervorosos, das grandes manifestações espirituais, línguas estranhas, profecias, revelações, curas, expulsão de demônios e revelações. Nas celebrações - recorda ele - irmãos doavam seus instrumentos musicais e utensílios para serviço e uso exclusivo no templo. Costume esse praticamente extinto nas igrejas atualmente.

Com apenas 21 anos, Antônio Negreiros ingressou no seminário teológico da Assembleia de Deus em Belém do Pará. Na verdade seu sonho era ser engenheiro, mas devido às circunstâncias imediatas, optou por ser seminarista. Foi uma rica experiência, pois além do aprendizado com excelentes professores, Negreiros ainda desfrutou da companhia de pioneiros da Assembleia de Deus ainda vivos naquele período.

Formado em teologia em 1987, estagiou como dirigente de uma congregação em Belém. Dois anos depois, em uma convenção regional na cidade de Capanema (PA), o jovem obreiro foi separado para o ministério de evangelista. A data não poderia ser mais simbólica: 18 de junho, dia em que a Assembleia de Deus no Brasil foi fundada.

Tempos depois, graduou-se em pedagogia, e trabalhou durante 18 anos como professor, secretário e diretor da escola teológica em Belém e Teresina. Lidando com alunos, e outros mestres, Negreiros somou mais experiências ministeriais. Na verdade, Antônio se sente um eterno aprendiz das verdades bíblicas.

Das experiências de vida, Negreiros recorda com certo orgulho das suas viagens. A primeira foi ao Recife, em um marcante congresso de jovens no ano de 1983 quando ela ainda era líder de mocidade. Depois, sempre que aparecia uma boa oportunidade, lá estava ele de malas prontas para conhecer outros locais. Com o tempo de ministério, as pregações e os contatos obtidos, Antônio passou a visitar vários estados do Brasil (19 ao todo),e países na África, Europa, Ásia e América.

Todas essas viagens deram-lhe uma boa experiência para pregar e ensinar com uma visão mais crítica das culturas e realidades no qual está inserido. Seus horizontes culturais se expandiram, transformando suas concepções de igreja e sociedade. Porém, para o pastor Negreiros, sempre foi de suma importância compartilhar todas esses conhecimentos com seus irmãos de fé, principalmente aqueles que não tiveram o as oportunidades que ele mesmo teve. Ao pensar nessas ricas oportunidades gosta de recordar o versículo bíblico (Samuel 7.12) "...Até aqui nos ajudou o Senhor".

Durante esse tempo de ministério conviveu com alguns renomados líderes assembleianos, que aprendeu a respeitar e admirar. Paulo Belisário Carvalho, Firmino de Anunciação Gouveia, Raimundo de Oliveira, Samuel Câmara e José da Silva Neto. Do atual pastor em Teresina Nestor Henrique Mesquita, além da admiração, Negreiros ainda lembra o culto, no qual pastor Mesquita foi enviado como missionário para a Espanha em 1973.

De todas as reminiscências da vida e ministério, pastor Negreiros gosta de recordar "como os irmãos se empenhavam em ganhar e discipular uma pessoa". Em suas lembranças essa atitude era tão forte na vida dos crentes, que a mulher que ganhou sua mãe para Jesus, vivia no encalço da sua família para levá-los para os cultos na igreja. Valeu o esforço, pois da família saiu um pastor. Santa persistência...

Fonte:

Entrevista com o pastor Antônio Negreiros via e-mail.

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