quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Rituais da Ceia nas Assembleias de Deus

Na postagem passada, observou-se que em 1965, através do Mensageiro da Paz, o escritor Paulo Santos clamou para que as ADs tivessem seus costumes "definidos e padronizados". Dentro desse pedido estava a questão da liturgia na celebração da Ceia do Senhor, mais especificamente sobre o uso do cálice comum ou individual.

Com o tempo essa polêmica foi superada, pois as ADs em todo o Brasil (salvo se houver alguma exceção) utilizam o cálice individual na celebração. Porém as práticas litúrgicas ainda variam muito conforme as regiões e ministérios. E é nesse ponto tão simples para alguns, que se percebe a multiplicidade de costumes dentro da denominação que, implantada em todo território nacional, revela tantas diferenças em seus ministérios.

Ceia nas ADs: diversidade litúrgica e de costumes 

O grande problema da adoção de alguns costumes, é que se aceito por uma minoria, vira lei, e aí passa a ser uma imposição aos membros. A igreja evangélica deveria ser mais democrática em alguns aspectos, até porque a Bíblia diz que “não por força nem por violência, mas pelo meu espírito” Zac. 4.6. Se o Espírito Santo não ajudar, líder nenhum pode mudar uma situação. Alguns costumes podem até ser sugeridos pelo líder, mas não imposto como regra geral.

Na grande maioria das igrejas das ADs, o direito a participar da Ceia é somente para o membros. No momento em que é servido o pão e o vinho, os membros em comunhão ficam de pé para participarem da celebração. Mas em alguns ministérios há um controle rígido da participação de cada membro na ceia. Exemplo: algumas igrejas anotam em um cartão a frequência do fiel no culto. Este controle, até certo ponto é bom. Hoje, com o avanço da tecnologia, pode-se controlar a frequência dos membros nos cultos de ceia. Devido a grande evasão para outras denominações e outros que simplesmente se afastam da comunhão, exercer certo controle é saudável para a igreja.   
 
O momento de se servir também varia. Em alguns locais os crentes tomam do pão e do vinho livremente no exato momento em que se passam as bandejas. Em outros, os irmãos esperam uns pelos outros e, de forma sincronizada celebram o ritual. Em algumas igrejas, após participar da ceia os membros dobram seus joelhos e agradecem a Deus pelo momento. Em outras é feita uma oração coletiva de louvor e gratidão.

Aí se segue a questão local. Cada pastor tem o seu ponto de vista seja ele teológico ou não. Quando a Bíblia diz: “... comei dele todos” não significa que tem que ser num mesmo momento. Ajoelhar-se e orar depois de ter tomado o cálice, deveria ser uma questão individual. Aquele que achar que deve que é bom, que o faça, mas não aquele ritual costumeiro, com ranço do catolicismo. É uma verdadeira “Maria vai com as outras”. Um faz todo mundo tem que fazer. E o culto racional como fica? O comportamento do fiel deveria ser como a Bíblia ensina e não porque simplesmente uma imitação do outro.

A liturgia do culto de ceia é a mais questionada. Tem igrejas que tomam o tempo todo com avisos, hinos avulsos e “enchimento de linguiças”, que a cerimônia da ceia é feita às pressas. Em alguns lugares o pastor aproveita o momento para exortações e falar sobre os costumes não aceitos pela denominação. Muitos ao invés de tomarem a ceia com alegria, regozijando no Senhor, ficam tristes e amargurados, acabam tomando a ceia indignamente.

Deve-se preocupar em ter um culto avivado, e que realmente as pessoas ali presentes sintam o verdadeiro significado do momento. Os corais, orquestra e conjuntos devem escolher hinos apropriados para o cerimonial, mas sem cair na rotina. A Harpa Cristã possui 640 hinos lindos e inspirados, e vários deles falam da morte e ressurreição de Cristo. Porque tem que cantar só o hino 39, 53 e o 301? Uma igreja organizada, com um bom departamento de musica tem rever estes conceitos. O coral, porque tem que cantar hinos da HC, sendo que poderia muito bem cantar uma música clássica, tipo: “... Ó fronte ensanguentada”, “Jesus, alegria dos Homens”, ou “Cristo já ressuscitou, Aleluia”. São hinos maravilhosos.

Uma grande contribuição para a liturgia da ceia seria no culto, dar oportunidade para algumas pessoas testemunharem curas e outras bênçãos recebidas do Senhor. Mas em muitas ADs esse tipo de participação está escassa, pois a liturgia se encontra cada vez mais dominada por pessoas consideradas "qualificadas" para esse fim.

* Colaboração especial do escritor Jacó Rodrigues Santiago - Ipatinga (MG)

4 comentários:

  1. Congreguei em uma congregação em que eram recitados versículos bíblicos durante a distribuição dos elementos da Santa Ceia e também dobrava-se o joelho e agradecia-se a Deus.
    Mas, como foi dito, está faltando mesmo é o devido valor ao culto específico. Ele atualmente (em alguns lugares) se perde em meio à desordem.

    Tenso e Preocupante!

    Paz do Senhor!
    Sou super a favor do cálice individual, por questão de higiene!

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  2. Excelente artigo irmão Mário!

    Em Belém, a ceia era administrada por um cálice único, que passava de membro para membro, até que um dia um diácono constatou que um dos membros estava com um problemas nos lábios, e ainda assim bebendo! (rsrsrs). O diácono informou ao pastor (não me lembro se era Nels Nelson) acerca disso e a partir daí adotou-se o calíce individual.

    Hoje, vejo cada vez mais o costume de servir a ceia em cerimônias de casamento, sendo que os noivo chegam até a brindar! A meu ver, isso tira da ceia sue momento único e a transforma em mais uma costume social.

    Oremos!

    Forte abraço e paz de Cristo!

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  3. Muito lembro quando era criança em 1947 na AD Belford roxo usava-se um copo grande de cristal e o diacono passava para todos apos a pessoa beber passava o guardanapo na borda do copo acho falta de higiene ,quando sobrava o Pão ou o Vinho eles enterravam acho errado pois o pão multiplicado por Jesus ele mandou recolher para que nada se perdesse

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  4. Diversas igrejas estão inserindo em seus estatutos que o fiel que não comparecer a três ceias seguidas seja suspenso da comunhão.

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