sábado, 6 de julho de 2013

Alcebíades P. Vasconcelos – memórias de uma viagem aos EUA

Alcebíades Pereira Vasconcelos (1914-1988) foi um dos maiores líderes das Assembleias de Deus no Brasil. Pastor, ensinador, escritor e jornalista, Alcebíades com seu autodidatismo foi içado ao posto de culto conhecedor da Bíblia e das línguas originais do Livros Sagrado, além de dominar com fluência o inglês e espanhol. Apesar disso era um homem extremamente simples. 

Mesmo tendo presidido importantes igrejas com as ADs de Belém do Pará, São Cristóvão/RJ e Manuas/AM, ainda conservava o espírito humilde de servo. Pastor Gedeão G. Menezes assim rememora o pastor Vasconcelos: "lembro bem de seu terno 'surrado' cor cinza e do 'conga' que usava para combinar com o terno..."

Dentre as muitas experiências do veterano, está uma viagem aos EUA por ocasião do Jubileu de Ouro das ADs norte-americanas em 1964. O que presenciou, pastor Alcebíades registrou em 5 textos para o Mensageiro da Paz intitulados Impressões da Assembleia de Deus na outra América. Nos artigos, o líder brasileiro observa as condições do movimento pentecostal em solo estadunidense e reflete sobre o próprio trabalho das ADs no Brasil. É uma comparação de cultura e valores interessante.

Alcebíades: uma visão critica sobre as ADs no Brasil

Em seu primeiro texto, Alcebíades destaca sua visita a Casa Publicadora das ADs nos EUA. Ele admira-se com a grandeza do edifício da instituição, a qual descreve como "indescritível e extraordinário". Elogia a organização e funcionalidade da empresa e a certa altura do texto reflete: "Porque em verdade, irmãos, diante da Casa Publicadora aqui nos Estados Unidos, a nossa no Rio é um simples arranjo e verdadeiramente precário..."

Mais adiante, pastor Vasconcelos confessa:
Uma única coisa lamentei ali mesmo: foi estar sozinho aqui para ver tudo isso! eu gostaria que toso os meus colegas brasileiros fossem beneficiados por Deus com essa oportunidade que Ele graciosamente me deu, porque isso os faria entender melhor muitas coisas que se passam entre nós e que poderia produzir resultados mil vezes melhores e completamente diferentes daqueles que às vezes produzem!
É significativa as observações por parte do líder brasileiro. As ADs no Brasil já estavam com mais de 50 anos de existência e presente em todo território nacional, mas a sua Casa Publicadora é descrita por Alcebíades (que nela trabalhou com redator) como um "simples arranjo", uma instituição precária.  mesmo que as ADs brasileiras já tenham força numérica substancial.

E qual o motivo da precariedade? Pelas expressões usadas pelo escritor, seria a falta de um projeto nacional, de forças unidas em prol da construção de algo grandioso como era de se esperar em uma igreja como a AD. Nesse momento de sua história as ADs crescem, mas as lutas internas entre seus ministérios, já naquele tempo, não permite a concretização de planos nacionais, inclusive com uma editora que estivesse à altura desse crescimento. Alcebíades então deseja que todos os seus companheiros vissem o que ele viu, pois quem sabe, entenderiam melhor o quanto estavam atrás devido as ambições, desuniões e concorrências desnecessárias.

Porém, o tempo passou, e na CGADB de 1981, quando entrevistado pelo Mensageiro da Paz sobre a situação da igreja, ele desabafou: "Infelizmente reconheço que é a política ministerial se tem convertido num autêntico opróbrio à nossa igreja; e se ela não cessar de imediato, ameaçará a nossa igreja, despreparando-a para o Arrebatamento, que se avizinha".

Não seria essa política ministerial que Alcebíades Vasconcelos se referia em 1964? Uma política que impedia uma editora decente e grandiosa para as ADs no Brasil. A história da AD e de sua editora é clara ao informar, que a CPAD só não fechou as portas por causa das ajudas incessantes das igrejas, mas em contrapartida durante muito tempo os seus produtos ficavam aquém da qualidade desejada.

E agora, em pleno século XXI, não seria essa política ministerial ainda o opróbrio da maior denominação pentecostal do país? Pelo que se percebe, não é de hoje que ela atrasa a evangelização e a Obra de Deus no Brasil.

PS: as observações do saudoso pastor Alcebíades continuam nas próximas postagens.

Fontes:

 ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.


 MENSAGEIRO DA PAZ. 1º quinzena de maio de 1964. Rio de Janeiro: CPAD.

2 comentários:

  1. ha de se perceber outro problema, que esta mais ligado a aculturação do povo brasileiro, ou seja o brasileiro não gosta de ler e por isso a CPAD também sofre essas consequências, ao passo que os estadunidense são um povo que primam pela boa leitura... Paz

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  2. Falta de tempo, dinheiro e pessoal não atrasou nem atrasa a AD. É vontade política!

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