quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um legítimo pastor do século XXI

Quais seriam as características de um legítimo pastor do século XXI? Caso o leitor não saiba, a revista ISTOÉ traçou um perfil dessa classe eclesiástica através do pastor Samuel Ferreira, líder da Assembleia de Deus - Ministério Madureira no bairro do Brás em São Paulo.

A matéria, apresenta Samuel Ferreira como um pastor ultramoderno. Essa modernidade é apresentada em linhas gerais na forma como Ferreira conduz o rebanho; sobre o qual não faz nenhuma exigência de "usos e costumes", passa por sua elegância em usar vestimentas de marcas conceituadas (Hugo Boss), e seu intenso uso de mídia eletrônica e redes sociais. Em suma: é um sujeito antenado, carismático, na moda e bem resolvido. Um modelo de pastor da Assembleia de Deus atual.


É lógico que Ferreira não é unanimidade. Sua atitude de liberar os membros de qualquer restrição de "usos e costumes" e flexibilizar a liturgia é tido por muitos líderes como uma abominação. Para José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB, Samuel "descambou" na questão comportamental. O site da igreja  fala de um plano de recuperação e crescimento, expressão essa que parece ser uma crítica à postura mais conservadora de seu antecessor, a qual ele resolveu abandonar.


Samuel Ferreira: modernidade alicerçada no atraso


Aliás, é na página eletrônica da AD do Brás, que a imagem de "moderno" atribuída pela ISTOÉ é reforçada. Página que foi reformada recentemente, e certas informações sobre o seu líder foram retiradas devido aos exageros. Por exemplo: algumas informações dizendo que Ferreira havia lido um número absurdo de livros, e que era autor de "grandes obras literárias". Na reforma recente, o absurdo de livros, supostamente lidos foram diminuídos, mas continua a insistir "nas grandes obras literárias". Na realidade, o site da AD do Brás é puro marketing, onde a suposta modernidade de seu pastor é exacerbada. 


Mas que modernidade é essa? Na história, modernidade e atraso estão entrelaçados. Na Grécia Antiga os cidadãos discutiam as leis da pólis, e vivenciavam a famosa democracia grega, porque eram beneficiados pela escravidão que os deixava livres e ociosos para a prática política. O moderno sistema capitalista foi erguido a partir da exploração das massas de trabalhadores, camponeses e servos na Europa. Enquanto que no século XIX, trens (símbolo maior do progresso na época) cruzavam os continentes de todo o mundo, vastas áreas da Ásia e da África eram submetidas, exploradas e humilhadas pelo domínio do homem branco, gerando extremas desigualdades até hoje vividas nesses continentes.


No caso de Samuel Ferreira (e de outros), a suposta modernidade, está relacionada ao que de mais arcaico existe nas chamadas sociedades contemporâneas, que valorizam o mérito e o individualismo. Para começar, Samuel é filho do bispo Manuel Ferreira, líder máximo da AD de Madureira no Brasil por mais de 25 anos. Três de seus filhos são pastores das chamadas igrejas históricas do ministério. Coube a Samuel a igreja do Brás, a pioneira do ministério em SP. Ferreira pai, nesse tempo de liderança, também colocou seus filhos no controle da editora Betel e em cargos de liderança das convenções regionais e nacional de Madureira. É evidente o nepotismo escancarado em todas as áreas do ministério em favor da família Ferreira.


Manuel Ferreira, é um típico líder assembleiano no que há de pior no sentido do termo. Além de praticar o nepotismo, já foi candidato derrotado ao senado pelo RJ e deputado federal por esse estado, capitalizando para si mesmo através do cargo os votos dos membros. Nas eleições de 2010, fez circular uma carta "amigável" entre os pastores do ministério ameaçando veladamente (ou claramente) quem não seguisse as diretrizes políticas por ele determinadas. Ultimamente, tem gerado polêmicas ao se unir ao reverendo Moon, criador de uma seita que se choca frontalmente contra as doutrinas básicas defendidas pelas ADs no país. Mas longe de se sentir ameaçado, continua firme na liderança de Madureira, pois como seu fundador Paulo Leivas Macalão, conduz a igreja com mão de ferro.


Assim, é nesse contexto de nepotismo, coronelismo eclesiástico e vaidades religiosas, que está fundamentada a modernidade de Samuel Ferreira. E ao que tudo indica, será ele o sucessor de seu pai na liderança do ministério. Além de perpetuar as práticas políticas-administrativas de seu pai. É um círculo vicioso, em que interesses políticos, econômicos e familiares estão em jogo. Não só em Madureira, mas no Belenzinho, Santos, São Cristóvão, Belém e por muitas ADs no Brasil.

5 comentários:

  1. Caro Mário Sergio,

    A paz amado,

    Permita-me acrescentar à sua matéria o que condiz com a verdade para o momento, diante desta tão natural aceitação do mundo, aos que definham a nobreza da igreja em seus cargos vitalícios festejados como resultados de grandes franchises em seus métodos moderníssimos de divulgação do evangelho e contrários às necessidades neste tempo marcado como o Final dos Tempos.

    Ai... Ai... Ai...

    o Senhor seja contigo,

    O menor de todos os menores. Um Tradicional Pentecostal.

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  2. Olá irmão em Cristo,

    Li seu artigo, e concordo com sua avaliação sobre a Família Ferreira, entretanto gostaria de pedir alguma informação mais concreta sobre a afirmação de que o Pastor Paulo Leivas Macalão conduzia a igreja com mão de ferro.
    Abraço

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  3. Meu caro irmão, obrigado pela sua visita. Para saber mais é só clicar no marcador em Ministério de Madureira. Em três postagens, traço um perfil de Paulo Macalão. Uma boa leitura!

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  4. Paz!

    Seguindo este blog pelo Prossigo para o Alvo...

    Faça-nos uma visita quando possível em: prossigo.blogspot.com

    Em Cristo,

    Robson Silva

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  5. No mínimo vc é do Belém! kkkkkkk

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