terça-feira, 8 de março de 2011

Nos Bastidores do Reino: uma reflexão sobre o movimento pentecostal



Reli recentemente o livro Nos Bastidores do Reino: a vida secreta na Igreja Universal do Reino de Deus (Geração Editorial), de autoria do ex-pastor Mario Justino. A obra, como o nome já esclarece, é o relato de um ex-líder da denominação, que resolveu tornar público suas experiências ministeriais na Igreja Universal. Muito mais que isso, o livro é um retrato do que já estava se tornando a denominação, e consequentemente as demais igrejas pentecostais. Ao ler o relato de Justino, em diversos momentos o leitor encontra semelhanças com outras igrejas e, acredito eu, com a sua própria denominação. É possível identificar métodos hoje usados na Assembleia de Deus, Quadrangular, Internacional da Graça etc.

O interessante desse livro, é como se evidencia as decepções do ex-líder religioso com o chamado "sistema eclesiástico". Na medida em que se revela a ascensão e queda do autor em sua trajetória ministerial, no mínimo um sentimento de empatia brota de quem acompanha suas tragédias pessoais. Pois muitas de suas desventuras, foram ou são, vividas por milhares de pessoas, que como ele se entregam a uma causa e depois percebem que foram traídas ou se traíram na caminha de fé.

Nas palavras de Marcelo Rubens Paiva em seu prefácio a leitura do livro "é um evento de transformação". Resolvi aqui nesse espaço, deixar algumas linhas dessa obra, para aguçar a curiosidade de alguns leitores desse blog. Leia as considerações de Mário Justino sobre alguns temas.

Sobre as pregações

Muitos pastores, por timidez diante do público ou por serem contra a total falta de transparência do roteiro do dinheiro, simplesmente não se esforçavam para levantar ofertas. Esses pastores formavam a ala conservadora da Igreja e sempre eram mandados embora na primeira oportunidade. Bem-feito para eles: em vez de pedir altas ofertas e fazer macaquices no púlpito para entreter o povo, optavam por pregar tolices como salvação da alma ou tópicos que a ninguém importavam, como a segunda vinda de Cristo ou o dia do Juízo Final. Ladainhas.

Política

O ano de 1982 marcou o período em que a Igreja começou a se politizar... Isso soou como uma espécie de, digamos, quebra de campanha, pois a pregação de Macedo até o início dos anos 80 era de que a igreja nunca se envolvesse diretamente com a política, que para ele era "coisas do diabo". Mudou o diabo ou mudamos nós?

Vida dentro da denominação e alienação social

E além do mais, como seria minha vida lá fora sem profissão definida e com uma família para sustentar? O meu mundo cabia dentro dos limites da Igreja e para mim era como se não existisse vida fora dela... Vivia sem a menor noção de realidade. Estive ausente quando as ruas viraram um mar humano clamando por eleições diretas e mesmo fatos como a morte de Tancredo Neves e o Plano Cruzado me passaram desapercebidos. Como começar de novo num mundo que continuou caminhando quando eu parei?

Era vergonhosa a cena: eu numa fila de emprego, aos 23 anos, competindo com candidatos cuja idade variava de catorze a dezessete anos. Mas vergonhoso mesmo foi quando, ao chegar a minha vez de ser entrevistado, a mocinha da mesa, sabendo que eu estava procurando meu primeiro emprego, deu uma gargalhada e se saiu com essa:
- Nossa, meu filho! Onde você esteve nestes últimos anos, em Marte?
Os moleques na fila adoraram.

3 comentários:

  1. Como certamente disse Paul Freston sobre a relação da política com os evangélicos. "a política deve ser para o Evangelho e não para os evangélicos."
    Seria interessante entrar em contato, já que pesquiso sobre evangélicos na UFSC (edpaegle@hotmail.com).

    Abraços, Eduardo Paegle

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  2. ONDE POSSO ADQUIRIR ESTE LIVRO?
    OBGDA

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  3. Eu encontrei esse livro na biblioteca municipal de Joinville. Caso você não encontre na biblioteca, quem sabe em livrarias ou sebos existentes na cidade em que o amado leitor mora.

    Obrigado pela visita e um grande abraço!

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