quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Assembleia de Deus e eleições: 1986 um ano decisivo

Uma das notícias mais comentadas nos meios de comunicação a cada eleição legislativa, é o aumento, ou a diminuição da chamada "bancada evangélica" no Congresso Nacional. Nesse ano de 2010, verificamos que o número de parlamentares evangélicos aumentou, saltando de 43 para 71 congressistas.

A Assembleia de Deus maior igreja protestante e pentecostal do Brasil, fez jus ao seu gigantismo, e agora na proximidade do seu centenário, conseguiu eleger (ou em alguns casos reeleger) 23 deputados federais, superando assim as dificuldades da eleição legislativa de 2006, quando vários de seus representantes não conseguiram a reeleição.

Mas como será que a maior denominação evangélica do país se comportava em matéria de política partidária  há alguns anos atrás?

Segundo alguns estudiosos, a origem estrangeira dos missionários suecos que fundaram a Assembleia de Deus no Brasil, a baixa condição social dos seus membros nas primeiras décadas de sua expansão e as perseguições ferrenhas enfrentadas, teriam sido alguns dos fatores para seu apolitismo institucional durante muitos anos. Afinal, a luta dos primeiros crentes era pela sobrevivência, suportando as perseguições e esperando a volta de Cristo para qualquer momento. Não se pensava em outras conquistas ditas "mundanas", incluindo o poder político.

Porém alguns membros se destacaram na seara política. O caso mais notável é o de Antônio Torres Galvão, o qual construiu uma carreira política interessante em Pernambuco, tendo chegado a ocupar a chefia do governo desse estado por alguns meses em 1952. Outro exemplo é o de José Fernandes, o primeiro membro da Assembleia de Deus a chegar ao Congresso Nacional em 1978 pelo estado do Amazonas.

Mas a grande entrada e mobilização das Assembleias de Deus na arena política tem um ano como marco: 1986. Nesse ano, os cidadãos brasileiros elegeram a nova Assembleia Nacional Constituinte, que teria a responsabilidade de formular uma nova Carta Magna para o país. Estaria em jogo, segundo os líderes evangélicos em geral, a liberdade de culto e religião, a qual somente seria assegurada com uma ampla mobilização e eleição de representantes para atuar na constituinte.

Constituição: sua mística garantiu a eleição de muitos pentecostais 

Cada convenção estadual ou regional das Assembleias de Deus no Brasil, escolheu ou apoiou candidatos, e realmente se mobilizou para a eleição dos mesmos. O esforço conjunto foi um sucesso, pois dos 32 deputados evangélicos eleitos, 14 eram assembleianos. Porém na eleição seguinte, sem "a mística da constituinte" como bem afirmou Freston, e com maior concorrência e desilusões por parte do eleitorado protestante, o número de deputados ligados a denominação (e aos evangélicos em geral) caiu drásticamente. Em 1990 a Assembleia de Deus somente conseguiu reeleger 5 dos deputados da legislatura de 1986, e 4 conseguiram assumir como suplentes.

Com o maior número de candidaturas por parte de seus membros a cada eleição, e as consequentes derrotas dos chamados chamados "candidatos oficiais", a liderança assembleiana chegou a lançar em 2001 o projeto político "Cidadania AD Brasil". O projeto estimulava em linhas gerais, a candidatura de políticos comprometidos com a igreja, e procurava fortalecer através dos mesmos, a influência da instituição nos rumos políticos do país. Como resultado desse esforço institucional a Assembleia de Deus conseguiu eleger em 2002, 22 deputados. Porém com a CPI dos "Sanguessugas" (a máfia das ambulâncias), e o envolvimento de alguns parlamentares evangélicos (muitos deles assembleianos), o número de parlamentares pertencentes a denominação caiu para 9 nas eleições de 2006.

Agora em 2010, a Assembleia de  Deus voltou a eleger um número significativo de congressistas. Porém algumas questões levantadas por estudiosos do tema, ainda continuam atuais. Quais motivos realmente incentivaram as igrejas e seus líderes a lançarem candidatos próprios? E o mais importante: quem são na sua maioria os candidatos oficiais da denominação? Mas esse é um assunto para se discutir nos próximos textos.

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